Casadas, lésbicas, viúvas… todas se divertem em “Os Monólogos da Vagina”

“Os Monólogos da Vagina” comemora 16 anos em cartaz com uma curta temporada no Teatro Gazeta, em São Paulo. Trazida ao Brasil por Cássio Reis e com tradução e direção assinadas por Miguel Falabella, a peça foi escrita pela norte americana Eve Ensler. A jornalista se baseou em histórias e pesquisas reais para compilar as curiosidades sobre o órgão genital feminino. Zezé Polessa, Cláudia Rodrigues, Totia Meirelles, Cissa Guimarães e Fafy Siqueira foram algumas das atrizes que interpretaram as diversas mulheres do espetáculo, protagonizado atualmente por Adriana Lessa, Cacau Melo e Maximiliana Reis.

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(Foto: Divulgação)

“Vocês devem estar preocupados com o que vão ver e ouvir”, diz uma delas no prólogo do espetáculo, antes do trio revelar alguns dos quase 50 apelidos que a vagina tem pelo Brasil. Perseguida, lacraia, pombinha, trem, buraco do leite quente, aranha, giranha, xoxota, xavasca, barata, dita cuja, gruta, grota, banguela, perereca, apertadinha, pipoca, pastel de pelo, negócio, maritaca e manteigueira arrancam risos do público e preparam o clima descontraído que predominará pelas quase duas horas de espetáculo.

Mais de 90 peças fazem parte do extenso figurino. São perucas, vestidos, sapatos e acessórios que podem ser apreciados em 12 cenas. Ou lições, como se referem as protagonistas às esquetes. De todas, apenas duas ou três não se apoiam no humor. Uma delas destaca a repressão sexual de uma mulher, resultado de uma piada sofrida quando pré-adolescente; outra comprova com números reais* a quantidade de mulheres que sofrem assédio ou abuso sexual; a última – literalmente o final do espetáculo – é a única história que troca a comédia pela emoção, ao invés do drama. O número fala sobre dar à luz.

*A peça “The Vagina Monologues” estreou em Nova York em 1996. Os números utilizado são referências às pesquisas feitas pela autora na época.

Em um primeiro momento, a mistura de atrizes tão diferentes causa estranheza. Lessa há anos é conhecida do público por seu trabalha na televisão, enquanto Maximiliana é reconhecida apenas por sua desenvoltura nos palcos e Cacau luta para conquistar seu espaço. O trio está hilário e interpreta dezenas de mulheres de maneira leve e convincente, levando o público às gargalhadas diversas vezes. O texto – inteligente e muito bem escrito – atinge homens e mulheres, independente da idade e da opção sexual. Difícil não se identificar ou ao menos se imaginar em alguma das situações. Tamanha identificação tornou a peça extremamente popular pelo mundo. Em 2001, houve uma apresentação especial no Madison Square Garden, em Nova York, com Whoopi Goldberg.

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(Foto: Divulgação)

“Os Monólogos da Vagina” está em cartaz no Teatro Gazeta (Av. Paulista, 900 – Jd. Paulista) às sextas (21h), sábados (21h) e domingos (20h). Os ingressos custam de R$30 a R$70 e podem ser encontrados no Compre Ingressos. A peça é indicada para maiores de 12 anos. Até 26 de junho.