Erros técnicos e palavrões marcam reestreia da turnê de Zezé e Luciano

Como Roberto Carlos, os cantores Zezé di Camargo e Luciano se tornaram tradicionais no final do ano. Pelo menos para os paulistas. Prestes a completar 25 anos de carreira, a dupla subiu ao palco do Citibank Hall, de 5 a 8 de novembro, para estrear a nova fase da turnê “Flores em Vida”, que teve sua primeira apresentação na mesma época do ano passado. Os shows do mês de novembro acontecem há anos em São Paulo. “Vocês estão acostumados com esse meu grito no começo do show, né?”, questiona Zezé após o seu clássico modo de cumprimentar o público. Apontando diversas pessoas na plateia, o cantor afirma reconhecer muitos rostos. “O Brasil é um país que as mudanças acontecem muito rápido, tanto para o bem, quanto para o mal. Há dez anos éramos os gigantes da América Latina. Hoje a Argentina quer emprestar dinheiro pra gente e o pior é que temos que aceitar”, brinca com certa seriedade. “Nesses anos todos vemos as coisas acontecendo, mas com pessoas que não nos abandonam de maneira nenhuma e vocês fazem parte dessas pessoas, por isso fazemos quase 20 shows por mês pelo país em quase 25 anos de sucesso. Os dois filhos de Francisco são filhos do Brasil”, agradece emocionado, afirmando que o apoio do público é o fator mais importante da carreira dos artistas.

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>> Recheada de sucessos, Zezé di Camargo e Luciano estreiam turnê “Flores em Vida”

“Estou todo almofadinha. Pareço filho do Eike Batista”, brinca interrompendo o irmão Luciano. “Presta atenção no que estou falando”, diz o mais novo. “Estou falando da sua roupa!”, rebate Zezé. “Você não gostava de bota e agora você não tira mais bota do pé. Se juntar as botas dele dá para comprar uma fazenda. E em São Paulo que a terra é cara”, diz arrancando risadas do público e do irmão. “Você era um caipira e está todo rock ‘n’ roll“. “Esses caipiras estarão na Marquês de Sapucaí no ano que vem”, orgulha-se Luciano antes de cantarem um trecho do samba-enredo “Do Sonho de um Caipira Nascem os Filhos do Brasil”, da carioca Imperatriz Leopoldinense. “Nós ensaiamos tudo, existe um texto, mas se depender do baixinho ali…”, provoca Luciano. “Baixinho é seu grau de instrução. Tem cabimento um cantor sertanejo usar uma camisa dessa?”, diz aos risos. “Um dia estava ouvindo o Xororó em uma rádio e ele disse ‘sabe porque o Zezé atravessa a rua correndo? Pra pegar impulso pra subir no meio fio’ que filho da p…! Ele é menor que eu!”, brinca entre as canções “Seca Verde”, “A Ferro e Fogo”, “Pior é Te Perder”, “Sufocado” e “Tarde Demais”. “Não dá nem pra respirar, né?”, provoca animado antes de enroscar-se vocalmente em “Pra Não Pensar em Você”.

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Envolvidos por uma produção de aplaudir de pé, a dupla mostra-se à vontade com o público paulista e canta tanto quanto faz piadas. “Essa música está no show há três ou quatro anos…”, começa Luciano ao tentar concluir um pensamento. “Agora estou entendendo a roupa!”, brinca Zezé em relação ao figurino do irmão mais novo, todo preto e com uma caveira nas costas. “Tira a roupa, Luciano!”, interrompe mais uma vez. “Ninguém aqui quer comprar pneu, não vou mostrar minha borracharia!”, responde bem-humorado apesar da boa forma física. “E não é essa música!”, corrige. “Ah, mudou o roteiro do show!”, relembra Zezé antes de “Do Seu Lado”. “Essa música é minha paixão” confessa antes de dar voz à “Vivendo Por Viver”. Uma das canções mais bonitas da dupla perde parte de seu encanto pela qualidade vocal de Zezé. Com um duelo de guitarras, a banda abre a canção “Como Um Anjo”, que antecede as famosas “Sem Medo de Ser Feliz” e “Cada Volta é Um Recomeço”. Após “Mentes Tão Bem”, Zezé interpreta “(Everything I Do) I Do It For You”, de Bryan Adams, e é massacrado pelos olhares do público por sua desenvoltura vocal. “Tem um bando de filho da p… que diz que estou rouco, acho que vou começar a cantar rock. Falo para eles ‘fiquem roucos e cantem no meu tom'”, desabafa sem total razão.

