Isabel e Leopoldina refletem sobre história do Brasil em “A Despedida”

(Foto: Felipe Quintini)

Desde junho, o CCC – Centro Compartilhado de Criação, em São Paulo, recebe a montagem do espetáculo teatral “A Despedida”. Realizada pela Cia Meia Um, a produção independente aborda parte da relação entre Brasil e Portugal através de um momento específico da história da Princesa Isabel e de sua irmã Leopoldina. Escrito por Hanna Reitsch com colaboração de Iuri Saraiva, o texto evidencia questões políticas e culturais da época que ainda permanecem presentes nos tempos atuais, com ênfase no papel que a figura feminina exerce na sociedade e como sua representatividade pode ser vista de diferentes formas.

Filha do imperador Pedro II, Isabel (Nina Dutra) se encontra com sua irmã Leopoldina (Giulia Nadruz), falecida aos 23 anos. A Princesa Imperial do Brasil discute seu lugar na monarquia, aconselha-se sobre suas decisões políticas e confessa suas vontades e decepções em relação à sua vida particular. “A Despedida” relembra de maneira superficial alguns dos pontos mais marcantes da vida de uma das figuras políticas mais importantes do país, sem deixar de lado a dificuldade de gerar um herdeiro e a decisão de assinar a Lei Áurea, documento que extinguiu a escravidão no Brasil a partir de 1988.

(Foto: Felipe Quintini)

Dirigida por Iuri Saraiva, “A Despedida” é resultado de uma pesquisa teatral da companhia. Giulia Nadruz é conhecida pelo público que acompanha os espetáculos musicais do eixo Rio-São Paulo. Entre outros papéis, a cantora esteve à frente do espetáculo “Ghost”, como a personagem Molly Jensen, papel de Demi Moore no longa-metragem de 1990. Nadruz provoca a plateia com sua belíssima voz ao cantarolar no início do espetáculo. A artista impressiona, assim como Nina Dutra, pela seriedade com que exerce seu papel e pela concentração na troca de olhares com o público. Embora Isabel e Leopoldina fossem loiras, as atrizes convencem como as irmãs, pois possuem um número considerável de características físicas parecidas, tanto quanto as princesas.

Dutra ainda chama atenção ao lado de Mateus Ribeiro na cena em que ambos têm uma espécie de luta corporal. O momento comprova um preparo físico provavelmente ensaiado à exaustão para a perfeição conquistada, e firma a classificação de “A Despedida” como um espetáculo teatral de gênero alternativo. O cenário assinado por Graziela Bastos conquista maior ludicidade somado ao bonito desenho de luz criado por Drika Matheus. A trilha-sonora é executada ao vivo pelos músicos Roman Sielert (percussão), Gustavo de Oliveira (violão) e Tiago Maci (violão e bandolim). Completam o elenco, os atores Rafael Pucca e Bruno Gasparotto.

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(Foto: Felipe Quintini)

“A Despedida” está em cartaz no CCC – Centro Compartilhado de Criação (Rua Brigadeiro Galvão, 1010 – Barra Funda), em São Paulo, aos sábados (21h), domingos (20h) e segundas-feiras (21h). Os ingressos estão disponíveis através do site oficial da Sympla e custam de R$15,00 (meia) a R$30,00 (inteira). São Apenas 40 lugares por sessão. “A Despedida” possui 60 minutos de duração e classificação indicativa para maiores de 12 anos. Para conhecer mais sobre a Cia Meia Um, acesse a página oficial do grupo no Facebook. Até 30 de julho. Estrela1 Estrela1