Canções de Chitãozinho e Xororó sustentam musical “Nuvem de Lágrimas”

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A poucos dias da estreia, “Nuvem de Lágrimas, O Musical” recebeu convidados e imprensa para a primeira apresentação oficial do projeto brasileiro. No Teatro Bradesco, em São Paulo, uma infinidade de artistas – principalmente sertanejos – foram conferir e apoiar a homenagem à dupla Chitãozinho e Xororó. Os irmãos, claro, estiveram presentes.

São raros os momentos que fazem a ida ao teatro valer a pena.

Escrita por Anna Toledo, a livre adaptação baseada na obra “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, não funciona. A história tornou-se longa e o musical lento. Criadora do bonito “Vingança” (2013), que usava o universo do compositor Lupicínio Rodrigues (1914-1974) para contar histórias de amores e traições, Anna dá tiros certeiros em uma ou outra cena (como a inserção da música “Alô”, por exemplo, que cai como uma luva no espetáculo e faz o público se apaixonar, por poucos instantes, pelo casal Jane e Carlinhos). As ocasionais piadas que funcionam (de inteligência rara e humor sofisticado), deixam a impressão de que o resto do texto foi escrito às pressas.

Com direção cênica de Luciano Andrey e coreográfica de Tânia Nardini, o elenco de 23 atores, cantores e bailarinos não consegue entreter a imensa plateia. Divididos em núcleos, os artistas conquistam o ambiente apenas no final, quando todos estão no palco ao mesmo tempo. Com o cenário modesto de Paulo Corrêa, sobra espaço para as coreografias, que de tão pequenas, são quase imperceptíveis. Algumas das ideias mais criativas não funcionam pela inexperiência do elenco. Em determinada cena, há um foco de luz para cada um dos personagens principais e foram raros os artistas que estavam no lugar correto. Durante o clássico “Página de Amigos”, o coro entorta levemente as mesas do bar para que os personagens percebam que beberam demais. Uma canção linda e uma ideia original que não dá certo. As mesas são colocadas à uma distância diferente umas das outras e a tentativa de deixá-las igualmente emparelhadas é óbvia. Em duas ou três cenas, um rádio toca canções enquanto os personagens viajam em seus pensamentos. Em um musical onde a lentidão precisa ser controlada, não há como entender porque é que qualquer pessoa do elenco não cantou a canção no palco, em frente ao público, ao invés da utilização da saída mais fácil.

No elenco destacam-se apenas Lucy Alves (Bete Borba) – ex-participante do programa “The Voice Brasil” – por sua afinação, o casal fictício Sérgio Dalcin (Carlinhos Jardim) e Adriana Del Claro (Jane Borba) pela naturalidade e afinidade em cena e Letícia Maneira Zappulla (Lídia Borba) por uma ou outra piada viável. Gabriel Sater (Darcy), Rosana Penna (Dona Juci) e Zé Henrique de Paula (Zé Borba) são responsáveis pelas cenas mais arrastadas do musical.

O grande trunfo do espetáculo é contar com as tradicionais canções de Chitãozinho e Xororó, que permeiam o imaginário brasileiro há quase 50 anos. “Evidências”, “Fio de Cabelo”, “No Rancho Fundo”, “Galopeira”, “Sinônimos”, “Se Deus Me Ouvisse”, “Nascemos Pra Cantar”, “Brincar de Ser Feliz”, “Fogão de Lenha”, “Bailão de Peão”, “60 Dias Apaixonado” e, claro, “Nuvem de Lágrimas” são algumas das músicas presentes no espetáculo.

Em resumo, “Nuvem de Lágrimas, O Musical” é um passo arriscado e corajoso, porém precipitado. A peça estreia no dia 05 de novembro e tem sessões às quintas (21h), sextas (21h30), sábados (17h e 21h) e domingos (19h). As entradas custam de R$25,00 (meia) a R$190,00 (inteira) e podem ser compradas no Ingresso Rápido. As músicas cantadas por Chitãozinho e Xororó podem ser ouvidas durante a turnê “Pura Emoção”. Caso prefira os originais, a agenda da dupla pode ser encontrada no site oficial dos irmãos.