Cyndi Lauper combate o preconceito com musical “Kinky Boots”

Cyndi Lauper completa 40 anos de carreira em 2016. Os últimos quatro foram dedicados ao musical “Kinky Boots”, que comemora aniversário em outubro. O espetáculo rendeu à compositora mais prêmios do que a cantora recebeu nos últimos anos. Foram impressionantes 13 indicações ao Tony Awards, que desbancaram o favorito “Matilda”, com 12. “Kinky Boots” ganhou seis, incluindo Melhor Musical. O espetáculo conquistou a crítica e o público e acabou levando para casa diversos outros prêmios como o Drama League, o Outer Critics Circle, o Drama Desk, o Laurence Olivier e o Grammy. Em abril, Cyndi Lauper e Harvey Fierstein (responsável pela história do musical) foram homenageados com estrelas na “Calçada da Fama”, em Hollywood, na Califórnia.

(Foto: Matthew Murphy)

(Foto: Matthew Murphy)

“Kinky Boots” (algo como botas excêntricas) conta a história de Charlie Price, que herda a fábrica de sapatos “Price & Son” após o falecimento de seu pai. A empresa – que está na família há quatro gerações – emprega dezenas de pessoas, que dependem do empenho de Charlie para não levá-la à falência e causar a demissão em massa dos trabalhadores. Em busca de uma ideia para salvar o estabelecimento, Charlie conhece Lola, uma drag queen que, durante uma conversa informal, confessa sofrer com a má qualidade dos sapatos que utiliza em suas apresentações. Charlie se une à criativa artista para desenvolver não só um novo produto, mas um novo conceito para a tradicional marca. A decisão conta com o apoio de uns e provoca a ira em outros.

“Existem tantas cenas ótimas no espetáculo, que meu momento favorito muda todos os dias”, conta o ator e cantor Andy Kelso. O intérprete do personagem Charlie Price na Broadway, conversou com exclusividade com o Setor VIP. “Hoje eu diria que a minha cena preferida é ‘Everybody Say Yeah’, porque é um número tão divertido e energético que empolga o elenco e o público”, confessa. O número utilizado para a divulgação de “Kinky Boots” é um dos motivos pelo sucesso estrondoso que o espetáculo vem alcançando não só em Nova York, mas por todos os lugares por onde passa, como Londres (Inglaterra), Toronto (Canadá) e Melbourne (Austrália). “Amo a cena do boxe com ‘In This Corner’. Acho que foi criada de forma tão criativa e é tão legal de assistir. Também adoro a música em si… é corajosa, engraçada e super rock’n’roll”, afirma.

(Foto: Matthew Murphy)

(Foto: Matthew Murphy)

O espetáculo discute o preconceito e promove a aceitação e o respeito às diferenças, com destaque à população LGBT. “O mundo mudou muito, principalmente em relação aos direitos LGBT. Houve alguns passos monumentais em direção a igualdade, mas não há dúvida de que a mensagem do show ainda é muito relevante”, pondera. “O que eu amo sobre esse espetáculo é que a mensagem mostra sua força sem ser enfadonha. Você não sente como se estivesse na plateia de uma palestra sobre discriminação ou direitos LGBT. Em vez disso, você testemunha essa história se desenrolar de uma maneira que faz com que todos esses temas sejam abordados de forma humana, especialmente para as pessoas que não conhecem ou não são cercadas por pessoas LGBT”, completa sobre a receptividade do público com o assunto tratado no espetáculo.

“Eu certamente acho que as pessoas nos dias de hoje são muito mais abertas para shows com temas LGBT, como ‘Kinky Boots’, mas a nossa história é contada de tal forma, que permite às pessoas que ainda estão desconfortáveis ​​com o assunto, se relacionar com os personagens de uma maneira que esperamos que mude sua maneira de pensar”, conclui. Questionado sobre a principal lição que tenha aprendido com “Kinky Boots”, Andy Kelso destaca a frase “you change the world when you change your mind” (“você muda o mundo quando você muda sua mente” em tradução literal). “Espero que todo mundo saia do espetáculo aceitando um pouco mais aos outros e a si mesmo. Sinto que essa é a mensagem que as pessoas mais gostam no show e é provavelmente a maior lição que eu aprendi. É uma mensagem tão importante e comunicamos o público de maneira divertida. Amo ver a plateia se surpreender quando a mensagem chega”, confessa.

Andy tem experiência em grandes espetáculos da Broadway como “Mamma Mia!” e “Wicked”, mas não sonha com grandes papéis. “Eu realmente não tenho um personagem dos sonhos. Há muitos papéis que seriam ótimos interpretar se me fosse dada a oportunidade. No entanto, como muitos atores, eu sonho em ser capaz de criar um grande personagem em um novo show”, conta. “Vivenciei essa experiência em ‘Kinky Boots’ e não há nada mais emocionante do que estar em uma sala, criando um novo show com pessoas incríveis!”, elogia.

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(Foto: Matthew Murphy)

(Foto: Matthew Murphy)

“Kinky Boots” está em cartaz no The Al Hirschfeld Theatre (302 West 45th Street), em Nova York, de terça à domingo. Terças e quintas às 19h, quartas, sextas e sábados às 20h e domingos às 15h. Há sessões extras às quartas e aos sábados às 14h. O espetáculo tem 2 horas e 20 minutos de duração, incluindo um intervalo de 15 minutos. Ingressos são disponibilizados no dia das apresentações por US$27 (mais taxas) diretamente na bilheteria. Os valores chegam a US$249 (mais taxas). Informações adicionais podem ser encontradas no site oficial do musical. Imperdível.