Fernanda Souza: “Me exponho, mas me mostro como realmente sou”

Você pode não ter visto algum dos comerciais que ela estrelou quando criança. Pode também não se lembrar da participação dela no extinto programa “X-Tudo” (1992), da TV Cultura. Mas, se você tem de 20 a 30 anos certamente se recorda de sua marcante participação como a órfã Mili, no fenômeno “Chiquititas” (1997). Não assistia SBT ou passou da idade citada faz tempo? Não tem problema.

Nossa entrevistada emprestou o rosto para inúmeros outros grandes sucessos. Em “Alma Gêmea” (2005) ela foi Mirna. Em “O Profeta” (2006), Carola. Em “Toma Lá, Dá Cá” (2007), Isadora. Todas na Rede Globo. Não assiste televisão? Nos cinemas ela esteve recentemente em “Muita Calma Nessa Hora” (2010) e “Muita Calma Nessa Hora 2” (2014). Prefere teatro?

A atriz rodou o Brasil com os espetáculos “Beijos de Verão” (2004), “Enfim, Nós” (2009) e “Um Sonho Pra Dois” (2012). Com esse último foi parar em Portugal. Em seu mais recente trabalho nos palcos, “Meu Passado Não Me Condena” (2013), ela atraiu mais de 100 mil pessoas em mais de 40 cidades. Não curte nada disso?

Se você lê o Setor VIP é porque a internet chegou em Marte possibilitando que você acompanhe a versão on-line do “The Voice Brasil”, o “The Voice Web” (2014). Pois é, ela também está lá. E aqui, claro!

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Fernanda Souza é artista desde sempre. E dessas artistas que se jogam no que tiver que ser contanto que a favor da arte. Foi isso que a fez gravar um disco e foi isso também que a fez mergulhar na “Dança dos Famosos” (2010). No primeiro projeto saiu desistente, no segundo vitoriosa. Em ambos com muita história para contar. São essas histórias que são apresentadas, com muito bom humor, em “Meu Passado Não Me Condena”. Nada fica de fora – nem as suas decepções – e o jeito espontâneo da atriz dá um toque especial ao espetáculo. O monólogo de cerca de uma hora e quarenta minutos de duração passa em um piscar de olhos. Quer saber a melhor parte? É de chorar de rir!

Em uma conversa exclusiva e super divertida com o Setor VIP, Fernanda falou sobre a peça, sobre a novela “Chiquititas”, sobre esporte, dança, reality-shows, o casamento com o cantor Thiaguinho e muito mais. Uma prévia do que é possível conferir no desbocado, inteligente e emocionante “Meu Passado Não Me Condena”.

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Setor VIP: Mais de 100 mil pessoas conferiram sua performance em “Meu Passado Não Me Condena”. Está feliz com o resultado?

Fernanda Souza: Claro! Dá uma sensação de dever cumprido. Mais do que dever cumprido, porque quando decidi montar a peça com o Léo (Fuchs), produtor e um dos meus melhores amigos, a gente não imaginou que o espetáculo fosse ganhar tanta força. É uma sensação de dever cumprido misturada com surpresa.

O espetáculo nasceu da vontade de contar sua história como em uma biografia?

Não! A intenção não é que seja biográfico, a intenção é contar histórias que poderiam ter sido comigo ou com qualquer atriz. Mostrá-las para que o público conheça como são os bastidores da minha profissão. Nunca pensei em fazer nada desse tipo. A ideia surgiu espontaneamente quando eu estava vendo uma peça do Marcelo Serrado (“Tudo É Tudo e Nada É Nada”, 2013) que, em determinado trecho, ele contava alguns momentos de bastidores da carreira. Pensei que isso podia dar um caldo legal. Em um jantar, conversei com o Léo e a peça foi nascendo. Eu não esperava que fosse ficar desse jeito e muito menos que eu fosse fazer uma peça assim desse tipo.

Estar sozinha no palco é resultado de uma carreira bem-sucedida?

