Bárbara Paz: “Sempre precisei me expressar de alguma forma com o mundo”

Bárbara Paz é uma gaúcha de 39 anos. Nascida em Campo Bom, a atriz ficou nacionalmente conhecida depois de sua participação vitoriosa no programa “Casa dos Artistas” (2001), do SBT. Engana-se quem acha que Bárbara surgiu de uma hora para a outra e engana-se ainda mais quem pensa que esse foi o auge de sua carreira. Paulo Autran, Nathalia Timberg, Regina Duarte e Antonio Fagundes são apenas exemplos dos grandes artistas com quem uma das atrizes mais talentosas da nova geração trabalhou na televisão, no teatro e no cinema.

De personalidade forte em contraponto ao sobrenome, Bárbara conversou com o Setor VIP pouco antes de encerrar sua elogiada peça “Vênus em Visom”, dirigida por seu ex-marido Hector Babenco. Atenciosa, a artista falou sobre suas experiências profissionais, viagem, beleza e muito mais. Acompanhe essa entrevista exclusiva e deliciosa conosco.

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Setor VIP: “Vênus em Visom” mostra uma peça dentro de outra peça. Dois trabalhos de atuação completamente diferentes, ao mesmo tempo. Você teve alguma preocupação antes de topar fazer o papel? Há alguma preparação especial para um desafio como esse?

Bárbara Paz: Na verdade, eu fui atrás do papel. Estava interessada em comprar os direitos do espetáculo e uma produtora já havia comprado e estava produzindo-a. Haviam me falado muito desse papel, que tinha a ver comigo e com o meu estilo de interpretação. Mais de três pessoas conhecidas viram o espetáculo na Broadway e me falaram isso, então fui atrás. Quando li o texto, vi que seria um grande desafio como atriz. Primeiro porque era comédia e fazia muito tempo que eu não fazia esse gênero, segundo porque resgatava o circo em mim e terceiro por ter uma mistura com o drama. É sempre bom misturar os dois, que são opostos, e eu tenho isso muito claro em mim.

Setor VIP: Pierre Baiteli foi substituído pelo ator André Garolli. Como atriz, sente como se fosse uma peça nova quando troca de parceiro ou para você esse tipo de mudança é natural?

Bárbara Paz: Sem dúvida é uma nova peça, até porque ensaiamos de novo e tivemos algumas mudanças na direção. O teatro é um jogo, quando vem uma nova respiração cria-se uma nova montagem com certeza. São duas peças diferentes.

Setor VIP: Em “Vênus em Visom” você interpreta uma atriz que se mostra, de início, atrapalhada e, de certa forma, deslumbrada, mas que acaba provando o seu talento. Você foi muito criticada durante sua carreira e hoje a qualidade do seu trabalho é indiscutível. Você se identifica com a Wanda nesse sentido?

Bárbara Paz: Não há outra forma, sempre seremos testados o tempo todo. Não tem jeito. Agora, deslumbramento eu nunca tive. Isso é fato. Crítica faz parte da nossa carreira. Acredito que a crítica tem que ser construtiva e não destrutiva. Se você levar a seu favor, tem como melhorar. Nem sempre as críticas estão certas. Essa peça em si relata muito a nossa carreira, como é difícil se fazer notar, com credibilidade. Às vezes, somos julgados antes de mostrar qualquer coisa, fazer uma leitura, por nossa aparência e nem sempre temos a chance de mostrar o nosso trabalho. O espetáculo fala disso também, mas trata de outras questões como o embate entre homem e mulher, entre outras coisas.

Setor VIP: Quais os pontos principais que fizeram você embarcar em “Vênus em Visom”? Você se preocupa com a mensagem que seus trabalhos passam para o público?

