Arieta Corrêa: “Defendo qualquer ser humano. Somos todos um!”

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Ao encontrar Arieta Corrêa pela primeira vez, é impossível não reparar em sua beleza física: “Estou péssima, com a rinite atacada”, diz ao receber o Setor VIP na plateia do Teatro TUCA em São Paulo. Imagina se estivesse bem! É na casa – prestes a completar 50 anos – que a atriz está em cartaz com o espetáculo “Tribos” há seis meses. A peça que aborda as diferentes tribos de deficientes auditivos tem sido ovacionada pela crítica e pelo público não pela participação de seu colega mais famoso, o consagrado ator Antônio Fagundes, e nem pelo entretenimento a que se propõe, mas por sua audácia política e social em revelar detalhes minuciosos de uma realidade quase desconhecida.

“Tribos” não é o primeiro trabalho de impressionante complexidade que Arieta participa. Além de sua duradoura passagem pelo CPT – Centro de Pesquisa Teatral, do diretor Antunes Filho, onde ficou por mais de oito anos e de sua longa carreira teatral, a artista deu vida à personagens que mexeram com o imaginário dos espectadores como Chiquita na novela “O Rei do Gado” (1996), Bárbara em “A Casa das Sete Mulheres” (2003), Ruth na minissérie “Tudo Novo de Novo” (2009) e Helena no longa-metragem “Como Esquecer” (2010). Além de “Tribos”, a paulista nascida em Botucatu ainda pode ser vista todas as terças-feiras com sua personagem Letícia, na série policial “A Teia”, na Rede Globo.

Na conversa abaixo, Arieta mostra-se inteira, extremamente consciente de seu papel na vida e na profissão e muito divertida: “Posso ficar falando por horas”. Sua amizade com Antunes Filho, a experiência teatral com Paulo Autran e a relação com Antônio Fagundes são lembradas em meio ao papo que engloba política, carreira, cinema, pão na chapa e, claro, seu filho Gael, fruto do casamento com o ator Rodrigo Veronese.

Arieta Corrêa como Sílvia no espetáculo “Tribos”

Arieta Corrêa como Sílvia no espetáculo “Tribos”

Setor VIP: “Tribos” é uma peça difícil e de texto complexo. Apesar disso, a maior dificuldade que teve foi aprender a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS)?

Arieta Corrêa: Quando vou compor uma vida, sempre parto da complexidade da personagem e a Sílvia é, sem dúvida, muito complexa, mas mais que isso a dificuldade foi ter que aprender a Língua de Sinais. Tudo que eu e o Bruno (Fagundes) fazemos em cena são sinais corretos, estamos falando essa língua, não são movimentos aleatórios e eu era completamente ignorante no assunto. Não sabia que era a segunda língua oficial do país, não sabia que existia uma comunidade surda gigante e que dentro dessa comunidade há várias outras tribos de surdos. Não sabia nada, muito menos que era uma língua que tem suas próprias regras gramaticais. Foi como se eu tivesse que aprender alemão para amanhã e ainda sentindo tudo o que a personagem sente. É muito louco!

Setor VIP: Qual o ponto principal que fez tomar a decisão de participar de “Tribos”?

Arieta Corrêa: Tenho essa luta de não ficar confortável comigo mesma. Na época em que estava no Antunes achava tudo difícil. Hoje dou graças à Deus quando aparecem coisas difíceis porque você tem um embate com você mesmo, você tem que conquistar coisas para provar que tem onde chegar, que tem o que compor, caminhos novos, como a Sílvia. Recentemente recebi um texto que só não vou fazer porque estou cansada pra caramba e teria que ficar com as duas peças ao mesmo tempo, embora às vezes eu faça isso, mas são textos que me invadem, sabe? Aquilo te engoliu e você passa a fazer parte do texto como ser humano. Claro que o personagem tem que ser bom, se não, não vou fazer, mas esse é o ponto pacífico comum, necessário. A primeira plateia que tenho ao ler uma peça sou eu, mas faço para eles. A peça tem que ser muito boa e que faça a plateia se identificar. Se esse texto me pegou, não é possível que não vá pegar os outros, porque somos todos seres humanos! (risos) As emoções e as sensações são inerentes ao homem. Se existe uma comunicação humana, é meio caminho andado.