Não sei te dizer, aconteceu. Se bobear foi mais da vontade de Deus, que permitiu que tudo isso acontecesse, do que minha. Fico tentando não pensar muito nisso, porque se eu parar para pensar que estou sozinha no palco, fazendo um monólogo, a surpresa ainda é muito grande para mim. Quando entro e vejo as plateias lotadas, é uma surpresa muito, muito, muito grande. Sinto muita gratidão por poder lotar uma casa como o Vivo Rio e poder lotar uma casa como o HSBC Brasil. Nunca imaginei que isso fosse acontecer com essa peça e realmente acontece, então fico tão feliz que não sei te explicar! (risos) Faço de todo o coração, de coração aberto, com muita verdade e acho que isso acaba fazendo com que o espetáculo ganhe um boca a boca muito grande, que é o que faz a peça lotar em cada lugar que passo.

O que de mais importante a experiência de começar a trabalhar tão cedo te proporcionou?

Começar cedo te amadurece mais rápido. Você tem mais responsabilidade e aprende mais rápido o seu ofício, porque criança aprende tudo muito rápido, além de te dar mais bagagem. Não vejo nada negativo em ter começado cedo. Apesar que, hoje em dia, se eu tivesse uma filha não sei se me empenharia como minha mãe se empenhou. Não sei dizer, porque hoje em dia o meio é muito concorrido. Na minha época as coisas eram mais tranquilas, acho que tinha menos gente fazendo isso. (risos) Hoje a concorrência é grande até para mim, imagina para uma criança! No meu caso, me acrescentou muita coisa e ter começado cedo teve um saldo bem positivo.

Você diria que em “Meu Passado Não Me Condena” você interpreta você mesma?

Muito pelo contrário! Não só não tem interpretação como muitas vezes quem me conhece se espanta por me ver entregue. Mãe é a única pessoa que realmente te conhece e ontem estávamos assistindo a matéria do “Estrelas” e ela dizia “minha filha não fala isso!” (risos) e ao mesmo tempo recebia uma mensagem de uma amiga dizendo “tô amando a entrevista”. (risos) Sou muito espontânea dando entrevista, ainda mais para as pessoas com quem eu convivo. A Angélica é minha amiga e minha madrinha de casamento, então esqueço que estou em uma entrevista e falo besteira. Acho legal você ser espontâneo, você ser humano, porque as pessoas se identificam. Na peça é a mesma coisa, eu não penso muito para falar, eu falo (risos), sou meio sem filtro, principalmente no palco porque me sinto muito à vontade e acho que o que o público quer ver é isso, querem ver a Fernanda sendo a Fernanda, não querem uma máscara, não querem um personagem, até porque personagem você vê na televisão, no cinema e no teatro. Nesse palco eu sou eu mesma, sou quem eu sou. Faço as brincadeiras que eu faço, falo do jeito que eu falo, brinco do jeito que eu brinco. Para os meus amigos é engraçado ver porque todos se surpreendem e dizem “é você mesma, né?”. Sou eu mesma e a intenção é essa!

É mais fácil?

Ou não, porque me exponho muito. Por mais que seja expor só coisas boas, mas me mostro como realmente sou. Se tiver vontade de espirrar, eu vou espirrar, se der uma coceira, eu vou coçar e não vou tentar disfarçar isso em nenhum momento. Teve um dia que tinha uma etiqueta de uma blusa me incomodando, parei a peça e falei “gente, deixa eu arrancar essa etiqueta chata”. Tentei arrancar e não consegui “alguém tem uma tesoura?” (imita como se perguntasse para a platéia) (risos), aí começou uma discussão sobre como as etiquetas estão grandes ultimamente, como elas incomodavam, que as marcas colocam três, quatro etiquetas em uma só blusa… (risos) Acho que é isso que tem que acontecer, entende? Ao mesmo tempo, dependendo do que acontece, você pode acabar se expondo demais. Tudo pode acontecer. Acho que você tem que tomar cuidado com o fato de ser muito verdadeiro ao mesmo tempo de tentar ser livre. É uma linha tênue.

