Biografia perde chance de mostrar outra face de Luan Santana

Luan-Santana-A-Biografia

Escrita pelo mineiro Ricardo Marques, “Luan Santana – A Biografia” chega às livrarias de todo o Brasil pela Editora Record. Há quem se espante ao se deparar com a história do jovem cantor nas prateleiras, mas a verdade é que, apesar do pouco tempo de carreira, Luan trabalhou muito para se tornar um dos mais bem-sucedidos artistas da atualidade. Por ser uma figura constante nos principais programas de televisão do país, é difícil imaginar que novidades uma biografia traria ao público e, principalmente, aos fãs. Não há. O registro da história de Luan Santana serve para guardar de recordação ou para relembrar histórias contadas à exaustão pelo próprio artista em centenas de aparições.

Com capítulos curtos e escrito de forma didática, o livro parece ter sido criado para agradar apenas aos jovens fãs do cantor, que hoje possui uma infinidade de admiradores adultos. Prova disso, são as inúmeras apresentações em bares e casas noturnas que Luan faz pelo Brasil, onde menores de idade não entram e os ingressos não sobram. Algumas histórias sobre o relacionamento de seus pais, Marizete e Amarildo, uma ou outra frase dita por Luan para recordar algum momento marcante e as reproduções de documentos do artista são os grandes destaques da biografia. No centro da publicação, a ficha do controle da maternidade, a marca dos pezinhos, a certidão de nascimento e algumas fotos da infância e da adolescência do astro tornam-se a grande surpresa do livro.

Os registros da fase adulta, no entanto, decepcionam. São apenas seis imagens – de extremo mau gosto – que, além de não demonstrarem o real alcance de seu sucesso, não seguem uma ordem cronológica. A única história inédita é contada no capítulo – de apenas duas páginas – “Sequestro”, quando o autor relata de forma não muito convincente e sem muitos detalhes, os planos de empresários sequestrarem o artista no backstage de uma apresentação.

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“O sócio famoso”, “O meteoro decola”, “Popularidade em alta”, “Estilo e gosto”, “Duetos e casa nova” não são apenas títulos ruins. Ao lado do apêndice – com a dispensável lista de músicas da discografia do cantor -, os capítulos tornam-se descartáveis por não apresentarem nada novo ou relevante. Porém, nenhum conteúdo se compara ao equivocado segmento “As luanetes”, termo utilizado para denominar as fãs do sexo feminino de Luan Santana. Apesar da tentativa de salvar o capítulo com a frase “Luan tem muitos fãs do sexo masculino, mas as meninas predominam”, Marques mostra-se insensato e incoerente.

Não há motivos para destacar como relevantes a adoração, os presentes e as cartas apenas do público feminino, por maior que seja o volume. Por mais que Luan seja um cantor heterossexual, não há diferença – ou ao menos não deveria – no carinho de um homem ou uma mulher, sejam héteros ou homossexuais, crianças ou adultos. Há milhares de cadastros na Central de Fãs e centenas de participações masculinas no sorteio ao camarim de Luan a cada show. Existem, inclusive, fã-clubes fundados por meninos. O autor cita o cuidado que os funcionários da LS Music – empresa que administra a carreira do cantor – têm com as meninas que, “além das visitas ao camarim, ganham CDs e DVDs autografados, revistas, bonés, kits de produto e até pacotes completos que dão direito a ir a um show, com tudo pago”, como se os meninos não pudessem ter seu carinho reconhecido basicamente por serem homens. Quando Ricardo cita que Luan é assíduo em suas redes sociais, afirma que o artista costuma chamar suas fãs de “meus amores”, excluindo os admiradores do sexo masculino, como se a linguagem carinhosa não fosse permitida para ambos os sexos e, sobretudo, determinando que Luan dirige-se de forma gentil apenas para suas fãs. No único trecho em que o autor se refere aos fãs sem designar o sexo, Marques destaca a importância dos pedidos da música do artista nas rádios, como se, para o sucesso do cantor, os meninos fossem necessários, mas para a retribuição de seu carinho, não.

Em outra passagem, Marques conta a história de quando Luan ganhou o primeiro violão, pouco antes de seu aniversário de três anos. O autor compara o instrumento a uma bola de futebol, presente comum para meninos dessa idade. No contraponto, Ricardo menospreza o esporte, afirmando que a música é essencial na formação de uma criança e o esporte não. Em uma rápida pesquisa e tomando como base apenas um dos grandes destaques do esporte mundial, o profissional descobriria que, por causa de uma bola, o jogador Neymar sustenta dezenas de famílias carentes através do Instituto Projeto Neymar Jr., com atividades ministradas no complexo construído pelo esportista na Praia Grande, com o intuito de promover não só atividades físicas, mas educacionais e culturais, contribuindo na formação das famílias e com o intuito de se tornar uma instituição referência no seguimento de esporte-educação no mundo.

A história de Luan Santana é admirável e seu talento indiscutível. Não há a menor dúvida que o cantor crescerá cada vez mais nos próximos anos. No futuro, quando houver muitos outros capítulos a serem adicionados em sua trajetória, a torcida será por uma biografia que descreva seu sucesso de maneira merecida.

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