Setor VIP: “Tribos” vai além do entretenimento teatral. A importância social para o país pela mensagem educativa e pelas apresentações acessíveis ao público deficiente é muito grande. Tem essa consciência?

Arieta Corrêa: Saio todo domingo para tomar sorvete com o Antunes (risos) e esses dias falei que me sinto muito feliz exatamente por isso que você falou. Não me importa se é bom ou ruim, pela primeira vez sinto uma coisa concreta em termos sociais. É a primeira vez que sinto quão necessário o teatro é, por quantas vidas estão sendo transformadas com essa peça. Mesmo sem ser surdo, meu filho estuda em uma escola que tem Língua de Sinais, quando a família e os amigos vem assistir é um choque. Você se sente meio culpado, envergonhado por não saber que isso existia. Como essas pessoas vão ao Pronto Socorro ou ao supermercado? Se coloca no lugar deles. Eles não tem com quem falar! É horrível! Por um lado não é mais que nossa obrigação fazer isso com intérprete, mas por outro me dá um vazio. Tenho 36 anos, faço teatro desde os 13 e nunca pensei na gravidade de fazer um trabalho social que não está alcançando a todos. Com certeza fiz muitas peças que não tiveram alcance nenhum e o mais grave não é ter feito, é não ter pensado sobre por não saber que isso existia. Hoje estou mais anestesiada, mas no debate com a comunidade surda (o elenco conversa com a plateia após as apresentações da peça) eu chorava com vergonha de não saber a língua deles. Me sinto na obrigação. Me falam que eu não tinha que saber, mas claro que tinha! Devia ter na nossa escola! São 10 milhões de surdos no Brasil!

Setor VIP: Você não pode se culpar, o que você pode fazer por eles agora que sabe da existência e do tamanho você faz com “Tribos” que está em cartaz informando e modificando a cabeça de centenas de pessoas…

Arieta Corrêa: Está começando uma consciência. “Tribos” é muito importante para o Brasil e gostaria que meus colegas tivessem essa experiência social na prática, concreta. Um dia após a peça, um senhor veio aos prantos falar comigo porque estava começando a ficar surdo. É angustiante e um alívio de certa forma, mas como boa pisciana sinto culpa e raiva dos políticos, do governo brasileiro, da hierarquia política e da ganância por poder. O que é essa família Sarney no Maranhão? Que nojo! Fico irritada porque estou aqui sofrendo e quem deveria se preocupar que é quem tem poder para fazer alguma coisa está comprando caviar com o dinheiro que era para ser colocado em presídios. É muito revoltante! É importante para o Brasil, me faz pensar no país e me dá ânsia.

Setor VIP: As matérias em referência à “Tribos” destacam com veemência a importância desse ato. A semente foi plantada…

Arieta Corrêa: …Tem que ser! Não é ser “Poliana”, mas é ir no sim. O (filósofo alemão Friedrich) Nietzsche fala muito sobre ter que ir no sim, porque se não você fica louco e eu fiquei. Quando caiu a ficha pensei “ninguém faz nada”, mas é como você está falando, tem essa outra vertente.

Em cena com o ator Bruno Fagundes

Em cena com o ator Bruno Fagundes

Setor VIP: Em “Tudo Novo de Novo” você namorou a personagem de Irene Ravache e no filme “Como Esquecer” teve um relacionamento com a personagem da atriz Ana Paula Arósio. São outros dois trabalhos que falam sobre minorias e fazem com que as pessoas discutam temas pouco abordados. Você não tem nenhum tipo de receio ou problema em dar a cara a tapa em assuntos ainda vistos como tabu?