O roteiro permite algumas mudanças dependendo da resposta do público?

Na verdade só reproduzo o que Deus fez acontecer comigo (risos), não criei as histórias, é quase um documentário baseado em fatos reais. (risos) Quando escrevi o texto, pensei em colocar as histórias mais divertidas e conforme vou lembrando detalhes vou colocando, outras piadas vão entrando no meio do caminho quando tenho insights sobre. Hoje minha mãe vai ver uma peça diferente da que ela viu a seis meses atrás, isso acontece.

>> Mais trechos de “Meu Passado Não Me Condena” no canal do Setor VIP no YouTube!

Você tem uma carreira cheia de grandes conquistas, mas na época de “Chiquititas”, por ter sido um fenômeno nacional, teve medo de estar no seu ápice profissional?

Eu tinha 13 anos, então não pensava nisso. Minha mãe deve ter pensado porque ela quis que eu saísse da novela justamente para não ficar marcada como uma atriz de um só personagem e não conseguir outros trabalhos, mas eu não pensei em nenhum momento.

Adulta e perante as dificuldades que enfrentou, chegou a cogitar desistir da carreira ou seguir com algo paralelo?

Não.

Sempre soube que era isso que queria?

Sempre!

Você nasceu na Vila Matilde, Zona Leste de São Paulo…

Isso!

Onde morou até os 12 anos, quando se mudou para Buenos Aires para gravar “Chiquititas”. Se lembra da sua infância no bairro?

Lembro! Era um bairro muito tranquilo. Lembro dos meus vizinhos de prédio… Fui uma criança criada em condomínio, então eu não brincava na rua, pelo contrário. Morava em uma avenida movimentada então nem tinha como brincar. Me lembro do meu colégio (Escola Diocesana Virgem do Pilar) que apesar de ser longe, às vezes ia ou voltava andando… (saudosista)

E em relação a atuação, se lembra como surgiu a vontade de seguir essa carreira?

Quando eu estava com 5 anos pedi ao meu pai para fazer comerciais porque via as meninas na televisão e fiquei com vontade de fazer também, mas não me lembro disso de jeito nenhum. O que tenho de lembranças mais claras é de fazer testes quando criança, dos lugares… Às vezes, em São Paulo, passo por um lugar onde fiz teste e me lembro de como eu chegava, de onde era o ponto do ônibus, onde eu descia, o quanto eu andava para chegar até ali, isso eu me lembro. Lembro de algumas crianças que fizeram teste comigo, como a Paloma Bernardi com quem eu fazia teste desde criança. Esses dias a Luiza Possi me encontrou e contou que lembrava de mim sentada me maquiando em uma cadeira ao lado dela, disse que me olhou e pensou “que menina bonita”. Tínhamos uns 8 ou 9 anos, mas eu não me lembro. Os momentos que mais me lembro são a partir de uns 10 anos.

Então a mudança dos comerciais para as novelas foi natural?

Foi!

Não teve uma decisão…

Não, não! Por isso que digo que os tempos eram outros. Nunca imaginei fazer novela nessa idade e ninguém pensou “vamos colocar ela para fazer comerciais visando um dia novela da Globo”. Eu era de São Paulo, fazia testes para comerciais e era isso. Na cabeça da minha mãe era uma brincadeira e um dia eu falaria que não queria mais e teria outra profissão. Nunca teve a intenção de alguma coisa acontecer, foi acontecendo e foi muito gostoso porque foi uma surpresa. Não tive a frustração de quando você quer muito uma coisa e ela não acontece. Quando vi já estava acontecendo.

Você é apaixonada por esportes. Como nasceu sua paixão pelo Muay Thai?

Encontrei com minha amiga Fernanda Pontes na inauguração de uma loja e ela contou que estava praticando. Perguntei como era e ela explicou que você não bate em ninguém, que os exercícios eram no saco de boxe, na manopla e não havia contato físico. Fiquei interessada e ela disse que eu deveria experimentar um dia. Experimentei, gostei e nunca mais parei. Fiz um tempo em um lugar e agora comecei a fazer aula particular com um professor. Eu amo! Faço 50 minutos sorrindo.

