Cirque du Soleil “KÀ”: sonho de 165 milhões de dólares completa 10 anos

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A transformação de irmãos gêmeos em um homem e em uma mulher, em meio à batalha de sobrevivência, pode separá-los ou uni-los ainda mais. Os conflitos da evolução humana, a dualidade das personalidades e as questões do coração não esperam o combate ao inimigo para manifestar-se. Em “KÀ”, além de combaterem os adversários, os irmãos tem que se preocupar com sua família, com seus amigos e com o que é certo ou errado, sem renegar seus destinos. Não há na história dos shows de entretenimento algo parecido ou que chegue perto. Desafiando a gravidade, muitas vezes sem nenhum tipo de suporte visível, mais de 300 artistas – 80 deles no palco – dão vida a um dos espetáculos mais inovadores e emocionantes de todos os tempos.

Qual o valor de um sonho? Para tornar o impossível realidade, a equipe do Cirque du Soleil gastou 165 milhões de dólares para que o espetáculo “KÀ” se tornasse o que é atualmente. 165 milhões de dólares, ou seja, mais de 500 milhões de reais. Se há alguma forma de um show desse valor não alcançar o desempenho desejado, o público jamais saberá. Para assistir ao espetáculo residente no hotel MGM Grand, em Las Vegas, é necessário paciência. Dos oito shows exclusivos da cidade, “KÀ” compara-se em procura apenas com “O”. Os ingressos esgotam-se com meses de antecedência para todas as sessões. Não importa se é segunda-feira ou sábado, se são 19h ou 21h30. A dificuldade é a mesma. E anote o conselho: vale cada centavo!

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O teatro possui 1.950 lugares. A estrutura de ferro que envolve a plateia (e impressiona de cara quem entra no espaço!) tem a intenção de imitar uma catedral, sem deixar de lado a moderna estilização característica das criações da companhia canadense. Enquanto o público dirige-se aos seus assentos, explosões acontecem ininterruptamente onde deveria estar o tablado. O fogo está ali para não haver dúvidas de que não há absolutamente nada além de um grande vazio. O espetáculo se inicia quando o elenco surge em cima de uma plataforma móvel, que sobrevoa o imenso vazio. Com 15 metros de largura, 7 metros de profundidade e 2 metros de espessura, a Sand Cliff Deck, como é chamada, pesa 50 toneladas, tem uma rotatividade de 360° em todos os sentidos e eleva o elenco para mais de 30 metros do chão. Além disso, a base da plataforma é formada por uma tela sensível ao toque, criando cenas espetaculares. Em determinado momento, a Sand Cliff Deck recebe 10m³ de areia importada de Portugal para que a cena lembre, com a maior veracidade possível, uma praia. Pela brilhante inovação, a plataforma virou, inclusive, documentário do canal National Geographic!

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Uma segunda plataforma chamada Tatami Deck, pesando 34 mil quilos e medindo 10 metros de largura e 10 metros de profundidade, serve de apoio para os objetos cênicos e de passarela para o elenco chegar à Sand Cliff Deck quando a mesma já se encontra em cena. Ambas dançam conforme a música e podem girar, virar e trocar de lugar dependendo da necessidade do espetáculo. Algo muito próximo a um sonho. A sala e o palco foram criados pelo arquiteto britânico Mark Fisher (1947 – 2013) responsável por grandes cenografias na história da música como a impecável “The Wall”, de Pink Floyd (1980), a grandiosa “360°”, de U2 (2000), o castelo da “Born This Way Ball Tour”, de Lady Gaga (2012), e a espetacular “MDNA Tour”, de Madonna (2012).

Tamanha estrutura trouxe ao Cirque du Soleil dezenas dos mais importantes prêmios do mundo, mas também a maior tragédia. No dia 29 de junho de 2013, durante a cena da batalha final, a artista francesa Sarah “Sasoun” Guyard-Guillot despencou da plataforma que estava em sua altura máxima. O espetáculo foi imediatamente interrompido, mas a acrobata faleceu a caminho do hospital. “KÀ” ficou suspenso por tempo indeterminado e retornou quase um mês depois com o número final modificado. A companhia e o hotel MGM Grand foram condenados inicialmente a pagar uma multa de 32 mil dólares por nove infrações. Ao recorrer a sentença, apenas uma foi apontada como devida. O Cirque du Soleil é considerado uma das companhias mais seguras do mundo. Para que os números sejam aprovados em seus espetáculos, os artistas chegam a treinar diariamente durante dois anos. Em mais de 30 anos de existência, apenas outros dois pequenos acidentes foram registrados, em “Michael Jackson: One” e em “Zumanity”, ambos em Las Vegas.

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Para que o som chegue perfeito à plateia, mais de 5 mil caixas de som estão posicionadas estrategicamente no teatro de “KÀ”. 3.900 delas estão no público. Cada assento possui duas saídas na altura dos ouvidos para que a experiência seja completa e nada passe despercebido. São 16 músicas divididas em 14 cenas. Compostas por René Dupéré (o mesmo compositor de “Mystère” e “Alegría”), as produções contaram com 50 cantores e uma orquestra de quase 60 componentes. A mistura de nacionalidades, tradicional nas criações do Cirque du Soleil, não ficaram de fora do espetáculo “KÀ”: os figurinos criados por Marie-Chantale Vaillancourt tem inspiração japonesa, chinesa, indiana e africana e as coreografias de Jacques Heim são uma mistura de artes marciais asiáticas com a capoeira brasileira.

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Entre os números mais bonitos estão “The Storm”, no qual o elenco comanda sem cabos a movimentação de um barco em uma tempestade; “The Deep”, quando a personagem Nursemaid se afoga e a Irmã Gêmea mergulha para resgatá-la, bolhas de ar são criadas através de sensores infravermelhos baseadas na movimentação dos artistas; “The Climb”, na escalada de um penhasco os personagens são atacados por uma tribo e, com a tela quase na vertical, se utilizam das flechas para chegarem ao topo; “The Flight”, quando o elenco transforma uma cabana em um pássaro e sobrevoa o público; e “The Battle Begins”, com a tela na vertical, os acrobatas desafiam a gravidade em uma luta entre o bem e o mal.

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“KÀ” acaba de completar 10 anos em cartaz, mas a batalha está apenas começando e não tem data para terminar. Para informações sobre dias e horários das apresentações e compra de ingressos individuais ou em grupo, acesse o site oficial do espetáculo. “KÀ” é a prova concreta de que um sonho pode sim tornar-se realidade. Imperdível!

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