Arieta Corrêa: Não tenho problema com quase nada, pelo contrário. A questão é social, é política. Desde criança aprendi a não ter nenhum preconceito e vi muita coisa acontecer. Hoje em dia tá em alta falar sobre bullying, meu filho de 5 anos fala sobre o assunto e está atento, mas vi coisas feias na minha infância. Isso me forma como indivíduo. Tenho essa questão, sim. Antunes me chamava de Madre Teresa. Já fui líder de gangue quando era adolescente! (risos) Quer me matar é maltratar um mendigo, um gay, um ser humano. Isso não existe, isso é dantesco*! São pessoas, não falo hipocritamente. Hitler, por exemplo, é a metáfora de qualquer preconceito. Ele era doente. Não é normal espancar uma pessoa até a morte por causa de qualquer opção, por sua cor, pela roupa, sabe? Não existe adjetivo. Tem a ver com guerra, com genocídio, é anti humano. Quem sente isso tem que se tratar. Não quero espancar quem matou alguém, essa pessoa vai odiar mais ainda essa tribo que ele odeia em seu coração, em sua alma. É demoníaco. Uma pessoa que sente isso e que vai ler isso que você publicar precisa buscar ajuda, se tratar, porque não é normal. Humanamente falando, a gente não tem que ter esse tipo de sentimento. A Sílvia é como se fosse filha de um casal gay que não tem problemas com isso até se perceber gay, então quer se matar e odeia todos os gays. Ela vai contra o universo da surdez. Tenho vários amigos e amigas gays que me contam coisas horríveis da infância até hoje. Temos que rever esses conceitos, tem que ter na escola, tem que ter compaixão da gente, do outro, misericórdia! É muito difícil viver, é muito difícil ser você mesmo e você ainda vai complicar mais a vida da outra pessoa? E se essa pessoa for seu filho, seu vizinho ou seu irmão? Uma pessoa que odeia a outra por qualquer motivo não se conhece. Tenho isso intrínseco em mim, defendo de corpo e alma qualquer ser humano, somos todos um e eu acredito nisso.

*Referência ao poeta italiano Dante Alighieri (1265 – 1321) por sua descrição poética do inferno e dos sofrimentos das almas. Assombroso, medonho, de um horror diabólico.

Setor VIP: Você trabalhou anos com o Antunes Filho e deve ter muitas lembranças em relação à sua passagem pelo CPT. Pode contar um pouco sobre como era?

Arieta Corrêa: Fui protagonista do Antunes, mas o que se leva do mestre do CPT é o auto conhecimento. Sem isso você jamais vai enxergar o outro e sem enxergar o outro você jamais vai fazer o outro. Existe um mito do Antunes, mas ele é uma pessoa extremamente dedicada e devotada ao ator, ao exercício do teatro, como ele fala: sem o ator não existe teatro e vice versa. Ele tenta te formar como cidadão, ser humano, indivíduo. É um cara que respeito muito e que nunca vi jogar cadeira em ninguém! (risos) Ele é bravo, mas isso também sou! (risos) Todo gênio é meio louco, então ele tem a loucura dele, mas uma loucura produtiva, uma loucura sã. O que ficou para mim é que você tem que estar se perguntando, se questionando e se duvidando o tempo inteiro. Você não pode abrir mão desse processo de auto conhecimento jamais porque se não você deixa de ser um indivíduo, você começa a comprar vestidos e sapatos, começa a fazer sucesso e isso é bom, ganhar dinheiro e isso é bom, mas você se perde nisso. Tem que sempre buscar a tua humildade, singeleza, delicadeza naquilo que você faz, naquilo que você é, porque o que você é vai se refletir no palco. Se você é só vaidade, as pessoas vão ver isso em cena. Se você não é um “ser humano”, você não vai ser um ser humano em cena.

Setor VIP: É difícil controlar a vaidade?

Arieta Corrêa: Muito! Muito difícil. É super pessoal isso, mas me peguei a vida inteira em um embate para compreender que tenho valor, porque me detono muito! (risos) Lembro do Antunes falando (imita): “Vai, tá bom!” (risos) Para o Antunes falar para alguém que está bom, não é necessariamente porque ela está muito bem, mas porque ela precisa de um pouco de auto estima. (risos) Me pego nesse equilíbrio de estimular isso em mim, mas a vaidade de dentro para fora tenho que buscar, a de fora para dentro me perco um pouco. Você tem que se cuidar para não se perder no consumo de coisas, mas às vezes preciso me esquecer, tenho uma certa sensibilidade infeliz. O Jornal Nacional me machuca, sofro de levar meu filho em um bairro chique de São Paulo e ver um mendigo com um bebê pendurado, fico muito mal. Fugi do assunto vaidade, mas tem tudo a ver, a realidade me machuca tanto ainda que tento criar um mundo alienado, fico meses sem ler ou ver jornal, raramente ligo a televisão, se ligo vejo desenho com meu filho. Me faço de louca. Vou passear no shopping de sacanagem para fingir que sou aquilo por embate, porque a consciência me agride muito, tento ter um equilíbrio.

Setor VIP: E esse equilíbrio é necessário…

Arieta Corrêa: Sim!

