A arte imita a vida de Tarcísio Meira em “O Camareiro”

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No dia 05 de outubro, Tarcísio Meira completa 80 anos em plena atividade. Após 20 anos afastado dos palcos (dedicados ao cinema e à televisão), o retorno ao teatro comemora os 60 anos de carreira do ator. E a peça “O Camareiro” ilustra justamente a devoção ao ofício, prática que o artista nunca deixou dúvidas de que nasceu para exercer. São mais de 20 longas metragem e mais de 50 participações em novelas e seriados, incluindo passagens pelas extintas redes Tupi e Excelsior. “Irmãos Coragem” (1970), “Guerra dos Sexos” (1983), “Fera Ferida” (1993), “A Muralha” (2000) e “Páginas da Vida” (2006) são alguns dos trabalhos que colocaram Tarcísio no posto de um dos mais talentosos atores do Brasil.

“O Camareiro” chega para comemorar um capítulo importante na vida e na carreira de Tarcísio. O espetáculo coroa, literalmente, a expressiva contribuição do artista às artes no país. Não só por isso, o ator é ovacionado em cena aberta durante a interpretação de Sir, um renomado intérprete que, apesar da idade, não abandona os palcos. Dizem que a vida imita a arte, nesse caso, a arte imita a vida e muito do que se vê pode ser confundido com a biografia do ator, embora Meira esbanje saúde e boa memória.

No papel do fiel escudeiro de Sir, Kiko Mascarenhas dá um show de interpretação. Sem sair do palco nas quase duas horas de espetáculo (há um intervalo de 15 minutos), o ator apimenta a peça com um toque cômico, apesar da profunda carga dramática de seu personagem, Norman. Com mais de 30 grandes montagens no currículo, Mascarenhas trabalhou com grandes nomes do teatro nacional como Augusto Boal, Marcelo Saback, Monique Gardenberg, José Wilker e Miguel Falabella. Além de Ulysses Cruz, responsável pela direção de “O Camareiro”.

A cenografia de Andre Cortez e a iluminação de Domingos Quintiliano não devem em nada a um espetáculo da Broadway, por exemplo. No final do primeiro ato, com a explosão da Segunda Guerra Mundial, o cenário sofre uma transformação digna de grandes produções. O figurino assinado por Beth Filipecki e Renaldo Machado – ambos da Rede Globo – dão mais um ótimo motivo para assistir a montagem.

Com exceção de Norman, o camareiro, todos os demais personagens são dispensáveis. As cenas de Karin Rodrigues, Silvio Matos, Ravel Cabral e Karen Coelho não acrescentam em absolutamente nada ao espetáculo. São pequenas esquetes que auxiliam o público a desvendar, mais profundamente, detalhes da personalidade do personagem de Meira. Nada que não poderia ser dito através do espetacular texto dos personagens principais. Sem o menor carisma, a personagem de Chris Couto perde a chance de levar a plateia às lágrimas com sua cena final, embora a atriz se destaque por sua atuação convincente e participação justificada dentro do contexto de “O Camareiro”.

Escrito por Ronald Harwood, o espetáculo estimula o espectador a pensar em todos os lados do tema proposto e a tirar suas próprias conclusões. Embora a encenação induza o público a defender o personagem com que mais se identifique, não há declaradamente um lado certo e um lado errado, o que transforma “O Camareiro” em um debate saudável sobre o ofício do ator e tudo o que ele representa. Sem trocadilhos.

“O Camareiro” está em cartaz no Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elísios – São Paulo/SP) às sextas (21h), aos sábados (21h) e aos domingos (18h). Os ingressos custam de R$40,00 (meia) a R$100,00 (inteira) e podem ser encontrados no Ingresso Rápido. Clientes Porto Seguro possuem desconto. Até 13 de dezembro.

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