Bárbara Paz: Se você está numa fase da sua carreira em que você pode escolher os seus papéis, ou melhor, selecionar o que você quer falar nessa época da sua carreira, nesse momento da sua vida, eu acho que é um ponto positivo. Tem momentos na nossa carreira que a gente não tem muita escolha. Os trabalhos vêm, a gente tem que pegar. É um crescimento. Eu tenho mais de 20 peças no currículo, eu sei o que quero fazer e o que quero falar. Agora, por exemplo, comecei os estudos do meu próximo espetáculo, que é “Gata em Teto de Zinco Quente”, do Tenesse Williams, que devo estrear no fim do ano ou começo do ano que vem. Escolhi esse texto. Na verdade, eu queria fazer essa peça há 15 anos, mas não tinha idade. Hoje, vou fazer a Meg porque escolhi. Chegou o momento. Sim, eu já posso escolher os meus papéis.

Setor VIP: O que chama mais a sua atenção em um trabalho? O que você pensa antes de bater o martelo e decidir fazê-lo?

Bárbara Paz: Primeiro, se me interessa aquele texto no teatro, na televisão, porque em qualquer veículo tem que ter a ver comigo, se aquilo bate forte dentro de mim. Sou muito intuitiva também. Às vezes, você nem lê e sabe que aquilo é para você. A Edith, por exemplo, de “Amor à Vida”, eu li a sinopse e vi que era muito bom, tinha para onde caminhar. Acho que para bater o martelo, para mim, é a intuição.

Setor VIP: Em “Vênus em Visom”, assim como em “Hell”, você divide o palco com apenas um colega de cena. Em espetáculos como “A Importância de Ser Fiel”, “Os Sete Gatinhos” e “A Babá”, o elenco contava com mais atores. É mais difícil ou mais fácil atuar ao lado somente de uma pessoa?

Bárbara Paz: É indiferente. Depende do texto. Já fiz monólogo também, em “Retratos Falantes” eu estava sozinha no palco. Teatro nunca é feito sozinho, mesmo num monólogo você não está sozinho. É um jogo. Tendo uma segunda pessoa já começa a crescer. Quando tem outros atores maiores é muito irrelevante, é engraçado porque não vejo diferença. Se há mais texto ou menos texto ou maior ou menor. Você torna o personagem grande. Casualmente, em “Hell” e “Vênus em Visom” são dois atores. A próxima peça vão ser 12 atores. Para mim a dificuldade e o prazer são os mesmos.

Setor VIP: Você sempre quis ser atriz?

Bárbara Paz: Sempre precisei me expressar de alguma forma com o mundo. Através das palavras, tintas ou dança.

Setor VIP: E o que você acha que foi essencial e te deu a força necessária para seguir em frente com sua carreira e tornar-se bem-sucedida?

Bárbara Paz: Foco, persistência e devoção ao meu ofício.

Setor VIP: Você trabalhou com grandes artistas como Paulo Autran, Bibi Ferreira e Antônio Fagundes. Como foi trabalhar com esses três grandes nomes? Alguma lembrança boa da convivência com eles?

Bárbara Paz: É uma dádiva ter passado na mão dessas pessoas tão cedo. Paulo Autran me dirigiu na minha casa! Foi muito engraçado essa direção porque foi uma substituição. A gente não tinha teatro para ensaiar e ensaiamos em casa. Paulo já estava bem debilitado e ao mesmo tempo era uma pessoa muito engraçada, tinha um humor muito peculiar. A Bibi é uma diva, uma moça com seus noventa e poucos anos. Uma adolescente no seu jeito de falar. Sempre está pensando na próxima peça, num próximo show. Ela, assim como Nathalia Timberg, me ensinaram a ter respeito pelo teatro. E Fafá, o Fagundes, é uma enciclopédia em pessoa. Sempre leva um livro para alguém. Ele “alimenta” os atores todos os dias com algo. A palavra e a leitura estão muito distantes das pessoas, cada dia mais. Ele faz a gente não esquecer disso nunca.

Setor VIP: Com quem você tem vontade de dividir o palco e ainda não teve a oportunidade?

