Emocionada, Sandy retorna aos palcos e relembra carreira com irmão Junior

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Foto: Cíntia Carvalho

No último sábado (10), a cantora Sandy subiu ao palco do Tom Brasil (antigo HSBC Brasil), em São Paulo, para dar início à “Turnê-Teaser”, uma espécie de show que se formará durante as datas que antecedem a gravação de seu próximo DVD. Após quase um ano e meio afastada do público para cuidar do primogênito Théo, a artista se emocionou e não conteve as lágrimas no início da apresentação. “Não posso descrever o tamanho da minha alegria em estar aqui com vocês”, disse após a canção “Sim”, a primeira do repertório.

Os gritos da plateia ecoavam pelo espaço e mal se podia ouvir a cantora. Ovacionada de pé pelos espectadores que esgotaram as entradas em poucas horas, Sandy desfilou sucessos como “Escolho Você”, “Pés Cansados”, “Morada”, “Aquela dos 30” e “Ponto Final”. “Obrigada por serem fiéis, por terem me esperado, por me prestigiarem, os que sempre me prestigiaram e os que vieram pela primeira vez”, agradeceu. “Espero que esse show traga muitas coisas boas para vocês. É só um aperitivo para a turnê do ano que vem, mas eu não pude aguentar ficar tanto tempo longe”, completou.

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Foto: Cíntia Carvalho

Sandy é uma das personalidades mais inovadoras da Música Popular Brasileira. As mais de 200 canções gravadas ao lado do irmão Junior descrevem a história de uma geração. Através delas, é possível compreender uma série de fatos culturais e comportamentais dos últimos 25 anos. Sua obra não só abriu espaço para o pop nacional, como também popularizou o bom-mocismo, deixando de lado a cultuada rebeldia presente especialmente na música da década de 80. Após o fim da dupla, a cantora se tornou reclusa, resultado de uma discrição natural acentuada por uma superexposição.

Determinada a construir sua carreira solo como algo particular, a artista estudou suas principais influências musicais, se dedicou à composição de letras e harmonias e presenteou o público com os discos “Manuscrito” (2010) e “Sim” (2013). Em ambos os trabalhos é possível perceber as referências ao rock britânico, ao folk americano, ao jazz e ao blues, além dos inúmeros recursos estéticos utilizados na orquestração de cada melodia, criadas principalmente através do piano. A singularidade presente na mistura de ritmos, somada à voz afinada da intérprete, arrancou elogios dos mais conceituados especialistas do país.

“Sempre quis cantar essa música”, confessa após a versão de “Só Hoje”, da banda Jota Quest. A canção é a única inédita de uma série de composições de outros artistas como “Sina”, do cantor Djavan, e “Saideira”, do grupo Skank, ambas apresentadas pela cantora durante sua participação no programa “Superstar”, da Rede Globo. Do show anterior, apenas “Meu Bem, Meu Mal”, da cantora Gal Costa, está presente novamente, uma vitória para os admiradores de Sandy, que estão acostumados com as repetições dos mesmos covers ao longo dos anos.

“Refúgio”, presente em seu último disco, foi cantada ao vivo pela primeira vez. De seu repertório, ainda marcaram presença as faixas “Sem Jeito”, “Segredo” e “Mais Um Rosto”. Sem dúvidas o mais adequado setlist da carreira solo da cantora. O show pode e deve ser considerado seu melhor espetáculo. No palco, Sandy reúne grandes músicos e se mostra feliz com o retorno. Antes de confessar estar insegura com sua voz, a artista faz mais um elogio à noite. “Agora estou bem, acho que é a força que vem daí, vocês são demais!”, diz apontando o público.

Escrita em parceria com Daniel Lopes, da banda Reverse, a cantora deu voz a única canção inédita da noite. Antes de cantar, ensinou o refrão para o público (“eu abro as asas e preparo a alma pra respirar, pra respirar”). A música de letra profunda e melodia aparentemente fácil mostrou a versatilidade de Sandy, afinal, a canção é diferente de tudo o que fez nos últimos anos.

“É a hora de homenagear o passado”, provoca levando o público ao delírio. “Foram 17 anos maravilhosos! Muito, muito, muito felizes!”, diz sorridente. “Tenho muito orgulho e adoro recordar”, finaliza antes de “Nada é Por Acaso”, o momento mais barulhento da noite. Difícil não se emocionar. “É a primeira vez que canto essa música em minha carreira solo”, confessa. “Não Dá Pra Não Pensar” é o segundo e último grande sucesso que Sandy recorda da dupla Sandy e Junior.

>> Mais vídeos do show da cantora Sandy no canal oficial do Setor VIP no YouTube!

O autoconhecimento de Sandy revela sentimentos sutis e melancólicos, que preenchem seus discos com uma verdade intensa e madura, às vezes, até incômoda, tamanha a profundidade da compositora. Ela cresceu e agora é uma mulher. Basta ouvi-la para perceber. Letras como as de “Tempo”, “Duras Pedras” (ambos de “Manuscrito”) e “Olhos Meus” (de “Sim”) são ótimos exemplos do resultado de seu isolamento.

Sem interferências externas como a pressão de uma gravadora ou o compromisso com o número de cópias vendidas, o controle que a cantora tanto desejou, resultou em um recomeço de qualidade técnica e sem muito barulho. Sandy decidiu trilhar o novo caminho do seu jeito, sem compromissos, sejam eles quais forem. Os fãs – apesar da diminuição considerável em relação aos tempos áureos da dupla – continuam ao seu lado, mas é a formação de um novo público, composto por adultos que não acompanharam seus primeiros anos de carreira, que complementa o trabalho da artista.

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Foto: Cíntia Carvalho

A cantora Sandy apresenta-se em outubro no Rio de Janeiro (17), em Belo Horizonte (23) e em Paulínia (30). Em novembro, a artista desembarca em Niterói para a gravação de seu DVD nos dias 14 e 15. Mais informações, acesse o site oficial da cantora.