A busca pelo esporte foi por saúde, por estética…

Por tudo! Na minha profissão você tem que se cuidar e seu corpo está sempre em função do seu personagem. Eu gosto de ser uma pessoa saudável e fazer atividade física te dá pique. A gente trabalha pra caramba então precisa ter. Passo uma hora e meia no palco, de salto, andando pra cima e pra baixo (risos), então tenho que ter um condicionamento e a atividade física me dá isso.

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Falando em exercícios físicos, você participou da “Dança dos Famosos”…

Preciso inclusive postar uma coisa para a Paloma!

Você parecia se divertir demais. Sente saudade?

Era muito gostoso fazer, a gente se divertia bastante mas, ao mesmo tempo, era muito difícil. Por mais gostoso que seja dançar e fazer uma coisa que você nunca fez, é muito difícil você ter que fazer uma coisa que você nunca fez na vida. É gostoso aprender, mas difícil fazer. (risos) Eu sou zero competitiva e não achava graça aprender em uma competição. Não acho graça competir com nada, nem ninguém. Então essa parte era um pouco mais difícil, sem contar que dançar é muito difícil para mim. Mas você cria mecanismos para fazer dar certo, você se dedica, vence desafios, aprende a lidar com pressão, com o psicológico, conhece o seu corpo melhor… Partindo desses princípios é muito gostoso!

E depois desse reality-show, você foi parar no “The Voice”…

Que é outro reality! (empolgada) Eu adoro reality!

Você assiste?

Amo! É um dos formatos que eu mais gosto de assistir. Para mim o reality-show é quase uma novela e eu sou fissurada em novela, gosto muito de assistir! Gostei muito de ter participado e sou super orgulhosa de ter ganhado um reality da Endemol (risos) uma das maiores produtoras de reality-show do mundo! (risos) É quase como ganhar um “Big Brother”! (risos) Eu realmente não esperava ganhar, fiquei muito feliz, foi uma surpresa muito grande! Até falo sobre isso na peça! Antes de apresentar eu era viciada em “The Voice”. Na final do ano passado fui assistir! Fiquei no camarim com a Cláudia (Leitte) esperando começar. Nunca imaginei na minha vida que eu participaria de um reality como apresentadora. Estou super feliz!

Apresentando um programa de música, preciso te perguntar: o que você escuta?

Ouço de tudo, mas não escuto muita música. Quem ouve mais é o Thiago*, então normalmente ouço o que ele ouve: Black Music, Hip-Hop, R&B, Música Brasileira e Samba. Mas eu escuto de tudo um pouco, de Beyoncé a Arlindo Cruz.

*A atriz é noiva do cantor Thiaguinho.

E os preparativos para o casamento?

Fluindo. Não estou nervosa porque faltam quatro meses, então ainda tem tempo. Às vezes fico ansiosa, por exemplo, na quinta-feira o Thiago foi ao casamento do assistente dele e chorou pra caramba. Eu disse para ele: “Se chorou assim no dele, imagina no nosso!” (risos) Obviamente no dia a gente vai estar mais nervoso, ansioso, emocionado, mas agora ainda não…

Durante a turnê você chegou a se apresentar em lugares do Brasil que ainda não conhecia?

Será? (pensativa) Não sei, se teve acho que um ou outro. Sempre viajei bastante com peça, então é difícil que eu não tenha ido em um lugar. Por exemplo, Manaus foi um lugar que eu já tinha ido, mas não tinha feito os passeios que fiz dessa vez, tem lugares que por mais que eu esteja indo pela segunda ou terceira vez acabam sendo diferentes.

Então você consegue aproveitar?

Consigo, claro! Um dos sonhos da minha vida era nadar com os botos e em Manaus fui até o lugar e nadei. (risos) Conheci o Ariaú Amazon Towers que é um hotel lindo, vi os macaquinhos… Quando estou em um lugar e é um lugar que quero conhecer, eu vou com certeza!

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