Com atuação brilhante, Vladimir Brichta estrela “Bingo: O Rei das Manhãs”

(Foto: Divulgação)

Em meados dos anos 80, Augusto Mendes chega à TVP para tentar um papel na próxima novela da emissora. Enquanto aguarda, percebe uma movimentação de atores em outro estúdio. Ao questionar um dos produtores, descobre que estão sendo feitos testes para apresentador de um programa infantil. Para provocar os gringos que humilham os participantes, o ator solta uma série de piadas sarcásticas, levando os profissionais do estúdio às gargalhadas. Sem entender uma palavra, o diretor americano contrata Augusto Mendes como o palhaço Bingo.

Augusto Mendes é Arlindo Barreto, TVP é TVS e Bingo é Bozo.

Em razão dos direitos autorais e para que os roteiristas do longa-metragem tivessem maior liberdade de criação, “Bingo: O Rei das Manhãs” modificou nomes e exagerou acontecimentos reais para encenar a biografia de Arlindo Barreto e contar algumas das histórias dos bastidores do programa “Bozo”. Criado pelo americano Alan Livingston em 1946, o personagem se tornou sucesso absoluto em mais de 40 países. No Brasil, o programa estreou na TVS em 1980, sob o comando de Wanderley Tribeck, mais conhecido como Wandeko Pipoka.

(Foto: Divulgação)

Arlindo Barreto assumiu o papel de Bozo quando a emissora de Silvio Santos se chamava SBT e, ao contrário do que sugere o filme, não foi o primeiro intérprete do palhaço. Todas as adaptações servem apenas para ilustrar o sucesso e o declínio do artista que vestiu a popular fantasia entre 1982 e 1987, período em que o programa alcançou primeiro lugar de audiência, superando – em momentos específicos – o estrondoso êxito conquistado pelo “Xou da Xuxa”, da Rede Globo. Com autorização e acompanhada por Barreto, a história é assinada por Luiz Bolognesi, roteirista de obras como “Bicho de Sete Cabeças” (2001), “Chega de Saudade” (2007) e “Elis” (2016).

“Bingo: O Rei das Manhãs” marca a estreia na direção de Daniel Rezende. O artista ficou internacionalmente conhecido pela edição de longas-metragens como “Diários de Motocicleta” (2004), “Tropa de Elite” (2007), “Tropa de Elite 2” (2010) e “Robocop” (2014). Por seu trabalho em “Cidade de Deus” (2002), venceu o Bafta e concorreu ao Oscar, ambos por Melhor Montagem. Em 2018, Daniel Rezende retorna aos cinemas como diretor de “Turma da Mônica: Laços”, primeiro longa-metragem com atores interpretando os personagens criados por Mauricio de Sousa.

Bingo seria interpretado por Wagner Moura, que recusou o papel por conflito de agendas. Dado como alternativa pelo próprio ator, Vladimir Brichta assumiu o protagonista e se destaca brilhantemente como principal atrativo do filme. Leandra Leal (Lúcia, personagem baseada na produtora e ex-mulher de Barreto, Elizabeth Locatelli), Ana Lúcia Torre (Marta Mendes, inspirada na mãe do artista, a atriz e vedete Márcia de Windsor) e Tainá Müller (Angélica, uma mistura das primeiras esposas de Arlindo Barreto, Zélia Diniz e Angelina Muniz) completam o singular elenco. Única personagem com nome real, Gretchen é interpretada pela talentosa Emanuelle Araújo.

>> Selton Mello reúne elenco singular em “O Filme da Minha Vida”

>> Johnny Massaro: “Todos os trabalhos que participei foram muito especiais”

(Foto: Divulgação)

“Bingo: O Rei das Manhãs” faz parte da extensa programação da Caixa Belas Artes (Rua da Consolação, 2.423 – Consolação), em São Paulo. Os ingressos custam de R$9,00 (meia entrada às segundas-feiras, exceto feriados) a R$28,00 (inteira de quinta a domingo). Para consultar datas e horários, acesse o site oficial do espaço. Para compra de entradas via internet, acesse a bilheteria online da Caixa Belas Artes. A bilheteria física aceita apenas dinheiro e cartões de débito. Há estacionamentos 24 horas e bicicletários na região.