Com áudios no celular, David Gilmour mostra processo de criação de “Rattle That Rock”

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(Foto: Cíntia Carvalho / Setor VIP)

Depois de se apresentar em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre e entreter um público estimado em 160 mil espectadores, David Gilmour deixa uma marca definitiva na história do entretenimento brasileiro. Prestes a completar 70 anos, e com mais de 50 anos de carreira, a primeira passagem do ex-integrante do grupo Pink Floyd no país emocionou gerações que, juntas, puderam conferir a turnê do disco “Rattle That Rock” (2015), quinto álbum solo de Gilmour. As músicas do guitarrista, principalmente de quando esteve à frente da banda, passaram de pai para filho e não era difícil encontrá-los emocionados pelos estádios por onde o britânico tocou canções como “Wish You Were Here”, “Money”, “Shine On You Crazy Diamond”, “Breathe”, “Time” e “Confortably Numb”.

Ao lado da esposa, Polly Samson, o artista prestigiou o lançamento do romance “Um Ato de Bondade”, em São Paulo. David casou-se com a escritora em 1994. Além dos três filhos biológicos (Joe, Gabriel e Romany), o guitarrista adotou Charlie, fruto do primeiro casamento de Samson. Com sua primeira esposa, Ginger, Gilmour teve quatro filhos (Alice, Clare, Sara e Matthew). “Esse é nosso filho Gabriel”, apresenta bem humorado para os 150 convidados. Na ocasião, o músico contou sobre a origem de algumas canções e, ao mostrar um áudio com o processo de criação de “A Boat Lies Waiting”, é possível ouvir um bebê ao fundo. A cria já é maior de idade. “A música foi escrita há muito tempo e, por alguma razão, pareceu perfeita para esse disco”, conta.

A letra de “A Boat Lies Waiting” é uma das cinco canções escritas por Polly para “Rattle That Rock”. “Foi a primeira composição que escrevi para esse álbum. Imediatamente quando ouvi o rascunho senti a tristeza de David, mas também uma verdade muito preciosa”, conta. “Nos sentamos na praia, vimos um barco passando, ouvíamos a música no fone de ouvido e pedi para que ele me dissesse o significado daquela canção. Passaram-se 15 minutos, depois mais 20, o sol se pôs…”, brinca em relação a discrição dos sentimentos de Gilmour. “Meu trabalho é como o de um detetive. Sigo passos para adivinhar o que ele está tentando dizer. Não são palavras, você ouve o balbuciar e sente a tristeza”, explica.

Durante o desenvolvimento do álbum, David sofreu para encontrar um pianista. No disco são seis colaboradores no instrumento, incluindo o próprio músico. “Essa busca trouxe de volta o sentimento de perda da morte de Richard Wright. Ele percebeu que não perdeu só um amigo, mas seu melhor parceiro musical. Foi como se ele tivesse perdido Richard novamente. Escrevi a letra quando percebi os reais sentimentos dele”, entrega emocionada ao lado de uma versão triste, mas ainda discreta, de Gilmour. Richard faleceu em setembro de 2008, aos 65 anos.

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Ao lado de Wright e de Roger Waters, David Gilmour lançou diversos discos, incluindo os bem sucedidos “The Dark Side of the Moon” (1973) e “The Wall” (1979), ambos considerados épicos, principalmente pela moderna e criativa mistura de gêneros e elementos. Os álbuns permanecem no topo da lista dos discos mais vendidos de todos os tempos. Respectivamente alcançaram o número de 50 milhões e 30 milhões de cópias, aproximadamente. Em 1985, após a saída de Waters, David Gilmour assumiu a liderança do Pink Floyd. “Rattle That Rock” é o primeiro trabalho de Gilmour após o encerramento definitivo do grupo. O último disco, “The Endless River”, foi lançado em 2014.

Tanto “Rattle That Rock”, quanto “Um Ato de Bondade” são inspirados em “Paraíso Perdido”, obra do poeta inglês John Milton. “Não é necessário ler ‘Paraíso Perdido’, nem mesmo para entender alguma canção, é como se fosse um pano de fundo, quando você ouve ou quando você lê, você percebe”, conta David sobre o conceito de ambos os trabalhos. A faixa título do disco nasceu de uma situação inusitada. “Na França, antes de aparecer o anúncio de que seu trem vai atrasar, toca um jingle, e diferentemente de outros jingles, esse é rítmico e te pega”, conta Gilmour bem humorado. “Não tive dúvidas: peguei meu iPhone e fiquei esperando um trem atrasar novamente”, diz tocando o áudio em seu celular repetidas vezes e levando o público às gargalhadas. A música em questão é o jingle da SNCF e foi criado por Michael Boumendil. Gilmour estava na Aix-en-Provence Station.

Considerado um dos maiores e mais influentes guitarristas do mundo, David Gilmour toca mais de dez instrumentos incluindo violão, baixo, teclado, saxofone e bateria. A partir de 1996, o artista passou a fazer parte do “Rock and Roll Hall of Fame” ao lado dos companheiros do Pink Floyd. O museu localizado em Ohio, nos Estados Unidos, homenageia músicos e produtores que contribuem ou contribuíram para a evolução e a perpetuação do rock e do pop, como Madonna, Michael Jackson, Elvis Presley, The Beatles, Queen, David Bowie e The Rolling Stones.

Após um pedido da produção do músico para que as pessoas parassem de filmar e fotografar, Gilmour detalhou o trabalho ao lado de Samson. “Começou em 1993. Estava trabalhando no álbum ‘The Division Bell’, tentando escrever as letras e ficava pedindo ajuda da Polly a todo o momento. No fim, acabei intimando-a para me ajudar”, conta divertido-se. “Sou muito impaciente. Quando termino as letras ele canta na hora para vermos como ficou e, às vezes, o corrijo”, brinca antes de declarar-se ao marido. “Não há emoção que se aproxime do momento de ouvir o David cantar uma canção minha. E ele nunca dorme quando leio minhas histórias para ele”, diverte-se. “Trabalhamos muito bem juntos. Polly é brilhante e escreve muito bem. Suas letras são tão boas que quando canto pela primeira vez, sei que darão certo”, finaliza.

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(Foto: Cíntia Carvalho / Setor VIP)