Elenco comemora 200 apresentações do espetáculo “Les Misérables”

(Foto: Cíntia Carvalho / Setor VIP)

No último sábado (30), “Les Misérables” completou 200 apresentações. Em cartaz desde março, a versão brasileira do musical levou cerca de 300 mil pessoas ao Teatro Renault, em São Paulo. Parte do sucesso do espetáculo se deve à inspiração no clássico e emocionante romance de Victor Hugo. O resto é conquistado pelo brilhante elenco, encabeçado por Daniel Diges (Jean Valjean), Nando Pradho (Javert), Kacau Gomes (Fantine), Filipe Bagança (Marius), Clara Verdier (Cosette), Laura Lobo (Eponine), Pedro Caetano (Enjolras), Ivan Parente (Thénardier) e Andrezza Massei (Madame Thénardier). Sim, são muitos personagens principais. Pudera, “Les Misérables” é uma história imensa, complexa e cheia de detalhes, mas prazerosa de assistir.

Clara Verdier, Laura Lobo, Pedro Caetano e Ivan Parente conversaram com exclusividade com o Setor VIP sobre a experiência de estar em um musical como “Les Misérables”, embora para nenhum deles seja novidade estar em uma grande produção. Laura e Ivan fizeram parte da primeira montagem brasileira de “Les Mis” (2001), como o musical é carinhosamente chamado, além de terem diversos grandes espetáculos no currículo. Entre outros, Pedro esteve nos musicais “Hair” (2010), “Priscilla, A Rainha do Deserto” (2012) e “O Rei Leão” (2013); enquanto Clara integrou o elenco de “A Noviça Rebelde” (2008), “O Despertar da Primavera” (2009) e “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos – O Musical” (2015). Confira!

(Foto: Cíntia Carvalho / Setor VIP)

Quais os momentos de “Les Misérables” que vocês destacam como preferidos? Pode ser algo pontual como uma fala específica, algo relacionado à produção ou uma cena não necessariamente de seus personagens…

Laura Lobo: É difícil escolher! (risos) Gosto bastante de fazer a cena da Rua Plumet, quando a gangue do Thénardier tenta assaltar a casa do Valjean. No geral, uma das minhas cenas preferidas do espetáculo é a parte da barricada. Acho muito emocionante!

Pedro Caetano: Sou realmente apaixonado por tudo em “Les Mis”, mas o momento mais marcante para mim é a morte do Gavroche. É quase impossível conter a emoção nessa hora!

Ivan Parente: Fiquei muito impressionado com as projeções. É muito louco porque são as ilustrações do próprio Victor Hugo. No solilóquio do Valjean e na morte do Javert é a mesma imagem, mas com cores diferentes, o que cria um clima completamente diferente. É lindo! E tem as projeções do esgoto que são sensacionais! Amo fazer a cena do esgoto porque ela define o Thénardier. Ele sobrevive do lixo, dos restos que ninguém quer mais e, mesmo assim, ele se sente julgado pela platéia. É uma cena muito vibrante!

Clara Verdier: Em “A Heart Full of Love”, adoro quando o Marius fala “não sei o que dizer” e a Cosette responde “então não diz”. Sempre acho ela tão moderninha! (risos) Também amo o epílogo, quando cantamos a reprise de “Do You Hear The People Sing”. Sempre me emociono!

“Les Misérables” completou 200 apresentações. Até agora, qual foi o momento mais emocionante da temporada?

Ivan Parente: “Les Mis” para mim é o espetáculo mais importante do Teatro Musical. Depois de 16 anos, estar no palco fazendo novamente esse espetáculo é algo emocionante.

Clara Verdier: Todo dia é uma grande emoção. Realizo um sonho toda vez que piso no palco. Quando a (produtora de elenco) Marcela Altberg me ligou para dizer que eu havia passado para o papel da Cosette foi maravilhoso! Nossa primeira preview para o público foi um dia de êxtase, porque foi a primeira vez que tivemos uma troca de energia com a plateia e isso é o que alimenta nossa arte!

Pedro Caetano: Acho que as estreias dos covers foram momentos muito emocionantes. Para nós é sempre uma renovação das sensações e dos sentimentos que “Les Mis” nos causa.

(Foto: Marcos Mesquita)

E houve algum momento muito tenso ou muito engraçado?

Laura Lobo: Muitos! (risos) O teatro tem vida própria, né? As coisas acontecem sem querer e sem saber se podem!

Clara Verdier: Eu perdi o sapato em cena! Em vez de calçar direto do chão, me abaixei, peguei o sapato na mão, levantei a perna e calcei o sapato! Eu, Filipe e Laura rimos muito! Foi difícil me controlar! Tive que respirar fundo e me concentrar como nunca! (risos)

Laura Lobo: A prataria dos Thénardier caiu no fosso e quase atingiu o maestro algumas vezes!

Ivan Parente: No casamento, quando largamos a prataria no chão, ela voou na direção do maestro. Ele teve que sair do caminho, pois poderia ter sido decapitado. Os pratos foram caindo devagar, fazendo barulho a cada caída. Eu e a Andrezza ficamos sem ação e esperando a prataria dar seu último som no fundo da orquestra. Foi desesperador e no final palmas e gargalhadas. (risos) Um dia esqueci uma parte da letra e só conseguia dizer onomatopeias. O elenco ficou atrás de mim soprando a letra até que eu conseguisse me lembrar. Foram duas estrofes de “ah, ih, oh, pft” e etc. Só cantei o final.

