Johnny Massaro: “Todos os trabalhos que participei foram muito especiais”

(Foto: Cíntia Carvalho / Setor VIP)

À meia luz, deitado em seu camarim, acompanhado por um livro e vestido com o figurino de seu personagem, Johnny Massaro recebe o Setor VIP para uma conversa exclusiva. É o último fim de semana do espetáculo “Estranhos.com” em São Paulo, antes da aguardada estreia no Rio de Janeiro. Na peça, Massaro atua ao lado de Deborah Evelyn, sua colega de elenco em “A Regra do Jogo” (2015), uma das mais recentes produções da Rede Globo.

O ator estreou na televisão na novela “Floribella” (2005), da Rede Bandeirantes. Após a participação no folhetim infantil, Johnny conquistou o público adolescente com o personagem Fernandinho, que rendeu ao ator quatro anos de muito trabalho em “Malhação”. Na Rede Globo desde 2007, Massaro esteve em “Guerra dos Sexos” (2012) e “Meu Pedacinho de Chão” (2014), além de participar das séries “Divã” (2011), “A Grande Família” (2013) e “Amorteamo” (2015).

Aos 25 anos, Johnny Massaro pensa muito bem antes de responder qualquer pergunta, por mais simples que seja. Contido nas palavras, mas bastante sorridente, o artista se mostra bem menos seguro do que seu personagem em “Estranhos.com”. William ficou famoso após publicar suas aventuras sexuais na internet. O jovem encontra Olivia, uma escritora que admira, mas que não confia tanto em suas capacidades profissionais.

(Foto: Cíntia Carvalho / Setor VIP)

Você se identifica com seu personagem?
Engraçado, é uma pergunta que eu nunca me importei em fazer. Parando para pensar, nem sei se faço isso, no final das contas. Agora você perguntando, tenho que trazer à tona… (pensativo) acho que sim, acho que sim. Tem algo no meu personagem que acho encantador, que não sei se tenho, mas gostaria de ter, que é essa maneira muito prática e objetiva de lidar com os sonhos e com os desejos, sabe? Porque para ele é muito fácil, o que ele quer que aconteça, ele faz acontecer, mais do que perder tempo pensando em outras coisas como a personagem da Deborah faz, com medos, anseios e ansiedades. Ele se joga e eu gosto bastante disso. (risos)

Como está sendo a experiência de trabalhar com a Deborah?
Nossa, está sendo maravilhoso! Está sendo realmente muito, muito, muito gostoso! Uns amigos meus vieram assistir ao espetáculo ontem e disseram “nossa, como vocês tem química! Mas vocês já trabalharam juntos, né?” e eu respondi que sim, mas que a gente nem se encontrava direito! Então, eu realmente acho que o encontro se deu muito aqui, né? Quando começamos a falar de fazer a peça, estava super receoso e, após ler o texto, falei com a Deborah que precisávamos ver se teríamos essa afinidade de fato, e aí a gente fez a leitura, foi ótimo e está sendo cada dia melhor. Fico brincando com a Deborah que todo dia eu vou sair da peça dizendo “nossa, como é gostoso fazer!” e sempre é. (risos) É uma parceira incrível, no palco e na vida.

Você sonha em dividir o palco com outros atores que admira?
Dividir o palco? (pensativo) Cara, eu tenho tido tantas boas oportunidades sem nunca ter pensado sobre elas antes delas acontecerem, que eu prefiro nem… (risos) Porque acho que vai limitar, sabe? (risos)

Deixa o universo trazer…
Vou deixar o universo trazer e depois a gente conversa. (risos)

O que fez você embarcar nesse projeto?
A Deborah e o Emílio (de Mello, diretor). Quem me ligou primeiro foi o Emílio e eu o admiro muito. Na época eu ia viajar, porque tinha acabado um trabalho, sabia que ia começar outro em determinado momento e não teria férias. Tinha ido encontrar meu irmão no dia para planejar uma viagem pela América Latina e aí o Emílio me ligou. (risos) “Tá, tá bom, só porque é você. Me manda aí…” (risos) Foi muito porque são os dois.

E há alguma parte do texto que você goste mais?
Eu gosto muito do começo, da primeira cena. Principalmente pelas coisas que o Emílio trouxe para ela, que não estão a priori no texto. Essas camadas que ele trouxe me fizeram achá-la extremamente interessante. Como é o início do jogo, define muito o resto da peça. E também da última, muito também por conta de coisas que o Emílio trouxe, de não mostrar um sentimentalismo óbvio nesse reencontro depois de tanto tempo, então… pode ser meio clichê dizer a primeira e a última cena, mas eu gosto bastante das duas.

