Ana Lucia Torre e Ary Fontoura estrelam espetáculo “Num Lago Dourado”

(Foto: João Caldas)

Em cartaz no Teatro Renaissance, em São Paulo, “Num Lago Dourado” marca o reencontro dos atores Ana Lucia Torre e Ary Fontoura. Primeira produção teatral em que os artistas dividem holofotes, o espetáculo possibilita ao público relembrar marcantes trabalhos em que ambos estiveram presentes, como as novelas “Tieta” (1989), “A Indomada” (1997) e “Êta Mundo Bom!” (2016), todas na Rede Globo.

“Num Lago Dourado” mostra a relação de Norman (Ary Fontoura) e Ethel (Ana Lucia Torre), um casal de terceira idade que lida de formas diferentes com o tempo. A inesperada visita da filha Chelsea (Tatiana de Marca), em companhia de seu futuro marido Billy Ray (André Garolli) e de seu enteado Billy Ray Jr (Lucas Abdo), movimenta a vida dos aposentados, acompanhada de perto pelo carteiro Charlie (Fabiano Augusto). Com dedicação, paciência e muito amor, os personagens discutem a importância dos valores familiares e a redescoberta do gosto pela vida.

Escrita por Ernest Thompson em 1979, a peça ganhou uma versão cinematográfica em 1981. Dirigido por Mark Rydell e estrelado por Henry Fonda, Katharine Hepburn e Jane Fonda, o longa-metragem rendeu mais de 100 milhões de dólares e ganhou dezenas dos mais importantes prêmios da industria em 1982, incluindo os Oscars de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator (Henry Fonda) e Melhor Atriz (Katharine Hepburn).

Com direção de Elias Andreato, Ana Lucia Torre e Ary Fontoura atuam com delicadeza e comprovam o talento e a competência que os posicionam como grandes estrelas do teatro nacional. Lucas Abdo é uma grata surpresa em um elenco de profissionais. Com graça e extrema segurança, o ator conquista não só o coração de Norman, mas de toda a plateia. Em participações menores, mas igualmente positivas, André Garolli e Fabiano Augusto somam à peça ao lado de Tatiana de Marca, responsável por grande parte da dramaticidade do texto.

Embora relembre dezenas de outros cenários (difícil escapar das recorrentes portas e janelas centrais, e entradas e saídas laterais ao reproduzir uma casa em um palco italiano), o visual criado por Marco Lima encanta o público pela quantidade de detalhes, principalmente em sincronia com a iluminação criada por Wagner Freire e com a bonita trilha sonora de Miguel Briamonte. Assinado por Fause Haten, o figurino tem momentos mais positivos que negativos.

Apesar de tecnicamente perfeito e de qualidade indiscutível, “Num Lago Dourado” poderia estimular ainda mais o sentimento da plateia com a inclusão de detalhes fáceis, mas que seriam inesquecíveis aos olhos do público, como o movimento do lago, o efeito de chuva através da iluminação (a tempestade é apenas ouvida, embora a casa possua janelas) e as capas de chuva molhadas quando os personagens retornam de uma pescaria.

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(Foto: João Caldas)

“Num Lago Dourado” está em cartaz no Teatro Renaissance (Alameda Santos, 2.233 – Jardins), em São Paulo, às sextas (21h30), aos sábados (21h30) e aos domingos (18h). As entradas custam de R$40,00 (meia) a R$80,00 (inteira) e podem ser encontradas no site oficial do Compre Ingressos. Com classificação indicativa a partir de 10 anos, “Num Lago Dourado” tem cerca de 90 minutos de duração. Até 02 de julho. Estrela1 Estrela1 Estrela1 Estrela1