Jorge Ben Jor e Seu Jorge esquentam público com show “Os 2 Jorges”

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No último sábado (12), o Espaço das Américas recepcionou dois dos mais criativos artistas da Música Popular Brasileira. Jorge Ben Jor e Seu Jorge se apresentaram na capital paulista com o show “Os 2 Jorges”. Com ingressos esgotados, era quase impossível caminhar livremente pela pista de quase 3.500m², sem contar o hall, o camarote e o mezanino. Todos lotados. Ambos os artistas tem uma agenda controlada e não é fácil assisti-los. A turnê conjunta tem sido trabalhada com pouquíssimas datas, o que aumenta ainda mais a procura de ingressos e a curiosidade do público.

Aos 70 anos, Jorge Ben Jor é um dos mais conceituados artistas do Brasil. Suas canções misturam elementos nacionais como o samba, a bossa nova e o maracatu, com o rock, o soul e o funk norte-americanos, transformando seu trabalho em um samba-rock único, que nenhum artista consegue reproduzir. Carioca da gema, nascido em Madureira e criado em Rio Comprido, o Flamenguista roxo (“Eu sou fla-fla, ela é mê-mê…”) que sonhava ser jogador de futebol, agitou as mais de 6 mil pessoas que aplaudiam, cantavam e dançavam todas as suas canções.

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Com “A Banda do Zé Pretinho”, nome dado ao conjunto de músicos que o acompanham, o artista seguiu à risca a letra de um de seus maiores clássicos e animou a festa que contou com sucessos como “Jorge da Capadócia”, “Santa Clara Clareou”, “Zazueira”, “Que Maravilha”, “Ive Brussel”, “Por Causa de Você, Menina”, “Spyro Gyro” e “Estão Chegando os Alquimistas”. Sem conversar com o público, Jorge Ben Jor demonstrava sua alegria com interrupções no meio das canções (“Salve simpatia!”), muitos gritos animados (“Uou!”) e uma energia inesgotável, que contagiou a plateia e se manteve até o fim da apresentação que durou 1h30.

Os maiores hits dos 35 álbuns oficiais lançados (27 de estúdio e oito ao vivo) enlouqueceram o público. “País Tropical”, “W/Brasil (Chama o Síndico)”, “Filho Maravilha” e “Mas Que Nada”, seu primeiro sucesso, gravado no início dos anos 60 e lançado em 1963, não faltaram. Apenas a ausência de “Taj Mahal” foi sentida. O “síndico” Tim Maia foi homenageado em “Do Leme ao Pontal”.

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Elegantérrimo e com uma estrutura impecável, Seu Jorge subiu ao palco ao som de “Amiga da Minha Mulher” (“Não pego, eu pego, não pego, eu pego, não pego não…”). A banda estava organizada em uma espécie de arquibancada de três andares, decorada com o símbolo das calçadas do Rio de Janeiro. A mesma estampa decorava os instrumentos de percussão e a mesa de som da equipe que estava dentro das coxias. Mesmo longe dos olhos do público, a equipe do carioca não poupou atenção aos detalhes. Um letreiro com o nome do artista, referência à arte de rua, enfeitava o fundo do palco.

Nascido e criado em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, Seu Jorge fez questão de lembrar, principalmente, seus mais recentes trabalhos “Músicas Para Churrasco, Vol. 1” (2011) e “Músicas Para Churrasco, Vol. 2” (2015). Com seu timbre de voz único e inconfundível, o artista animou a plateia com canções como “Chega no Suingue”, “Pessoal Particular”, “Motoboy” e “Zé do Caroço”. “Mina do Condomínio”, “Sábado a Noite”, “A Doida” e “Carolina” foram alguns dos números de maior destaque do eletrizante repertório do astro de filmes como “Cidade de Deus” (2002), “Tropa de Elite 2” (2010) e “E Aí… Comeu?” (2012).

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Apesar de ambas as apresentações, recheadas de grandes canções, terem feito um sucesso enorme, um dueto com os artistas era esperado e sua ausência foi sentida por todos. Seu Jorge poderia ter participado ao menos de uma das canções de Jorge Ben Jor, já que o cantor iniciou o espetáculo. A presença ao mesmo tempo dos dois Jorges no palco teria colocado ainda mais fogo no público que, mesmo assim, saiu satisfeito.