Setor VIP: Você se cobra muito pelo visto…

Arieta Corrêa: Muito!

Setor VIP: Você se assiste?

Arieta Corrêa: Engraçado você perguntar isso. Foi minha mãe que mandou você perguntar? (risos) Faço TV esporadicamente desde “O Rei do Gado”, quando fazia a Chiquita, e nunca vejo. Estou em “A Teia” e a semana passada vi, mas é raro me programar, não é um charme, geralmente não lembro. Quando ligo a TV assisto um documentário ou um DVD, que comprei e nunca vi. Me achei tão estranha, tão diferente, com um nariz gigante, até liguei para o Fagundes e falei “que nariz é esse?” (risos) O que assisto muito é teatro filmado. Que coisa horrível! Dá vontade de abrir uma padaria. É cruel!

Setor VIP: Mas você sabe que é completamente diferente, né?

Arieta Corrêa: Espero que isso não seja uma lenda porque é muito ruim! A gente sabe quando está sendo filmado e me vejo fazendo coisas voltadas à vaidade, falando bem… Claro que você tem que falar bem o texto, mas não é isso que tenho que ver como plateia, tenho que ver um ser humano e vejo toda a canastrice que faço. (risos) É horrível!

Setor VIP: Em “O Avarento” (2006), você trabalhou com um dos maiores artistas do nosso país, Paulo Autran, e com o diretor Felipe Hirsch. Como foi a experiência?

Arieta Corrêa: Vou amar o Paulo para sempre. (imita) “Arieta, lembre-se que na vida a gente complica ou simplifica as coisas”. Sou desse jeito que você está vendo e ele me dava esse mesmo conselho sempre: simplificar as coisas. É uma pessoa que respeito e admiro para o resto da vida. Eu, ele, a Karin Rodrigues e o Germano Baía, produtor que trouxe para cá, ficamos muito próximos. A relação humana que se estabeleceu foi inesquecível, mais que o trabalho. O trabalho teve a direção do Felipe e foi muito marcante para mim porque foi o que me tirou do CPT. Lembro até hoje de entrar na sala do Antunes, começar a chorar e não conseguir falar muito “vou sair daqui, não quero morrer aqui” (risos) “e vai ser com o Paulo Autran fica feliz!” (risos) Ele ficou mudo antes de responder “tá bom” e ficamos amigos. Ele nunca me recriminou, ele entendeu. Foi uma saída bonita e uma entrada bonita em outro grupo, fui muito bem recebida por todos eles então ficamos muito próximos. Engatei outro trabalho com ele, que foi o “Não Sobre o Amor” (2008) com o Leonardo Medeiros, que foi um trabalho bonito da Daniela Thomas com o Felipe. Antes fiz uma outra peça também “Thom Pain / Lady Grey” (2007) em que substituí a Mariana Lima. A gente ficou um tempo esgotando o que tinha para fazer, Paulo foi embora, continuei com ele mas foi marcante, bonito.

Setor VIP: A saída do CPT foi a mudança mais brusca em sua carreira, foi difícil?

Arieta Corrêa: Foi muito difícil. Mas lembro de uma coisa muito especial para mim que o Paulo falou uma vez (imita): “Vai na minha casa almoçar amanhã que vou ensaiar você, parece que você está fazendo tragédia grega, isso aqui é Molière!” (risos) Porque será, né? (risos) Ele me ajudou, ele me quebrou. Ele sempre me cobrava para fazer o simples na vida e em cena, dizia “se diverte” e fazia algumas sacanagens comigo, eu interpretava a Mariana, a namoradinha dele, e em uma cena ele virava e fazia, não sei como, 400 caretas para mim. Eu dizia que não aguentaria não rir. Um dia eu e a Karin não aguentamos e fomos aplaudidas em cena aberta porque os três começaram a rir e não conseguíamos mais dar o texto. Foi muito especial para mim. Foi bem bonito.

Setor VIP: Você e o Antonio Fagundes tem vários trabalhos em comum no currículo…

Arieta Corrêa: E eu não tinha encontrado ele pessoalmente antes!

Setor VIP: Não?

