Dan Stulbach homenageia Dario Fo em “Morte Acidental de um Anarquista”

Em dezembro de 1969, o corpo de um anarquista foi encontrado em Milão. Enquanto a polícia acreditava na hipótese de suicídio, a população julgava o fato como homicídio. O caso colocou em discussão os interesses e as imperfeições do sistema político. Às quartas e quintas-feiras, o Museu de Arte de São Paulo recebe em seu auditório o espetáculo “Morte Acidental de um Anarquista”, baseado na história verídica. Apesar do tema bastante sério, a comédia escrita por Dario Fo usa a irreverência como principal atrativo para divertir o público e o tom crítico – de maneira leve, mas com as palavras certas – para informar e, se bem sucedida, transformar a plateia.

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(Foto: João Caldas)

Vencedor do prêmio Nobel de Literatura em 1997, Fo é conhecido pela peculiar maneira de criar seus espetáculos. Baseadas em esboços, desenhos e pinturas, o autor monta suas peças no palco, improvisando cenas, inventando palavras e utilizando uma série de barulhos. Como uma homenagem a um dos mais aclamados artistas da atualidade, as principais características do trabalho do escritor podem ser reconhecidas durante a encenação. Considerado atual mesmo após mais de 40 anos, “Morte Acidental de um Anarquista” é o texto mais famoso e mais montado do dramaturgo italiano. Recentemente, o espetáculo foi produzido em Londres com referências ao caso Jean Charles.

Dirigida por Hugo Coelho, a comédia estreou na capital paulista em setembro de 2015, após a iniciativa de Dan Stulbach (O Louco) e Henrique Stroeter (O Delegado). Os atores tiveram a ideia de montar “Morte Acidental de um Anarquista” durante o tempo que passavam juntos entre uma apresentação e outra da peça “39 Degraus”, no Rio de Janeiro. Histórias e curiosidades são contadas antes do início do espetáculo pelo elenco, que ainda conta com Riba Carlovich (O Secretário), Marcelo Castro (O Comissário) e Maira Chasseraux (A Jornalista). Perguntas são abertas ao público e, de forma mais sucinta, qualquer dúvida que tenha restado é esclarecida ao final. Um dos momentos de maior descontração.

Embora o elenco se mostre entregue e surpreenda pela afinidade em cena, Dan Stulbach chama atenção com sua participação. Rodeado de excelentes profissionais, o ator se destaca pela naturalidade com que interpreta O Louco, um personagem que se passa por diversos outros em questão de segundos. Durante os discursos mais sérios, os olhos do artista chegam a brilhar, tamanha a obstinação em passar o seu recado em prol de um mundo melhor e mais justo. Stulbach é conhecido por sua contribuição às artes, voltada a conscientização do público.

Rodrigo Geribello é o responsável pela música e pela sonoplastia ao vivo. Grande parte dos efeitos são criados utilizando apenas a voz do artista. Em um primeiro momento, o bonito cenário de Marco Lima parece simples, mas durante o desenrolar da história se vê algo totalmente eficaz, onde nenhum detalhe é dispensável e nenhum outro necessário. O figurino assinado por Fause Haten parece saído de um brechó especializado em roupas antigas e equilibra a seriedade de cortes profissionais com a espirituosa mistura de cores e estampas.

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(Foto: João Caldas)

“Morte Acidental de um Anarquista” está em cartaz no MASP (Av. Paulista, 1578). Quartas e quintas-feiras, às 21h. As entradas custam de R$30,00 (meia) a R$60,00 (inteira) e podem ser adquiridas no Ingresse ou na bilheteria do museu (terça a domingo das 10h às 17h30; quintas até às 19h30; e em dias de espetáculos até o inicio das apresentações). Até 21 de abril.