Zezé di Camargo tem sido perseguido pela mídia por sua qualidade vocal há anos. Desde o período em que precisou interromper sua carreira para tratar de problemas na garganta, o artista nunca mais foi o mesmo e não exita em se defender de forma grosseira publicamente. O cantor não tem mais a facilidade que tinha de dar vida às canções que se tornaram parte da vida de todos os brasileiros, mas nada tira seu mérito ou desmerece sua apoteótica carreira. O problema não é o alcance vocal ou a rouquidão, a voz de Zezé falha dezenas de vezes durante cada interpretação, as palavras somem e algumas frases ficam incompreensíveis. O que o astro precisa entender é que nada diminui o que a dupla conquistou e que o público continuará ao seu lado, comemorando suas vitórias, lotando plateias e se emocionando com os grandes sucessos que permeiam o imaginário popular até hoje. E será assim para sempre, independente da voz cristalina ou do tom alcançado. Zezé di Camargo e Luciano não precisam provar mais nada para ninguém.

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>> Confira trechos do show de Zezé e Luciano no canal oficial do Setor VIP no YouTube!

Gravada originalmente por Guilherme e Santiago, a música “Do Outro Lado da Cidade” inicia o bloco de modas de viola. “Ainda Ontem Chorei de Saudade”, da dupla João Mineiro e Marciano, antecede as primeiras novidades da noite, como as canções “Nosso Amor é Ouro” e “Sonhei Com Você”, de Milionário e José Rico. “Nasci na roça, mas fui criado na cidade grande. Minha influência musical foi o rock ‘n’ roll, mas nasci para cantar música sertaneja”, confessa Luciano. “Cantamos essas músicas para nós mesmos”. Em um número cheio de contratempos, Zezé dividiu os vocais com a filha Wanessa – no telão – em “The Prayer”, dueto de Celine Dion e Andrea Bocelli. “Filha, perdão pelo erro técnico”, desculpou-se após embaralhar-se com o diálogo que deveria acontecer entre ele e Wanessa. “Quando minha filha começou a cantar, aos 15 anos, ela foi muito cobrada porque é filha de um cantor de sucesso. O Brasil é ainda um país de gente preconceituosa. Quem é filho de cantor, não pode cantar. Existe um ditado que diz que a criatura sempre supera o criador, minha filha é uma das grandes cantoras desse país e ela vem provando que não é apenas filha do Zezé di Camargo, ela é a Wanessa e cantar ao seu lado é um dos maiores privilégios que a vida me deu”, declarou-se durante um discurso que emocionou o público.

Durante a apresentação da música “Se For Pra Judiar”, a tela que exibia as letras travou no meio da canção. “Você sabe a letra, Luciano?”, recorreu Zezé durante o número. “Fico p…! Me desculpem, mas um incompetente…”, começa Zezé em uma briga que dura mais minutos do que a plateia suporta. “Não fala que está errado, se não ele breca de novo! F…”, tenta controlar Luciano. “Essa p…! C…!”, solta Zezé. “Cadê a nossa pasta? Não tem a letra impressa?”. Após o número ser repetido e ter tido problemas novamente, a dupla explicou que o lançamento oficial da música nova seria naquela noite e que Zezé não tinha decorado a letra ainda. “Desculpem os palavrões”, pediram. “Qual foi a última vez que você foi f… duas vezes?”, tentou amenizar o irmão mais novo fazendo piada. “No Dia em Que Eu Saí de Casa” acalmou os ânimos e a homenagem de Luciano para a mulher Flávia reverteu o clima. Com “Me Cambiaste La Vida”, da dupla mexicana Río Roma, o cantor declarou-se para a esposa. “É a segunda vez que canto essa música para ela, a primeira vez foi no dia 16 de outubro, aniversário de 12 anos do nosso casamento. Desde o dia que beijei essa menina pela primeira vez, só tenho alegria, só coisas boas. Ela é o anjo da minha vida, é a mulher que eu amo, ela é tudo pra mim”, confessou emocionado. Quando alguém na plateia gritou “hoje tem”, o cantor respondeu bem humorado “todos os dias tem”, arrancando aplausos do público.

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Com o retorno de Zezé ao palco, Luciano tentou acalmar o irmão. “Me troquei rápido durante o ensaio para poder assistir você e a Wanessa. Independente do vídeo, se deu certo ou não, vocês dois cantando juntos é uma bênção. O que vocês tem é o mais importante. Esquece o resto”, disse. Os novos sucessos “O Defensor” e “Flores em Vida” cercaram o grande clássico “É o Amor”, todos com erros técnicos perceptíveis. De entradas erradas a pausas para o recomeço. “Você Vai Ver” e “Pão de Mel” antecederam o encerramento do show, com a canção “Sonho de Amor”. Cansado – e provavelmente decepcionado, mal se ouvia a voz de Zezé nos números finais. “Milhões de desculpas pelos inúmeros incidentes, espero que vocês voltem outro dia para conferirem que o show não é como está”, pediu o vocalista principal antes de despedir-se. Os enormes sucessos “Vem Ficar Comigo”, “Dou a Vida Por um Beijo”, “Coração Está Em Pedaços”, “Na Hora H”, “Por Toda a Vida”, “Menina Veneno”, “Toma Juízo”, “Eu Não Faço Amor Por Fazer” e “Mexe Que é Bom” foram as canções substituídas para a segunda fase da turnê “Flores em Vida”. Perdas irreparáveis para os fãs mais antigos da dupla.