“Ghost – O Musical”: efeitos transportam clássico dos cinemas para os palcos

Sam e Molly estavam vivendo o melhor momento de suas vidas, quando um assalto pôs fim à existência do rapaz na realidade física. No plano espiritual, Sam descobre que o incidente era, na verdade, parte de uma armação do melhor amigo do casal, Carl. Com a ajuda de Oda Mae Brown, o mocinho consegue entrar em contato com sua amada e avisá-la dos perigos que ela corre. Por trás da simples sinopse, está escondido um dos maiores clássicos da história do cinema. “Ghost” (1990) é responsável por um romance inesquecível e por algumas das cenas mais emocionantes da sétima arte no mundo. Em cartaz no Teatro Bradesco, em São Paulo, “Ghost – O Musical” é, sem dúvidas, um dos espetáculos mais difíceis de se produzir. São centenas de detalhes e efeitos especiais que tentam reproduzir ao vivo para o público o que acontece nos cinemas.

(Foto: Divulgação)

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A iluminação assinada por Paul Miller é a principal responsável pela divisão dos planos. A partir da morte do personagem, Sam é acompanhado por um foco de luz que o deixa mais claro que o elenco responsável pela interpretação dos personagens que habitam o planeta em carne e osso. O cenário de Renato Theobaldo é formado por uma série de telões que funcionam para os efeitos principais, mas que decepcionam em cenas mais simples. Em determinados momentos, é possível enxergar entre as telas, e a falta de nitidez impede que o público enxergue como foram criadas as ilusões. Porém, em algumas mudanças de cena (os telões projetam desde as paredes da casa de Sam e Molly até lugares específicos de Nova York), parte das telas demoram a substituir a imagem, piscam a projeção ou simplesmente não funcionam. Quando o cenário se mantém conforme planejado, alcança o público com certo impacto. Os objetos cênicos que complementam espaços como o apartamento do casal protagonista e o local em que Oda Mae Brown recebe seus clientes, são bem feitos e seguem as principais características dos personagens. Na mesma linha, o impecável figurino assinado por Miko Hashimoto é um dos grandes acertos do musical, uma vez que remete ao clássico longa-metragem. Destaque para as criações que fazem parte do guarda roupa das personagens Molly e Oda Mae.

As principais cenas do filme estão presentes em “Ghost – O Musical”. No momento em que Sam encontra o Fantasma do Metrô, os efeitos especiais e o excelente tempo de André Loddi (que é empurrado algumas vezes pelo Fantasma que não o quer em seu vagão) seguram o andamento do espetáculo. A clássica cena em que o rapaz abraça Molly, enquanto sua amada trabalha em uma peça de cerâmica, é prejudicada pela rápida duração e pelo encontro de vozes ao interpretar o tema “Unchained Melody”, que é cantado ao vivo e tocado no rádio ao mesmo tempo. Os grandes acertos da direção, assinada por José Possi Neto, são as bem ensaiadas cenas das almas saindo dos corpos dos personagens que morrem durante o espetáculo (embora um dos cadáveres suma de cena sem explicação) e a sensível dança, quando Sam se ocupa do corpo de Oda Mae para que ele e Molly possam se tocar mais uma vez.

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Ludmillah Anjos arranca gargalhadas e muitos aplausos da plateia como a trambiqueira Oda Mae Brown. Apesar da potente voz, a atriz perde o controle de sua atuação em diversos momentos. Claramente inspirada na interpretação de Whoopi Goldberg, Anjos se apoia no fato de que qualquer personagem que lembre o trabalho de Goldberg, fará um sucesso estrondoso com o público. A principal diferença entre as artistas é que Whoopi, apesar dos papéis excêntricos, nunca é exagerada. Recentemente, o Brasil montou o espetáculo musical “Mudança de Hábito” (2015), um dos grandes sucessos da carreira da norte-americana. A cantora Karin Hills, responsável pela personagem Deloris/Irmã Maria Clara, acertou em cheio na altura da voz e na precisão dos movimentos, uma perspectiva que faltou à direção de “Ghost – O Musical”.

André Loddi e Giulia Nadruz, responsáveis por interpretar os papéis que foram de Patrick Swayze e Demi Moore nos cinemas, formam um casal surpreendente. A sintonia dos artistas é admirável e prazerosa de acompanhar. Ambos vão muito além da beleza, se mostram seguros e transmitem claramente ao público as inúmeras sensações que seus personagens tem durante o espetáculo. Nadruz se destaca por sua belíssima voz, que somada às grandes emoções vividas pelo público na história original, é capaz de comover multidões. André e Giulia são, sem dúvidas, o grande acerto de “Ghost – O Musical”. Destacam-se ainda Igor Miranda (Carl), Lola Fanucchi (Fantasma do Hospital) e Franco Kuster (Willie). Abner Depret, Agata Matos, Anelita Gallo, Arízio Magalhães, Débora Veneziani, Fernando Marianno, Johnny Camolese, Josi Lopes, Marisol Marcondes, Pamella Machado, Rafael Machado, Renato Bellini, Rodrigo Garcia e Thais Piza completam o elenco.

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Nem se “Ghost – O Musical” fosse perfeito em tudo que se propõe, alcançaria o que o filme significa para a geração que pôde acompanhar a história nos cinemas. Independente do fato, o espetáculo é uma bela homenagem e uma forma lúdica de matar a saudade de uma das produções mais aclamadas de todos os tempos. “Ghost – O Musical” está em cartaz no Teatro Bradesco (Shop. Bourbon – Rua Palestra Itália, nº 500 – Pompéia), em São Paulo, às quintas (21h), sextas (21h), sábados (21h) e domingos (20h). Haverá uma sessão extra no dia 12 de outubro às 21h. Os ingressos custam de R$20 (meia) a R$190 (inteira) e podem ser encontrados no Ingresso Rápido. O espetáculo tem duração de 2 horas e 30 minutos e possui um intervalo de 15 minutos. Até 11 de dezembro. Estrela1 Estrela1 Estrela1