Bárbara Paz: Tantas e tantas pessoas. Falar uma seria injusto. Ainda tenho uma trajetória longa para dividir o palco com pessoas que tenho admiração e respeito.

Setor VIP: Se você pudesse conversar com um ator, atriz, diretor ou diretora que não seja brasileiro e/ou que não esteja mais vivo, com quem conversaria?

Bárbara Paz: [Ingmar] Bergmam seria uma pessoa que eu gostaria muito de falar, mais escutar do que falar. Ficaria uma noite ouvindo-o. Ou até mesmo ficaria em silêncio. Ou simplesmente o olharia e o deixaria me olhar… Dos que estão vivos, Pedro Almodóvar. Perguntaria para ele porque o mundo das mulheres o fascina tanto e como ele consegue retratá-lo com tanta loucura e sensatez.

Setor VIP: Vamos imaginar que você pudesse voltar no tempo e escolher um trabalho qualquer, para interpretar um papel que sempre quis. Qual seria?

Bárbara Paz: Tantos! Papéis que você vê na televisão, no cinema, no teatro. No teatro sempre há tempo. A não ser que você passou da idade para fazer o papel. No teatro não tenho vontade de voltar no tempo. Acho que as coisas que eu fiz, já fiz e o que ainda posso fazer irei fazer. No cinema tem tantos! Em todos os filmes do Almodóvar tem algum papel que eu gostaria de ter feito. Eu queria muito ter feito “Anticristo”, do Lars von Trier. Amo aquele papel feminino. Na TV, quem não gostaria de ter participado de “Vale Tudo” em qualquer personagem? “A Casa das Sete Mulheres” eu queria muito ter feito. Como eu sou gaúcha, eu queria muito ter feito. Mas são tantos que agora me foge.

Setor VIP: O que você faz nas horas vagas? Você gosta de cinema? Quais são seus filmes, atores, gêneros e diretores favoritos?

Bárbara Paz: Nas horas vagas eu vou ao cinema. Sou cinéfila. Vejo tudo que está em cartaz. Gosto de filme americano, mas prefiro os europeus e asiáticos. Adoro Woody Allen, Almodóvar, Alejandro González Iñárritu… Amei “Ela”, com Joaquim Phoenix, “Ninfomaníaca”, “Nebraska”, “O Lobo de Wall Street”. Amo o cinema brasileiro. O cinema pernambucano me interessa muito. Amo Recife e adoro o que vem de lá. “Árido Movie”, “Febre do Rato”, “Cinema, Aspirinas e Urubus”, “O Céu de Suely”. São boas referências.

Setor VIP: E literatura, você está lendo alguma coisa?

Bárbara Paz: Estou lendo “Apenas Um Sonho”, que deu origem a um filme com a Kate Wislet. É maravilhoso, lindo. Uma história que mostra o que um homem pode fazer com uma mulher. Estou adorando.

Setor VIP: O que você gosta de ouvir? Tem algum artista favorito?

Bárbara Paz: Gosto muito de música francesa. Amo as cantoras francesas como Camille. Gosto muito de jazz, música clássica, Mozart, Beethoven… Adoro rock, Radiohead, música brasileira, Junior Barreto, Lenine, Zeca Baleiro, Vanessa da Mata, Caetano Veloso… Mas vou mais para o lado melancólico da música. Depende do meu humor, da hora, do dia.

Setor VIP: Você é uma mulher lindíssima e tem uma forma física invejável. Você se cuida muito? O que costuma fazer para manter-se bem e saudável?

Bárbara Paz: Obrigada, mas não me acho assim, lindíssima (sorri). Digamos, interessante. Cuido da minha alimentação, do corpo e da alma.

Setor VIP: Você gosta de viajar?

Bárbara Paz: Amo!

Setor VIP: Quais os lugares mais bacanas que você conheceu?

Bárbara Paz: Adorei o Japão, Peru, Paris, Londres e Bahia.