Arieta Corrêa: Sério! Nós somos meio desligados e quem descobriu isso foi a filha dele. Quando nos aproximamos, em um almoço, ela disse que quase tudo que fiz na Globo ele estava, fiz “O Rei do Gado”, “Labirinto” (1998), “Insensato Coração” (2011) e nunca vi a cara dele no estúdio. A gente se conheceu porque ele foi ver “A Volta ao Lar” (2012), um dos textos que mais amo na vida, do Harold Pinter, no Sesc Anchieta com o Bruce Gomlevsky, e ele foi assistir por ser amigo do Bruce. Aí a gente ficou amigo e esse é o primeiro trabalho que a gente se vê em cena. É muito gostoso, a gente se dá muito bem. O lado emocional não deu certo mas profissional sim!

Setor VIP: Você contou que compra muitos DVDs…

Arieta Corrêa: Muitos! (risos)

Setor VIP: Que tipo de filme mais gosta?

Arieta Corrêa: Amo todos os óbvios, mas quem me conhece sabe que amo essas coisas lentas como Andrei Tarkovski (1932 – 1986) e Ingmar Bergman (1918 – 2007). Amo Woody Allen também! Tenho paixão pelo Aleksandr Sokurov! Ele tem tanto filme e é uma criança. Estive com ele aqui no Brasil, representando o Antunes que graças à Deus ficou doente (risos) e fui ao Cine Sesc encontrá-lo. Nunca fui fã de ninguém mas tremi, fiquei nervosa e me vi emocionada. Ele é um gênio, faz coisas tão diferentes como “Arca Russa” (2002), “Taurus” (2001) e “Mãe e Filho” (1997). Só “Pai e Filho” (2003) não gosto. Tenho uma coisa com o Aleksandr, fico emocionada dele estar aqui entre nós, porque ele tem uma grandeza que vem da escola como o Tarkovski, esse cinema profundo, vertical e grandioso. Como um cara faz isso? Que vida vivida ele teve? Não é possível, sabe? Ele tem um ator que gosto muito chamado Leonid Mosgovoi, que interpretou Hitler em “Moloch” (1999). É de uma humanidade, de uma profundidade, de um perdão, é de chorar. Um trabalho primoroso. Tem um também que desconhecia totalmente e fui ver, chama “A Grande Beleza” (2013), você viu? Eu amei! Tem gente que odiou. Me fez voar e me emocionou. É um respiro, arte pura, tem malícia, brincadeira e pureza. De resto gosto de Federico Fellini (1920 – 1993), Michelangelo Antonioni (1912 – 2007), Carl Theodor Dreyer (1889 – 1968), de cinema italiano, russo… Vi tanta coisa! Gosto dessas coisas chatas, não acho chato, amo! Sou bem antiga, não sou muito fã dos seriados atuais, até gostei de “Game of Thrones” (“Guerra dos Tronos”), mas não é muito a minha, sou mais antiga.

Setor VIP: Como é o seu dia a dia? O que você gosta de fazer ou onde gosta de ir?

Arieta Corrêa: Parece piada, mas em São Paulo me enfurno em cinema ao meio dia, às duas da tarde… Pareço uma velhinha! Adoro ir ao cinema, gosto de ir sozinha e não gosto muito cheio. Amo mesmo, desde novinha. Outra coisa que gosto é pão na chapa! (risos) Sou sommelier de pão na chapa! (risos) Como muito pouco, então às vezes fico um tempo sem comer, para aguentar. Moro no Higienópolis que é um bairro que só tem padaria então já viu, né? Em uma das mais simples, chamada “Boulevard”, me sento no balcão porque não tem mesinha. Tenho pequenos prazeres idiotas. No Rio de Janeiro gosto só de sair à noite. A praia e o mar são lindos, mas gosto de ver, não de ir. Tenho me hospedado na Urca, vou muito com meu filho e fico em um lugarzinho que é uma delícia. Parece o sul da França. No fim da Urca tem um restaurante que amo, chamado “Bar da Urca”. É uma delícia e está lá desde 1930. Sou muito simples com essas coisas.

Em “Tribos”, com Antônio Fagundes

Em “Tribos”, com Antônio Fagundes

“Tribos” está em cartaz no Teatro TUCA que localiza-se na Rua Monte Alegre, 1024 em Perdizes, São Paulo. Os ingressos custam de R$30,00 (meia) a R$70,00 (inteira). Acerte o seu relógio, pois o espetáculo começa rigorosamente no horário marcado: sextas e sábados às 21h30 e domingos às 18h. Entradas em Ingresso Rápido e na bilheteria do teatro. Mais informações em www.tribos2013.com. Imperdível!