Com Zélia Duncan, canções de Caetano Veloso embalam “Alegria Alegria”

(Foto: Marcos Hermes)

Desde 13 de maio, Zélia Duncan pode ser vista de quinta a domingo à frente do musical “Alegria Alegria”, em cartaz no Teatro Santander, em São Paulo. O espetáculo celebra os 50 anos da Tropicália, movimento que maquiava a arte política durante a Ditadura Militar, principalmente canções que eram compostas através de metáforas ou figuras de linguagem e espalhadas com auxílio da chocante estética para a época, que distraia a atenção dos militares.

Embora Zélia não tenha feito parte do movimento tropicalista (o que certamente atrairia mais público, vide o exemplo de Wanderléa em “60! Decada de Arromba”), a cantora é uma grata surpresa no comando de “Alegria Alegria”. Deixando de lado o talento vocal, conhecido e reconhecido pelo grande público ao menos desde 1994, quando se tornou um grande sucesso nas rádios com sua música “Catedral”, Duncan se mostra versátil ao comandar a história interpretando sua personagem com vigor e naturalidade, além de declamar textos de importantes autores brasileiros. “Alegria Alegria” não é o primeiro espetáculo teatral de Zélia Duncan, que estreou nos palcos como atriz na peça “TôTatiando”, em 2012.

Apesar do relativo curto período de tempo (o movimento teve início em 1967 e chegou ao fim em 1969), a duração do espetáculo não é suficiente para demonstrar de forma clara ou profunda a importância histórica da Tropicália. Usando canções de Caetano Veloso – um dos personagens mais emblemáticos à frente do movimento -, o diretor e roteirista Moacyr Góes torna “Alegria Alegria” uma colagem de músicas e textos, acreditando que a simples junção de boas canções tornem o musical algo realmente relevante.

(Foto: Marcos Hermes)

São 28 números – incluindo “Xote das Meninas”, que não é executado pelo elenco -, onde oito não são composições de Caetano Veloso, além de dez que fogem ao período do movimento (embora a composição de duas ou três remeta fortemente à Tropicália). Entre os números que se destacam estão “Baby” e “Objeto Não Identificado”, pela belíssima interpretação de Stephanie Serrat (“Garota de Ipanema”).

Além de Serrat e de Duncan, as vozes de Josi Lopes (“Ghost – O Musical”), Ingrid Gaigher (“Rent”), Bruno Fraga (“Wicked”) e Laura Carolinah (“Chacrinha – O Musical”) se sobressaem em um elenco afinado e delicioso de ouvir, formado também por Cadu Batanero, Daniel Caldini, João Felipe, Luana Zenun, Luiz Araujo, Marcos Lanza, Nay Fernandes, Pamella Machado, Patrick Amstalden e Talitha Pereira.

Entregue e extremamente talentoso, o grupo teve direção vocal de Thiago Gimenes e direção musical de Ary Sperling, responsável também pela banda formada pelos músicos Felipe Barros, Leandro Tenório, Marcelo Mef, Mauricio Braga, Raphael Coelho, Thiago Gimenes, Webster dos Santos e Wellington Sancho, que merece o reconhecimento pelo excelente trabalho na execução das canções de “Alegria Alegria”.

(Foto: Marcos Hermes)

A cenografia assinada por Helio Heichbauer chama atenção apenas quando parte dos bastidores fica visível ao público. Apesar de preencherem o espaço, os andaimes são pouco aproveitados e os telões não possuem definição suficiente para o nível que o espetáculo busca alcançar. O desenho de luz de Fran Barros é prejudicado pela falta de atenção do elenco ao posicionar a plataforma móvel que pertence ao cenário no lugar correto em determinados números, mas soma às peças vivas e relevantes criadas para o figurino por Fábio Namatame, com destaque para o vestido de espelhos utilizado por Josi Lopes, para os coloridos uniformes dos soldados e para o vestido de bandeira do Brasil usado por Zélia Duncan no final do espetáculo. Tudo perfeitamente dentro do contexto da Tropicália.

Mambembe de forma não proposital, os pequenos deslizes de produção combinam com a temática e não prejudicam o espetáculo de forma grave. As coreografias são assinadas por Alonso Barros.

(Foto: Marcos Hermes)

“Alegria Alegria” está em cartaz no Teatro Santander (JK Iguatemi – Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi), em São Paulo, quintas (21h), sextas (21h), sábados (18h e 21h) e domingos (19h). Não haverá sessão no domingo, 4 de junho, e haverá sessão extra na quarta-feira, 14 de junho (21h). Os ingressos custam de R$25,00 (meia) a R$250,00 (inteira) e podem ser adquiridos através do site oficial da Entretix. O espetáculo tem 90 minutos de duração (sem intervalo) e classificação livre. Até 09 de julho. Estrela1 Estrela1

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