“A Noite de 16 de Janeiro” se caracteriza como homenagem a Jô Soares

(Foto: Priscila Prade)

Promotor, advogado, testemunhas e júri se reúnem no tribunal onde o juiz Jhonatan Sloane (Jô Soares) tenta desvendar a morte do milionário Bjorn Faulkner. Na noite de 16 de janeiro de 1934, o empresário despencou da Faulkner Tower, em Nova York. O promotor Jonas Flint (Marco Antônio Pâmio) acusa a secretária e ex-amante do milionário, Andrea Karen (Guta Ruiz), de empurrar Faulkner como vingança por seu casamento com Nancy Lee Faulkner (Erica Montanheiro), filha do banqueiro John Whitfield (Norival Rizzo). O advogado de defesa Mark Stevens (Cássio Scapin) detalha a situação das finanças de Faulkner e defende que a falência de seus negócios provocou o suicídio do milionário. Cabe ao júri decidir se Andrea é culpada ou inocente.

Coincidentemente data de nascimento de Jô Soares, “A Noite de 16 de Janeiro” se caracteriza como uma merecida homenagem ao artista. A peça se inicia após um vídeo em que Jô Soares explica parte do processo de criação da obra e se denomina como uma participação quase irrelevante de um espetáculo que traz momentos muito maiores. Modesto, nenhuma figura – por melhor que seja – se destaca mais do que sua “participação especial”. Com mais de 60 anos de carreira, Jô Soares pôde ser visto ao lado de um elenco nos palcos pela última vez em “Tudo no Escuro”, em 1976. Acostumado a fazer turnês de seus espetáculos solo, o artista não se apresenta há cerca de oito anos, quando se despediu de “Remix em Pessoa”, em 2010.

Marco Antônio Pâmio e Cássio Scapin são responsáveis pelos mais complexos trechos do texto e pelos maiores e mais impactantes monólogos do espetáculo. Completam o elenco Guta Ruiz, Erica Montanheiro, Norival Rizzo, Ricardo Gelli, Paulo Marcos, Nicolas Trevijano, Luciano Schwab, Felipe Palhares, Tuna Dwek, Kiko Bertholini, Milton Levy, Giovani Tozi e Mariana Melgaço.

(Foto: Priscila Prade)

“A Noite de 16 de Janeiro” é um espetáculo marcado pelo texto e pelas interpretações. Embora toda a parte técnica funcione perfeitamente, não há um grande destaque. A cenografia de Chris Aizner e Nilton Aizner representa um tribunal em meados dos anos 30. O espaço conquista novas perspectivas com as projeções de imagem de André Grynwask e Pri Argoud e com a iluminação cinematográfica de Maneco Quinderé. A música original de Ricardo Severo e o figurino de Fábio Namatame permitem que o público mergulhe na época com mais facilidade.

Any Rand escreveu “Night of January 16th” com o propósito de utilizar parte dos espectadores como júri. Doze pessoas são previamente escolhidas e assistem ao espetáculo do palco. No final, os participantes são convidados a votar se acreditam que Andrea Karen é culpada ou inocente, definindo qual será o desfecho da história. Segundo Jô Soares, na sessão de 25 de maio a secretária foi considerada criminosa pela primeira vez desde a estreia. Guta Ruiz, inclusive, se atrapalhou para encerrar o espetáculo, provavelmente pega de surpresa pelo resultado.

Os espectadores que tiverem interesse em participar do júri da peça, precisam verificar a disponibilidade de lugares pessoalmente na bilheteria do teatro. A participação é gratuita. O espetáculo estreou em 16 de janeiro de 1935, no Ambassador Theater, em Nova York. No Brasil, “A Noite de 16 de Janeiro” teve sua apresentação de estreia em 05 de maio de 2018.

(Foto: Priscila Prade)

“A Noite de 16 de Janeiro” está em cartaz no Teatro Tuca (Rua Monte Alegre, 1.024 – Perdizes), em São Paulo, sextas (21h30), sábados (21h) e domingos (19h). As entradas custam de R$60,00 (meia) a R$120,00 (inteira) e podem ser compradas através do site oficial do Ingresso Rápido. Ingressos de R$50,00 (meia) a R$100,00 (inteira) são disponibilizados esporadicamente para preencher eventuais sessões com lugares remanescentes. O espetáculo tem duração de 110 minutos e classificação indicativa para maiores de 14 anos. Até 09 de dezembro. Estrela1 Estrela1 Estrela1