A peça fala bastante sobre tecnologia e literatura. Qual a sua relação com tecnologia?
Cara, confesso que eu sou mais viciado do que eu gostaria, mas menos do que a média. (risos) Mas bem mais do que eu gostaria, principalmente no Instagram. Não tenho Twitter e tenho um Facebook escondido. (risos) Mas o Instagram eu uso muito, o Whatsapp também. Teve uma época que eu apagava os aplicativos. Até hoje não tenho o aplicativo do Facebook, por exemplo, para não ficar nesse vício terrível. Acho mesmo que tem muita coisa boa, mas é uma tecnologia muito nova e a gente fica sugado. Acho que a gente precisa aprender a dosar.

E com a literatura?
Ah, achei que você ia me perguntar se eu gostava de ler e eu ia usar a mesma lógica! (risos) Estou com muita dificuldade de ler coisas longas, até por conta dessa facilidade do celular, então eu estou apostando em artigos, contos e poesias, que tem funcionado bastante. Os livros longos que comecei, parei. Também já parei livros curtos. (risos) Tenho encarado isso de uma maneira positiva, porque é um horror essa obrigatoriedade de querer chegar até o fim, né? A gente não precisa disso, acho que tem tanta coisa hoje em dia, que a gente pode se dar ao luxo de parar quando perceber que não é mais aquilo… e isso acontece muito com livros, mas agora estou lendo um de artigos que está rolando super. (risos) É mais curto, então não me dá o desespero de não estar chegando no fim.

Quais eram suas referências de criança que fizeram você pensar em atuar?
“Chiquititas”! (risos)

Foi “Chiquititas” que fez você…
Foi! Eu queria muito fazer “Chiquititas”! (risos) É seríssimo! (risos) Engraçado que meu primeiro trabalho na televisão foi “Floribella”, que era baseado em “Floricienta”, que era da Cris Morena, autora de “Chiquititas”, que eu conheci pessoalmente aqui no Brasil por causa de “Floribella”. (risos) Não foi “Chiquititas”, mas foi “Floribella”. (risos)

Tem algo que você aprendeu trabalhando desde cedo que você aplica na sua vida profissional até hoje?
Tem. O que eu “aprendi” é que eu preciso me colocar constantemente em aprendizado. Mesmo que eu não me coloque, tudo é sempre um aprendizado no final das contas. Acho que foi até nesse livro que estou lendo, que li que o ator é o único artista, dentro de todas as áreas, que usa o próprio corpo, que coloca o próprio corpo e as próprias emoções em jogo… porque estou falando isso mesmo?

Estávamos falando sobre o que você aprendeu trabalhando desde muito cedo…
Isso! (risos) Então… esse estado e esse desejo de constante aprendizado tem muito a ver com isso, de se colocar sempre mais disponível e o mais errado possível, dentro das possibilidades do que está sendo feito, né?

Destacaria algum de seus trabalhos como um trabalho marcante? Não necessariamente o mais importante, mas um dos…
Quando você começou a falar eu pensei “nossa! não vai me vir nada!”. Comecei a pensar e vieram todos, exatamente todos! (risos) Os que eu acho que não tiveram um resultado legal, foram gostosos de fazer. Todos tem um lugar muito… um lugar dentro… (pensativo) Obviamente tem um momento especial, que é a novela “Meu Pedacinho de Chão”, que me trouxe muitas coisas que, se talvez eu não tivesse feito, não teriam acontecido. Tenho essa sensação de especialidade desse trabalho por conta disso, sabe? Acho que mais coisas foram abertas a partir daquilo, é especial a partir daquilo. Mas todos foram muito especiais, sinceramente.

Existe alguma marca que você queira deixar com seu trabalho a longo prazo?
(Pensativo) Fico pensando que qualquer sentimento (alonga as vogais) que eu puder causar… (pausa) não queria que isso soasse em um lugar de vaidade ou de qualquer coisa do tipo, porque espero que não seja sobre isso, mas qualquer coisa mesmo, por menor que seja. As coisas do jeito que estão arranjadas… (pausa) é muito interessante que a gente sinta medo, que a gente sinta raiva, que a gente sinta ódio para a máquina continuar funcionando. Acho que qualquer coisa que eu possa mover ao contrário disso é interessante. Fico pensando que os jornais, por exemplo, tiram muito a nossa potência como ser humano, no sentido que injetam na gente o medo de existir, né? Em algum lugar como marca, gostaria… (pausa) algum sentido de coragem, de afeto. Não sei. É muito impalpável no final das contas. Então acho que qualquer coisa. (risos)

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(Foto: Cíntia Carvalho / Setor VIP)

“Estranhos.com” tem estreia marcada para 19 de maio no Teatro das Artes (Shopping da Gávea – Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea), no Rio de Janeiro. O espetáculo terá sessões sextas (21h), sábados (21h) e domingos (20h). Os ingressos custam de R$25,00 (meia) a R$80,00 (inteira) e podem ser comprados através do Divertix. Inicialmente até 02 de julho. “Estranhos.com” é indicado para maiores de 14 anos e tem duração de 90 minutos.