Daniela Mercury encanta público com “O Baile da Rainha Má”

Na última sexta-feira (08), a cantora baiana Daniela Mercury se apresentou na Audio Club, em São Paulo, para mostrar à plateia o show “O Baile da Rainha Má”. Usando um espalhafatoso, mas belíssimo figurino assinado por Eduardo Suppes, da Divina Pele, a artista atraiu todos os olhares do público. A recente “Alegria e Lamento” abriu o espetáculo que teve em sua primeira parte, canções como “Rainha do Axé”, “Andarilho” e “Levada Brasileira”. O bloco animou os foliões com as famosas “Rapunzel” e “Feijão de Corda”, ambas do bem-sucedido álbum “Feijão com Arroz” (1996). Se não estivesse vestida de maneira excêntrica, Daniela ainda seria o centro das atenções. A boa fase pessoal e profissional da cantora é evidenciada por sua disposição e pelo sorriso constante.

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(Foto: Filipe Vicente)

No intervalo, a baiana trocou de roupa e retornou ao palco usando um vestido preto, cheio de detalhes discretos, mas com um decote que pareceria exagerado se fizesse parte do figurino de qualquer outra artista. Aos 50 anos, somente Daniela Mercury possui a personalidade e a boa forma para sustentar criações ousadas, sem parecer excessiva. O início do segundo bloco trouxe uma série de canções assinadas por outros artistas. “Tempo Perdido” (Legião Urbana), “Como Nossos Pais” (Elis Regina) e “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás” (Raul Seixas) foram alguns dos grandes sucessos relembrados pela baiana. A versão de “Se Você Pensa”, música produzida para o projeto “Elas Cantam Roberto Carlos” (2009), não ficou de fora do espetáculo e celebrou a mistura de gêneros no Brasil.

“Antropofágicos São Paulistanos” é uma homenagem da artista baiana para a população nascida na cidade. A canção faz parte do disco “Vinil Virtual” (2015), o mais recente trabalho da cantora, aquele em que Daniela Mercury e a esposa Malu Verçosa aparecem nuas na capa, inspiradas pelo famoso ensaio de John Lennon e Yoko Ono. “Mais Que Nada” (Jorge Benjor) e “Nossa Gente” (Olodum) antecederam “Faraó (Divindade do Egito)”, canção de Djalma Oliveira, responsável pelo lançamento de Margareth Menezes, em 1987. A música é considerada o primeiro samba-reggae brasileiro, gênero admirado e amplamente divulgado por Mercury. “Nobre Vagabundo” e “Ilê Pérola Negra”, poderosos trunfos da carreira da artista, animaram e emocionaram o público.

“Swing da Cor” (“Não, não me abandone, não me desespere, porque eu não posso ficar sem você”), “Trio Metal” (“Quero ver, quero ver, quero ver, quero ter, quero ter, quero ter ô, o som do trio elétrico de Osmar e de Dodô”), “Maimbê Dandá” (“Zum, zum, zum, zum zum bába, zum zum bába, zum zum bába”) e “O Canto da Cidade” (“A cor dessa cidade sou eu, o canto dessa cidade é meu”) finalizaram o espetáculo preenchendo o espaço com o mais atrativo clima do Carnaval de Salvador. A plateia que reviveu a experiência, matou a saudade. Os espectadores que nunca passaram por uma das festas regionais mais populares do mundo, aguçaram a vontade. Após três horas ininterruptas de música e dança, o sentimento mútuo era de felicidade.

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Setor-VIP-Daniela-Mercury-no-show-O-Baile-da-Rainha-Ma-na-Audio-Club-em-Sao-Paulo

(Foto: Filipe Vicente)

Daniela Mercury faz jus ao título de “Rainha Má”. Considerada a “Rainha do Axé” desde o lançamento de “O Canto da Cidade” (1992), a cantora baiana coleciona sucessos, prêmios e parcerias com os maiores artistas do mundo, como o ex-Beatle Paul McCartney. Apesar da admirável contribuição para a sociedade, a Campeã da Igualdade da ONU e Embaixadora da UNICEF no Brasil, é chamada de “má” por merecimento. O último show da cantora em São Paulo, por exemplo, foi no dia 25 de janeiro, quase três meses atrás. A próxima apresentação não está nem próxima de acontecer. Os fãs e admiradores sentem falta, afinal, Daniela Mercury nunca é demais.