Em Londres, pliés e pas de deux realçam musical “An American in Paris”

An American in Paris em Londres

(Foto: Divulgação)

Desde março, o Dominion Theatre, em Londres, recebe a montagem de “An American in Paris”, musical baseado no filme homônimo de 1951. Com direção e coreografias de Christopher Wheeldon, o espetáculo conta com músicas de George Gershwin (criador de “Girl Crazy”, que originou o musical “Crazy For You”; da ópera “Porgy and Bess”; do longa metragem “Shall We Dance”, entre outros) e letras de Ira Gershwin (compositor indicado ao Oscar de Melhor Canção Original por “They Can’t Take That Away From Me”, em 1937; “Long Ago”, em 1944; e “The Man That Got Away”, em 1954). Parte das canções do espetáculo teatral pertence ao repertório do longa metragem estrelado por Gene Kelly.

Exímio bailarino e, de longe, o grande destaque de “An American in Paris”, Ashley Day vive o protagonista Jerry Mulligan. Antes de interpretar o soldado que decide viver a vida como pintor, Day esteve em importantes produções de grandes espetáculos musicais como “Kiss Me, Kate”, “The Book of Mormon”, “Evita” e “Mary Poppins”. O bailarino substitui o astro Robert Fairchild desde meados de junho. Nascido em Salt Lake City, Fairchild estrelou todas as versões de “An American in Paris”, incluindo a estreia mundial na França. Ao lado do norte americano, Leanne Cope passou por Paris, por Nova York e por Londres como a aspirante a bailarina Lise Dassin. Pela participação no espetáculo, Dassin concorreu ao Tony de Melhor Atriz.

Após o final da Segunda Guerra Mundial e motivado pelo sonho de se tornar pintor, o americano Jerry Mulligan decide ficar em Paris. Acompanhado por seus amigos Adam Hochberg (David Seadon-Young) e Henri Baurel (Haydn Oakley), Jerry busca desfrutar a vida sem as terríveis lembranças que viveu em combate ao lado dos companheiros. Sem imaginar a confusão em que está se metendo, o ex-soldado se envolve com Lise Dassin, uma bailarina francesa por quem Henri é apaixonado. Embora Lise sinta que Jerry seja seu grande amor, a artista acredita precisar ficar ao lado de Henri Baurel, responsável por salvar sua vida durante a guerra. Enquanto Jerry Mulligan convive com a nata da sociedade francesa para tentar se firmar como pintor, Lise Dassin se prepara para sua grande estreia nos palcos.

An American in Paris em Londres

(Foto: Divulgação)

Entre os inúmeros pliés e pas de deux presentes durante todo o espetáculo, “An American In Paris” – nome da penúltima canção do segundo ato – arranca aplausos do público pela belíssima apresentação de balé com duração de 14 minutos. Formada majoritariamente por espectadores acima dos 50 anos, a plateia se conecta e se comove com a história rapidamente. Não há surpresas com a identificação da faixa etária, embora o espetáculo possua um elenco em sua maior parte na faixa dos 30 anos. “An American in Paris” possui elementos cênicos que, embora modernos e bastante conceituais, lembram os espetáculos das décadas de 30 e 40, consideradas as eras de ouro dos musicais, principalmente em Hollywood.

Em determinados momentos, o cenário impecável de Bob Crowley (que também assina o belíssimo figurino) e a iluminação de Natasha Katz remetem ao estilo único do trabalho de Robert Wilson. A beleza das formas bem definidas e da luz reta, a brincadeira com as proporções e a utilização de símbolos antigos, somam de maneira grandiosa e extremamente marcante ao espetáculo. Não à toa, “An American in Paris” concorreu a mais de 50 prêmios pelo mundo, ganhando cerca de 20, incluindo quatro Drama Desk Awards e quatro Tony Awards.

Em prêmios, a versão cinematográfica foi tão bem sucedida quanto o espetáculo teatral. “An American in Paris” concorreu a três Globo de Ouro e conquistou o troféu de Melhor Filme Musical ou Comédia. Ganhou oito indicações ao Oscar e levou para casa seis, incluindo Melhor Filme. No mesmo ano, Gene Kelly (Jerry Mulligan) recebeu seu primeiro e único Oscar em comemoração à sua brilhante carreira e por sua contribuição como ator, cantor, dançarino e diretor. Em 1993, o longa metragem entrou para a United States National Film Registry como reconhecimento por sua importância histórica.

Depois de mais de 60 anos, “La La Land” homenageou Gene Kelly e “An American in Paris” em algumas das principais cenas do filme, incluindo o número principal “A Lovely Night”, livremente inspirado em “Our Love Is Here To Stay”, além dos figurinos utilizados pelos protagonistas Emma Stone e Ryan Gosling, nos mesmos tons do cartaz do espetáculo musical. A principal diferença entre as obras é que “La La Land” rendeu mais de US$400 milhões aos produtores do longa metragem, bem mais do que os singelos US$4 milhões de “An American In Paris”.

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An American in Paris em Londres

(Foto: Divulgação)

“An American in Paris” está em cartaz no Dominion Theatre (268-269 Tottenham Court Road – Fitzrovia), em Londres, de segunda a sábado às 19h30. Há sessões extras ao quartas e sábados às 14h. A partir de 04 de outubro, as matinês serão às 14h30. Não há espetáculos aos domingos. Os ingressos custam de £19,50 a £125,00 e podem ser encontrados através do site oficial do musical. As entradas estão disponíveis até 27 de janeiro de 2018 e, em breve, haverá uma nova remessa de ingressos. “An American in Paris” tem duração de 2 horas e 35 minutos, incluindo um intervalo de 20 minutos, e classificação indicativa para maiores de 06 anos. Há sessões com acessibilidade para cegos e surdos, consulte as datas no site oficial. Em cartaz por tempo indeterminado. Estrela1 Estrela1 Estrela1 Estrela1