Em São Paulo, Hugh Jackman se despede de personagem em “Logan”

(Foto: Cíntia Carvalho / Setor VIP)

Nos últimos 17 anos, Hugh Jackman esteve à frente da trilogia de longas-metragens que conta a trajetória do personagem Wolverine, icônico herói da saga X-Men. Em turnê para divulgar o derradeiro filme, “Logan” (2017), o australiano conta um pouco da experiência em passagem pelo Brasil. “Está bom?”, pergunta aos fotógrafos após posar por alguns segundos para as fotos de divulgação do evento. Em português, Jackman agradece ao público pelos aplausos. “Faz tanto tempo que quero voltar ao Brasil. Desde o início recebo o apoio de vocês ao personagem Wolverine”, conta durante o encontro que aconteceu no domingo (19), em uma das maiores salas de convenção do hotel Grand Hyatt, em São Paulo.

“Quando ouvi falar pela primeira vez sobre o filme, havia uma busca no mundo pelo intérprete do personagem. Eu nunca tinha visto X-Men. Li três páginas do roteiro e mostrei para a minha mulher que não achou uma boa ideia. Foi a única vez em que ela não estava certa, mas não contem isso para ela”, brinca. Extremamente simpático e muito sorridente, Hugh Jackman não economizou palavras para contar sua experiência desde o início. “Um dia me disseram para ter em mente alguma outra coisa para fazer após o primeiro filme, porque certamente…”, assobia um som que remete ao fracasso. “E aqui estamos 17 anos depois. DC, Marvel, X-Men… há muita coisa e coisas grandes. Há coisas realmente muito boas. Hoje meio milhão de pessoas frequentam a Comic Con de San Diego!”, destaca.

(Foto: Cíntia Carvalho / Setor VIP)

“Eu sabia desde o começo que era um personagem não usual, que não existia igual nos quadrinhos”, explica. “Eu amo o Wolverine, mas não sentirei falta dele, porque ele faz parte de mim. Vejo o filme e fico emocionado. Sendo bem honesto, estou muito orgulhoso”, completa. Apesar de baseada nos desenhos, Hugh Jackman conta que não houve inspiração nos quadrinhos para sua performance. “Não havia revistas nos estúdios. Fizemos um filme sobre discriminação, sobre como as pessoas se sentem. Olha o que aconteceu com Deadpool. É um personagem autêntico e muito engraçado. Eu realmente rezo para que o Wolverine seja visto de forma parecida, que o vejam como um personagem que tem algo a dizer”, confessa.

Em determinado momento, Jackman para a entrevista para receber o presente de um admirador. Atencioso, o australiano se diverte com o gesto. “Não houve uma pergunta, apenas um presente”, observa dando oportunidade para que o rapaz questione o que deseja. Hugh Jackman afirma que “Logan” não é uma história para crianças, embora haja uma no longa-metragem. “É um filme adulto. Quando as pessoas morrem, elas morrem”, conclui. “É uma história incrível e relevante para os dias de hoje, sobre um homem que foi construído para destruir e que tem sido uma arma”, diz. “Mas o sentimento que o move não é o medo, é a intimidade. Eles estão aterrorizados porque alguém que eles gostavam está morto. É o real desejo para com as pessoas que amamos”, explica antes de completar que uma das referências para as cenas “familiares” foi o filme “Pequena Miss Sunshine” (2006).

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“Meu português não é muito bom”, brinca quando seu retorno para de funcionar. “Me senti cansado fisicamente e emocionalmente”, conta sobre a preparação do personagem em sua fase mais debilitada. “Gravamos durante altas temperaturas com uma criança e um homem de idade. Foi duro, mas muito bom”, completa citando a atriz mirim Dafne Keen (Laura) e o experiente Patrick Stewart (Professor Charles Xavier). “Estava muito nervoso, mas a partir do momento que soube que seria o fim, resolvi fazer apenas um filme sobre um homem. Estou aliviado, orgulhoso dos últimos 17 anos. É como se eu fosse um jogador em minha última Copa do Mundo. Estou desempregado, então também estou um pouco triste”, brinca.

Sobre planos para o futuro, Hugh Jackman afirma colocar sua família sempre em primeiro lugar. “É a minha prioridade. É uma regra simples do meu casamento. Aprendi muito com esse filme, desde o começo eu faço acontecer”, completa dizendo que se dedica da mesma forma para sua vida pessoal dar certo. “Quero fazer coisas que eu acredito, projetos que me deixem empolgado para dar o meu sangue. É o que eu amo sobre o futuro. Faço tudo o que está ao meu alcance, mas fazer um longa-metragem é muito difícil. Estou em um filme musical atualmente, que está em produção há algum tempo. Estou entusiasmado em não fazer a menor ideia do que está por vir”, confessa.

(Foto: Cíntia Carvalho / Setor VIP)

Em relação ao futuro do cinema, Jackman se empolga e se mostra um grande apaixonado pela arte. “Quero ver o inesperado, coisas visualmente bonitas, coisas que façam rir”, diz. “Filmes podem ser incríveis, nos tocar. A razão para ‘Logan’ funcionar é que nós não pensamos nele como um quadrinho, não quisemos defini-lo por um gênero ou por qualquer outra coisa. Filmes tem que entreter, mudar o mundo, mudar vidas. Espero que esse seja um filme marcante para as pessoas, pois é um personagem que eu realmente acredito. Tenho muita paixão dentro de mim e essa é a beleza da vida”, finaliza. Antes de se despedir, o astro agradece o público e se diverte com a entrevista. “Eu sempre dou longas respostas. Acho que consegui responder apenas umas três perguntas”, brinca. “Logan” chega aos cinemas no dia 02 de março.