Em “Ubu Rei”, Marco Nanini protagoniza símbolo da história do teatro mundial

(Foto: Divulgação)

Depois de passar pelo Rio de Janeiro, Marco Nanini sobe ao palco do Sesc Pinheiros, em São Paulo, para a curtíssima temporada do espetáculo “Ubu Rei”. Acompanhado por Rosi Campos e pela Cia. Atores de Laura, o artista interpreta de maneira brilhante um dos primeiros anti-heróis da história do teatro no mundo.

Apoiado por Mãe Ubu, Pai Ubu decide assassinar o Rei da Polônia e tomar o seu lugar. Para que o trono não passe para um dos herdeiros, Ubu organiza uma revolução com o intuito de eliminar a família real. Bugrelau, príncipe sobrevivente, inicia uma guerra contra Pai Ubu, enquanto o assassino se aproveita de seu poder para roubar o dinheiro da população e se manter no trono.

A Cia. – nesse espetáculo formada por Ana Paula Secco, Cadu Libonati, João Telles, Leandro Castilho, Marcio Fonseca, Paulo Hamilton, Renato Krueger, Tiago Herz e Verônica Reis – é responsável por toda a trilha sonora executada ao vivo. Além de estar em cena, Castilho assina a composição das canções e a direção musical.

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Escrita pelo francês Alfred Jarry há mais de 120 anos, “Ubu Rei” parece ter sido criada nos dias atuais. Uma série de passagens e algumas adaptações se encaixam perfeitamente na situação política brasileira. Em determinado momento, o personagem principal brinca sobre um presidente verdadeiramente eleito, por exemplo. Tudo é interpretado de maneira tão cuidadosa e inteligente, que torna impossível a percepção do que é parte do texto original e do que é apenas uma oportunidade muito bem aproveitada para expressar opiniões.

Apesar de ser um clássico do Teatro Moderno, “Ubu Rei” influenciou diversos movimentos como o Futurismo, o Surrealismo e, principalmente, o Teatro do Absurdo. Jarry é considerado um dos precursores do Simbolismo, movimento que se opunha ao Realismo e ao Naturalismo. “Ubu Rei”, considerado uma sátira dos cultuados “Macbeth”, “Hamlet” e “Rei Lear”, de William Shakespeare, teria sido uma das obras influenciadoras à vazão das ideias que originaram os movimentos seguintes na Europa, até a década de 60.

Assinada por Beto Bruel, a iluminação possui um desenho bem definido e bastante criativo. Durante a cena em que Pai Ubu escala uma montanha coberta de neve, os mais atentos observam a sensível movimentação dos canhões que acompanham o caminhar da trupe rumo ao topo. A utilização de luz negra para destacar parte da cenografia, combina perfeitamente com a maluquice proposital e extremamente dentro de contexto do cenário criado por Bia Junqueira. Em apoio aos inúmeros objetos cênicos, efeitos de fumaça e de neve enriquecem a montagem.

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Com direção de Daniel Herz, “Ubu Rei” provoca ao mesmo tempo que entretém, e diverte ao conseguir deixar marcada sua mensagem sem a imposição ou a obrigatoriedade de concordância comum em trabalhos com viés político.

O espetáculo está em cartaz no Sesc Pinheiros (Teatro Paulo Autran – Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros), em São Paulo, quintas (21h), sextas (21h), sábados (21h) e domingos (18h). Os ingressos custam de R$15 (matriculados no Sesc) a R$50 (inteira) e podem ser adquiridos através do site oficial da rede e nas bilheterias do Sesc SP. “Ubu Rei” tem duração de 90 minutos e é recomendado para maiores de 14 anos. Até 25 de junho. Estrela1 Estrela1 Estrela1 Estrela1