“Incêndios” despede-se de São Paulo e comemora retorno ao Rio de Janeiro

Nos últimos 14 anos, a atriz Marieta Severo esteve à frente do seriado “A Grande Família”, na Rede Globo, interpretando a carinhosa personagem Dona Nenê. Durante o programa, a carioca de 68 anos não deixou de lado sua paixão pelo cinema – onde pôde ser vista, por exemplo, em “A Dona da História” e “Cazuza – O Tempo Não Pára”, ambos de 2004 – e nem pelo teatro.

“Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?” (2000), “Os Solitários” (2002), “Sonata de Outono” (2005) e “As Centenárias” (2007) foram alguns dos espetáculos teatrais que a atriz esteve envolvida nos últimos anos. Na peça de 2007, foi dirigida pelo atual marido, Aderbal Freire-Filho com quem voltou a trabalhar em “Incêndios” (2013). Prestes a completar 50 anos de carreira, Marieta comemora o fim da bem-sucedida temporada paulista e prepara-se para a última reestreia de “Incêndios” no Rio de Janeiro.

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Somando as duas passagens anteriores, “Incêndios” ficou em cartaz por oito meses em terras cariocas. Após apresentar-se em Vitória, Porto Alegre e Belo Horizonte, o espetáculo chegou à capital paulista para uma curta temporada de três meses.

Tempo bastante para comprovar o valor do projeto, mas insuficiente para saciar a curiosidade do público que esgotou as entradas de todas as sessões por onde passou. Em algumas cidades, os ingressos chegaram a sumir das bilheterias dois meses antes das apresentações. Após a temporada regular, “Incêndios” retorna ao Teatro Poeira, no Rio de Janeiro, em temporada popular a partir de janeiro. O mesmo aconteceu na capital paulista, na última semana, onde a trupe apresentou-se a preços acessíveis no Auditório Ibirapuera, para encerrar de vez a passagem por São Paulo.

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Na história, um casal de irmãos gêmeos recebe instruções incomuns durante a leitura do testamento da mãe. Em meio à busca da verdade, os jovens descobrem ser herdeiros de uma história de amor, ódio, luta, sofrimento e esperança.

Com mais de duas horas de duração, o roteiro assinado pelo libanês Wajdi Mouawad, surpreende pela criatividade, forte carga dramática e dualidade de sentimentos por parte da protagonista. Marieta Severo, aliás, mostra-se entregue ao papel que divide os holofotes com grande elenco. Ao interpretar as fases de Nawal – da juventude à morte – a atriz convence com gestos, olhares e detalhes discretos, que passariam despercebidos aos olhos de expectadores distraídos, mas que se tornam brilhantes na interpretação de Marieta, chamando a atenção do público para cada sentimento de sua personagem.

Outro destaque da companhia é o ator Felipe de Carolis. Idealizador do projeto, Carolis comprou os direitos do espetáculo após assistir a adaptação da peça para o cinema, dirigida pelo canadense Denis Villeneuve e indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010. O intérprete de um dos gêmeos, Simon, convence o público com sua interpretação única de um jovem confuso pelo relacionamento conturbado que teve com a mãe nos anos que antecederam sua morte.

Foto: Leo Aversa - Crédito obrigatório.

Apesar de aparentar simplicidade inicialmente, o cenário de Fernando Mello da Costa e a iluminação de Luiz Paulo Nenen, compõem “Incêndios” como personagens à parte. Completam o elenco Keli Freitas (Jeanne), Marcio Vito (Hermile Lebel), Kelzy Ecard (Sawda), Flávio Tolezani (Ralph / Miliciano / Nihad), Isaac Bernat (Wahab / Médico / Guia / Abdessamad / Fahim / Malak / Chamsedinne) e Fabianna de Mello e Souza (Jihane / Elhame / Nazira/ Marie / Fotógrafa).

A montagem brasileira de “Incêndios” recebeu dezenas de prêmios, incluindo o Prêmio APTR de 2013 para Melhor Cenografia, Melhor Atriz Coadjuvante (Kelzy Ecard), Melhor Atriz (Marieta Severo) e Melhor Espetáculo, além do Prêmio Shell de Melhor Direção.