Gal Costa celebra a vida e a carreira com espetáculo “Estratosférica”

(Foto: Setor VIP / Filipe Vicente)

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“Estratosférica” é o nome do último disco e do mais recente show da cantora Gal Costa. Parte fundamental da história da Música Popular Brasileira, a baiana de 70 anos preserva intactas as características que a tornaram sucesso no Brasil: o carisma e a voz. No último sábado (16), Gal se apresentou para uma plateia animada e participativa, no Tom Brasil, em São Paulo. “Tenho me jogado no mundo de peito aberto, sem medo e nem esperança, tentando não sofrer demais com a expectativa, nem com a saudade”, discursa após as canções “Sem Medo Nem Esperança”, “Mal Secreto”, “Jabitacá” e a bonita “Não Identificado”. “Esse show é uma celebração. Bem-vindos e espero que vocês se divirtam”, completa antes da popular “Namorinho de Portão”.

“Ecstasy” e “Casca” antecedem “Dez Anjos”, composição de Milton Nascimento. Após as recentes canções, “Acauã”, de 1969, mistura a iluminação poética e a grande voz da artista, com as batidas eletrônicas presentes esporadicamente nos trabalhos de Gal Costa a partir de “Recanto” (2011). Com direito a muita bateção, “Cabelo” é ovacionada pelos espectadores. Um dos muitos destaques da carreira da cantora é seguido por “Quando Você Olha Pra Ela”, composta por Mallu Magalhães, e “Cartão Postal”, de Rita Lee. Antes de “Pelo Fio”, canção inédita incluída apenas no repertório do show “Estratosférica”, Gal conta que a música foi escrita especialmente para ela por Marcelo Camelo. “Três da Madrugada”, o número mais emocionante da noite, pode ser considerado um dos momentos mais bonitos da histórica carreira da artista.

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(Foto: Setor VIP / Filipe Vicente)

“O professor perguntou algumas questões para o meu filho na aula de geografia. Ele acertou e disse ‘sou foda’. Aí o professor o expulsou da sala de aula. Coitadinho!”, contou em forma de piada, arrancando risadas do público. “Eu disse que ele tinha que aprender a respeitar o professor… e pai e mãe também!”, brincou em tom de ameaça. “Esse é um breve momento para lembrar do passado”, avisou arrancando gritos eufóricos da plateia. “Vocês gostam do meu passado, né? Meu presente é bom também”, alfinetou divertida. “Para essa lembrança do passado ser completa, só ficaram faltando as pernas”, brincou antes de completar que as pernas podem ser vistas no YouTube. “Vou relembrar a primeira canção, mas não toco violão no palco faz muitos anos. Não sei tocar mais”, concluiu modesta dizendo se sentir envergonhada em estar com o instrumento na frente de Maria Gadú, presente na plateia.

“No dia em que conheci Caetano Veloso, ele havia me visto cantar, gostou e veio até mim me perguntar quem era em minha opinião o maior cantor do Brasil. Respondi que era João Gilberto. Ele pegou o violão da minha mão, concordou e… essa música é dele e eu vim a gravar anos depois”, relembrou saudosista. “Vou arranhar o violão, mas o momento, a atmosfera é bonita e isso que é importante”, divertiu-se antes da belíssima interpretação da canção “Sim, Foi Você”. “Tocar violão é como andar de bicicleta…”, divagou antes de “Como Dois e Dois”, “Pérola Negra” e “Por Baixo”, composição de Tom Zé, com citação de “Aquarela do Brasil”. “Arara”, “Estratosférica” e “Os Alquimistas Estão Chegando”, de Jorge Ben Jor, anunciavam a despedida de Gal Costa, que retornou ao palco para o grande sucesso “Meu Nome é Gal” e “Vingança”, de Lupicínio Rodrigues, uma canção “fora do contexto, mas… ficou sendo o bis”, resumiu antes de se despedir jogando beijos para o público.

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A estrutura de “Estratosférica” conta com uma banda de quatro músicos, frente a um cenário simples e estático. O desenho abstrato brilha discretamente nos momentos em que as luzes refletem no painel. A iluminação é um show à parte. Cada número possui um desenho completamente diferente um do outro. Em determinados momentos, os canhões vem apenas da direita, do chão ou apontam para a plateia. Sem considerar a estrela principal, a iluminação é o grande destaque de “Estratosférica”.

Usando um vestido florido em tons de rosa e verde, com babados que harmonizam com seus cachos – uma de suas marcas registradas -, Gal Costa não escondeu sua boa forma, tampouco sua alegria. São quase 40 álbuns, incluindo parcerias com Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil; discos gravados ao vivo em Londres e Nova York; e revisitas às obras de Ary Barroso, Dorival Caymmi e Tom Jobim. A cantora não economizou cumprimentos e se utilizou de seus maiores e mais sinceros sorrisos para mostrar ao público sua gratidão pelos bem-sucedidos e merecidos mais de 50 anos de carreira.

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(Foto: Setor VIP / Filipe Vicente)