Após expulsão, Preta Gil cede espaço para Wanessa Camargo no Milkshake Festival

(Foto: Felipe Panfili)

Daniela Mercury, Preta Gil, Wanessa Camargo e muitos outros artistas se apresentaram na segunda edição brasileira do Milkshake Festival. No último sábado (02), o evento que celebra a diversidade, reuniu cerca de 15 mil pessoas na Arena Anhembi, em São Paulo. “É com muito prazer que estou no Milkshake, um festival que veio quebrar barreiras”, cumprimenta Wanessa no primeiro grande espetáculo da noite. “É hit que vocês querem?”, brinca antes de cantar inúmeros sucessos de sua carreira como “Sem Querer”, “Apaixonada Por Você” e “Tanta Saudade”.

“Essa música tem uma frase que me emociona sempre que canto: ‘eu já me condenei por ser como eu sou, mas já me perdoei foi por amor'”, confessa após “Não Resisto a Nós Dois”. “Me disseram uma vez: ‘esse público não te leva a nada’ e esse público me deu tudo! Muito obrigada por me aceitarem como eu sou!”, agradece emocionada antes de entoar canções de seu trabalho em inglês como “Hair & Soul”, “Falling For U” e “DNA”. “Com todo respeito do mundo, tenho mais cinco músicas e querem que eu corte. Corto ou fico?”, pergunta antes de “Stuck on Repeat”.

Antes do próximo número, o microfone de Wanessa é desligado. A cantora se recusa a sair, mas a produção do festival retira a banda da artista do palco. Inúmeras pessoas da equipe da cantora e da equipe do Milkshake discutem na frente do público. Wanessa chama um de seus músicos e senta no palco para cantar com a plateia, enquanto montam a banda de Preta Gil. Imediatamente, a produção do festival desliga as luzes do palco e aumenta o som ambiente, forçando a cantora a se retirar, mesmo faltando cerca de 20 minutos para o início da apresentação de Preta.

Nos bastidores, Wanessa Camargo afirmou estar pronta para o show marcado para às 19h, desde às 17h30. A cantora subiu ao palco com 40 minutos de atraso, alegando que a produção do festival solicitou que a artista atendesse alguns veículos de imprensa em cima da hora.

(Foto: Felipe Panfili)

Logo no início de sua apresentação, Preta Gil convida Gretchen para uma rápida participação. “Daqui a pouco a Gretchen estará no outro palco que, aliás, está com o som alto pra caramba!”, alfineta. “Pedi para avisar a Wanessa que se ela quiser cantar, estou esperando!”, anuncia entre canções como “Vá Se Benzer”, “Eu Quero e Você Quer”, “Decote” e “Stereo”. “Fica a dica para a produção do festival: não dá para colocar dois artistas simultaneamente. Por exemplo, o Rico Dalasam está no outro palco e um está atrapalhando o outro!”, alfineta mais uma vez.

“O show da Wanessa teve um problema de tempo e ela teve que sair antes de cantar sua música de trabalho”, anuncia Preta Gil antes de receber a cantora de volta ao palco. “Não posso falar, se não cortam meu microfone”, provoca Wanessa. “Ela está me dando o espaço dela, são poucos os artistas que tem esse respeito pelo colega. Ela não precisava fazer isso”, agradece Wanessa antes de cantar “Amor, Amor” com Preta Gil. “Qual é o tom?”, pergunta Preta. “Não sei”, responde Wanessa divertindo o público antes de cantar sua nova música “Mulher Gato”.

“Pra Frente”, de Ivete Sangalo; “Requebra”, de Olodum; “Fogo e Paixão”, de Wando; “Mila”, de Netinho; “Loka”, de Simone e Simaria com participação de Anitta; “O Doce”, de Ivete Sangalo”; “Vou Festejar”, de Beth Carvalho; e “Não Quero Dinheiro”, de Tim Maia; foram algumas das canções que completaram o delicioso repertório do espetáculo de Preta Gil. “Que esse festival cresça e que a gente mostre para a sociedade que a gente não é minoria, nós somos maioria! Obrigada, São Paulo!”, agradece antes de deixar o palco com o público ávido por mais.

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(Foto: Felipe Panfili)

Show mais esperado da noite, Daniela Mercury iniciou a apresentação com os sucessos “Swing da Cor” e “Canto da Cidade”. “São Paulo, que lindo estarmos nesse festival para celebrarmos a diversidade!”, comemora antes de “Banzeiro”, música do ano do carnaval da Bahia. “Vocês tem medo de macumba?”, pergunta antes de canções como “A Rainha do Axé” e “Pérola Negra”.

“Só queremos nos sentir parte desse lugar, nascemos para brilhar, para sermos amados”, discursa emocionada. “Parabéns aos que tem coragem de quebrar algum paradigma, só os que quebram regras fazem coisas importantes no mundo, não estamos aqui para obedecer”, completa. “Estou no palco desde pequena e nunca houve limite para me expressar, para usar meu corpo, para amar. Posso sentir prazer de milhões de maneiras diferentes e isso incomoda os que santificaram o ato sexual”, finaliza antes de “Baianidade Nagô” (Banda Mel) e “Mas Que Nada” (Jorge Ben Jor).

“Viva o amor!”, comemora após “Nossa Gente” e “Faraó Divindade do Egito”, ambas de Olodum. “Direitos humanos são essencialmente amor. Não há legislação, não há constituição que não seja baseada no amor. O que nos distingue não é nossa racionalidade, mas nossa emoção e como nos tratamos nesse planeta”, diz. “Se as leis não contemplam a maioria da população, a gente tem que fazer com que contemplem. Não existe democracia ou civilização que faça sentido sem prestigiar a grande maioria”, finaliza antes de “Nobre Vagabundo”, “Samba Presidente” e “Maimbê Dandá”.