Existe alguma versão de algum número de “Les Misérables” que seja seu favorito?

Ivan Parente: Não tenho nenhum número específico. Gosto de ver a comemoração de 10 anos, é impressionante! É muito emocionante ver os atores de várias montagens juntos.

Pedro Caetano: Sempre assisto à apresentação do elenco da Broadway cantando “One Day More” durante o Tony Awards. Kyle Scatliffe, o Enjolras, é sem dúvidas uma inspiração!

Clara Verdier: “One Day More” é o meu despertador para acordar de manhã!

Laura Lobo: Eu gosto muito de “I Dreamed a Dream” com a Alessandra Maestrini. (sorri)

(Foto: Cíntia Carvalho / Setor VIP)

Laura era muito nova quando esteve na primeira versão de “Les Mis”. A experiência serviu para te ensinar algo que você aplique em sua carreira até hoje?

Laura Lobo: Com certeza! Sou muito grata por ter começado tão cedo e ter tido a chance de conviver com tão bons artistas. Acredito que aprendi como me portar, como ser profissional nas minhas atitudes, a conviver com outros artistas durante um longo período. Foi muito importante para mim. Tenho lembranças muito boas daquela temporada. Nós éramos em oito crianças e nos divertíamos muito, brincávamos bastante no camarim. Era bem gostoso.

Vocês tem experiência diversas, em segmentos diferentes e com os mais variados profissionais. Carregam algo que aplicam em suas carreiras e que serve de apoio em novos trabalhos?

Ivan Parente: Sim! Tem uma coisa que aprendi com o Gabriel Villela. Em 2000, estávamos levantando uma cena de “Ópera do Malandro” e ele nos disse que é arrebatador quando um ator admira o colega em cena, quando ele usa de toda sua energia para engrandecer a cena de um colega e que não há nada mais bonito. Desde aquele dia comecei a contemplar meus colegas em cena. É realmente lindo ver um colega dizendo um texto, preparando uma piada, pensando enquanto se dirige à próxima marca. Eu aprendo muito observando.

Pedro Caetano: Durante as filmagens do longa-metragem “Léo e Bia”, aprendi alguns exercícios para apropriação do personagem com o Oswaldo Montenegro. Desde então, sempre os utilizo em meus trabalhos. Essa experiência me fez muito bem e me acrescentou muito.

Clara Verdier: Uma grande lição que aprendi foi honrar a minha escolha de ser artista. Isso está presente em tudo que faço, desde meus estudos até minha postura profissional. Nossa carreira tem altos e baixos, mas se me sinto desestabilizar eu recorro ao meu livro preferido “Cartas a um Jovem Poeta”, de Rainer Maria Rilke, que diz: “Investigue o motivo que o impele a escrever: comprove se ele estende as raízes até o ponto mais profundo do seu coração, confesse a si mesmo se morreria caso fosse proibido de escrever. Pergunte a si mesmo, na hora mais silenciosa da madrugada: ‘Preciso escrever?’. Desenterre de si mesmo uma resposta profunda. E, se ela for afirmativa, se for capaz de enfrentar essa pergunta grave com um forte e simples: ‘Preciso!’, então construa sua vida de acordo com tal necessidade”. E, assim, me lembro que preciso ser artista.

Há algum personagem ou musical que vocês sonhem fazer?

Pedro Caetano: Nesse momento, estou realizando um dos meus grandes sonhos, que é fazer parte de “Les Mis”. Gostaria muito de fazer mais cinema, especialmente em outras línguas.

Clara Verdier: Tenho muitos sonhos! Amaria fazer a professora Anna de “O Rei e Eu” e, um menos óbvio, a matriarca Golde de “Um Violinista no Telhado”! Tenho uma conexão emocional muito forte com ambos os papeis!

Laura Lobo: Bem…. eu amo “Anastasia”. Atualmente, seria meu sonho de consumo! (risos) Adoraria fazer “West Side Story”, “Legally Blonde”, “A Cor Púrpura”… são muitos! (risos)

Ivan Parente: Não sou do tempo que se sonha com papéis! (risos) Nos candidatávamos de acordo com os espetáculos que surgiam. Isso acontece agora que o mercado está mais agitado. Creio que fiz alguns papéis dos quais eu sonharia fazer como o Homem de Lata (“O Mágico de Oz”), Capitão Gancho (“Peter Pan”), o Homem da Poltrona (“A Madrinha Embriagada”), Pinocchio (“Pinocchio”) e o Thénardier (“Les Misérables”). Tem um único personagem que adoraria ter feito e não fiz, a Bernadette de “Priscilla, A Rainha do Deserto”. Amo o filme e amava a montagem brasileira!

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(Foto: Victor Miranda)

“Les Misérables” está em cartaz no Teatro Renault (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – República), em São Paulo, quintas (21h), sextas (21h), sábados (16h e 21h) e domingos (15h e 20h). Os ingressos custam de R$25,00 (meia) a R$200,00 (inteira) e podem ser encontrados no site oficial da Tickets For Fun. O espetáculo possui 2h55 de duração, incluindo um intervalo de 15 minutos. “Les Misérables” tem classificação livre, mas não é permitida a entrada de menores de 12 anos desacompanhados. Até 10 de dezembro. Estrela1 Estrela1 Estrela1 Estrela1 Estrela1