Broadway se despede do emocionante “Les Misérables”

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(Foto: Matthew Murphy)

Em 1980, a primeira versão musical de “Les Misérables” (“Os Miseráveis”, no Brasil) estreou em Paris. Cinco anos depois, a versão em inglês produzida por Cameron Mackintosh – e que se tornou famosa mundialmente – estreava em Londres. Há mais de 30 anos em cartaz, o espetáculo musical baseado no romance do escritor francês Victor Hugo foi visto por mais de 70 milhões de pessoas em quase 50 países. Canções como “Bring Him Home”, “On My Own” e “I Dreamed a Dream” se tornaram grandes sucessos e foram regravadas por centenas de artistas como Aretha Franklin e Barbra Streisand, enquanto “One Day More” se transformou em um hino e é considerada uma das cenas mais emocionantes da história do teatro musical. Durante as comemorações dos 25 anos de “Les Misérables”, Londres chegou a ter três companhias em cartaz com a peça ao mesmo tempo, tamanha a procura por ingressos e a importância do espetáculo.

O romance possui mais de 80 adaptações para a televisão e para o cinema. O longa metragem dirigido por Tom Hooper em 2012, com Hugh Jackman, Anne Hathaway e Russel Crowe nos papéis principais, foi o grande responsável por aumentar a popularidade e apresentar o gênero para o público que pouco se interessava por musicais. “Les Misérables” rendeu quase US$ 400 milhões, recebeu oito indicações ao Oscar e venceu três. O espetáculo teatral possui quase 80 dos mais importantes prêmios do planeta, incluindo o Tony de Melhor Musical. Tanto para o filme, como para a peça teatral, crítica e público são unânimes: nunca houve na história um show forte, comovente e marcante como “Les Misérables”.

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(Foto: Matthew Murphy)

Em cartaz em sete cidades – sem contar as turnês pelo mundo -, “Les Misérables” apresenta suas últimas sessões na Broadway, em Nova York. O encerramento definitivo está marcado para o dia 04 de setembro. Com a saída de Alfie Boe (o astro integra o elenco de “Finding Neverland”), a responsabilidade de interpretar o protagonista Jean Valjean será do experiente John Owen-Jones. A baixa de Boe, apesar de seu talento indiscutível, não é exatamente uma perda para o elenco. São mais de 50 artistas, sem contar os substitutos e a orquestra com mais de 20 músicos. O Setor VIP conferiu com exclusividade a despedida de Alfie do elenco. O ator foi aplaudido com veemência e por vários minutos em praticamente todos os números musicais do espetáculo que fez parte. Das 50 cenas, Jean Valjean faz parte de 25. A interpretação de Boe para “Bring Him Home” é o ápice do espetáculo.

Brennyn Lark interpreta a ciumenta Éponine. Espetacular cantora, Lark é a responsável pela interpretação do clássico “On My Own”. Chris McCarrell (Marius) e Alex Finke (Cosette) transpiram paixão e conquistam a torcida do público pela força e sensibilidade que o casal demonstra em cena. Destaque para a bela “A Heart Full of Love”. A prova de que não existe papel sem importância é a existência dos vilões-cômicos Thénardier e Madame Thénardier. Gavin Lee (o Bert do musical “Mary Poppins”) e Rachel Izen dedicam-se a fazer o melhor que podem e o melhor dos artistas é muito. A plateia cogita torcer pelos carismáticos bandidos em praticamente todas as cenas que aparecem. Alison Luff (Fantine) arranca lágrimas em seus números carregados de carga dramática. A cantora é a voz de “I Dreamed a Dream” e cumpre a tarefa de maneira magnífica.

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(Foto: Matthew Murphy)

Dirigido por Laurence Connor e James Powell, ambos responsáveis por montagens anteriores de “Les Misérables”, o espetáculo da Broadway conta com o impecável figurino de Andreane Neofitou (de “Grease”, “Peter Pan” e “Miss Saigon”) e Christine Rowland (de “Oliver!”, “My Fair Lady” e “Mary Poppins”) e com o sensacional cenário assinado por Matt Kinley (de, entre outros, o espetacular “Mary Poppins”). Kinley conseguiu transformar a perfeição da ideia original em algo ainda maior. Na cena em que Jean Valjean arrasta Marius pelos bueiros na tentativa de salvar sua vida, a projeção responsável pelos corredores com profundidades, tamanhos e direções diferentes, é tão real que os espectadores acreditam poder tocá-la. Parte da mágica é possível pela exatidão da iluminação de Paule Constable (premiada com o Tony de Melhor Design de Luz por “War Horse”).

Apesar dos destaques, o elenco possui uma sintonia jamais vista e todos os profissionais envolvidos merecem os louros que colhem durante a temporada. “Les Misérables” é um espetáculo à parte. Nenhuma das produções em cartaz em Nova York se compara ao histórico musical. É impossível não se emocionar e um pecado perder.

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(Foto: Matthew Murphy)

“Les Misérables” está em cartaz no Imperial Theatre (249 West 45th Street, entre a Broadway e a 8th St.), em Nova York. Terças, quartas e quintas às 19h; sextas às 20h, sábados às 14h e às 20h, domingos às 13h30 e às 19h30. Não há espetáculo às segundas-feiras. Os ingressos custam a partir de US$37. Promoções, ingressos de estudante e assentos premium podem ser consultados no site oficial do musical. O show tem duração de 2 horas e 55 minutos, incluindo um intervalo de 15 minutos. Até dia 04 de setembro. Imperdível!

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