“De Volta Para o Futuro – Parte III” encerra trilogia de maneira saudosista

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A terceira e última parte da trilogia “De Volta Para o Futuro” estreou nos Estados Unidos seis meses após o lançamento da parte II. Dirigido por Robert Zemeckis e estrelado por Michael J. Fox e Christopher Lloyd, o longa metragem encerrou a produção de maneira inimaginável, surpreendendo crítica e público. Confira a última parte do especial do Setor VIP.

“DE VOLTA PARA O FUTURO – PARTE III”

Embora o encerramento da trilogia tenha sido o mais caro dos filmes produzidos e um sucesso ao redor do mundo, o longa metragem rendeu “apenas” 220 milhões de dólares para a Amblin Entertainment e para a Universal Pictures, o menor retorno financeiro que a obra teve desde a estreia em 1985. O orçamento estimado em mais de 20 milhões de dólares destinou-se principalmente para a criação da cidade cenográfica onde o Dr. Brown (Christopher Lloyd) aparece após o DeLorean ser atingido por um raio, no final do segundo filme.

A história se passa no Velho Oeste a partir da chegada de Marty McFly (Michael J. Fox) na tentativa de encontrar Doc e levá-lo de volta para o futuro. Para a adaptação do que seria Hill Valley em 1885, a equipe de cenógrafos construiu uma mina, um comércio de cavalos, um mercado de carnes, uma casa de banho, uma loja de cigarros e um saloon. Além disso, destacou a construção da praça do relógio, presente e fundamental no desenvolvimento da trama de todos os filmes. Para as cenas principais, os profissionais criaram a casa do ferreiro (moradia do Dr. Brown), o Festival de Hill Valley e uma estação de trem. Centenas de detalhes enriquecem a decoração: dos lustres até as carroças.

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Não pense que por não haver modernas criações – como as peças que se ajustam sozinhas ao corpo – a equipe de figurinistas de “De Volta Para o Futuro” teve pouco trabalho. Os enormes vestidos usados principalmente pela personagem Clara Clayton (Mary Steenburgen), os trajes indígenas observados durante a perseguição que Marty sofre em sua chegada e até o capacete utilizado pelo cachorro Copérnico ao embrenhar-se na mina são espetáculos à parte. Os figurinos usados por McFly incluem um pijama, estilo macacão, que possui uma abertura na parte de trás e uma roupa de cowboy com recortes e franjas. As criações, levemente desajeitadas e chamativas, fazem referência não só a personalidade do protagonista, mas a todas as peças usadas pelo personagem na trilogia.

“Clint Eastwood nunca usou isso!”, reclama Marty em determinada cena. O ator, conhecido por uma série de filmes de Velho Oeste, é a referência usada pelo personagem para adaptar-se às situações de um passado que não faz parte de sua realidade. Como o artista americano, uma série de menções (“Será que algum dia iremos para a lua?”) cria a relação entre tempo e personagens necessária para que o público não se esqueça de onde vieram e para onde vão cada um deles. A empresa Nike, a financeira Wells Fargo, o programa “The Howdy Doody Show” (1947–1960), os livros “20 Mil Léguas Submarinas” e “Viagem ao Centro da Terra” e o cantor Michael Jackson – com direito ao moonwalk e ao famoso grito – são alguns dos nomes responsáveis pela realidade.

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Aos saudosistas, a parte final da trilogia “De Volta Para o Futuro” resgatou inúmeros momentos clássicos da história. O vilão Biff (Thomas F. Wilson) e a mocinha Jennifer (Elisabeth Shue), o condomínio Lyon States, a hoverboard, a frase “ninguém me chama de covarde” e a canção “The Power of Love” dividem as atenções dos admiradores da obra. O clima de despedida fica por conta de frases como “você foi um bom e leal amigo”, dita por Doc para Marty. O roteiro assinado por Bob Gale é um dos mais complicados, mas é também um dos mais emotivos.

Destacam-se ainda as cenas clássicas presentes em qualquer filme de Velho Oeste que se preze, como as batidas de botas no chão de terra, as rodadas de laço e a famosa briga em que os inimigos caminham de costas um para o outro para a distância necessária para o tiro. As sequências onde a personagem Clara está em uma carroça desgovernada e quando os personagens viajam em um trem em uma ponte não finalizada são de tirar o fôlego.

“De Volta Para o Futuro – Parte II” e “De Volta Para o Futuro – Parte III” foram filmados ao mesmo tempo. Para que fossem lançados um após o outro, a segunda parte foi editada enquanto os atores ainda estavam no set. Mesmo assim, o elenco considerou o antecessor muito mais trabalhoso que o final, já que a terceira parte foca mais no Dr. Brown do que em McFly, fazendo com os personagens não tivessem que se dividir em vários papéis como nos anteriores. O último longa metragem teve um atraso de algumas semanas. A gravação foi interrompida duas vezes: durante a morte do pai de Fox e durante o nascimento do filho do protagonista. Em 2015, Michael J. Fox, Christopher Lloyd e Lea Thompson (Lorraine Baines) se reencontraram para comemorar os 25 anos da trilogia “De Volta Para o Futuro”.

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