Kim Lírio: “Não curto só rock, mas nasci para fazer isso!”

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A velha fórmula para transformar-se em um rockstar é seguida à risca por Kim Lírio. O gaúcho nascido em Porto Alegre provou para o grande público seu talento para a música durante as participações nos reality-shows “Ídolos” (Rede Record, 2012) e “The Voice Brasil” (Rede Globo, 2014). No primeiro, de 100 mil inscritos, o cantor chegou ao 5° lugar. Na experiência seguinte, conquistou a vice liderança. A dedicação transformou o “vilão” do passado no astro do momento. Somada a aptidão, a beleza física do artista é capaz de arrancar suspiros de multidões. Carregado de gírias como “mina”, “tá ligado?”, “cara”, “tipo” e “velho”, o cantor não renega a origem e bate um papo exclusivo com o Setor VIP para falar sobre sua vida, sua carreira e o lançamento de seu novo trabalho, sem deixar de lado o “bah”, o “guri” e o “tu”.

“Já ouviu o EP?”, pergunta sorridente em relação ao disco que lança com a banda Santa Hellena. “E o clipe?” questiona o músico Marcos Azevedo, um dos parceiros de crime ao lado de Lucas Freitas, Flavio de Paula e Luciano Freitas. O álbum traz quatro canções compostas pelo vocalista, duas em parceria com Az. “Viver Por Viver”, carro chefe do novo trabalho, ganhou um vídeo que explora a imagem sensual e a energia interpretativa de Kim: “Uma vez toquei em um festival e pediram para eu não quebrar nada”, conta. “Rock é energia, é para ser visceral, se você quer quebrar uma guitarra, quebra. Depois você te vira para pagar!”, diz aos risos. “Quando era criança cantei em uma apresentação do Dia das Mães organizada pela Prefeitura de Arroio do Sal. Mandaram eu parar de pular, se não eu quebraria o palco”, lembra sobre uma das apresentações mais importantes de sua carreira até agora. “Foi um marco para mim, o gurizinho de 12 anos começou a pegar gurizinha de 15!”, comemora em tom de brincadeira.

“A minha vida sempre foi marcada por música. Lembro de ouvir canções com a minha mãe deitado na rede, de estar na praia com meus pais e estar rolando ‘Wild Horses’, do Rolling Stones. Minha primeira namorada, o primeiro rompimento, a quebra de um momento e a entrada de um novo ciclo, sempre tiveram uma música envolvida”, relembra. “Com nove anos comecei a brincar em uma banda, fazíamos sons sonhando em um dia ser o Aerosmith. Cantava na frente do espelho achando que estava no Estádio de Wembley”, revela saudosista. “Com onze anos andava com meu bloquinho de notas, escrevendo minhas paradas, fazendo música para a menininha que não me dava bola, era muito imaturo, mas já estava com a malícia”, conta fazendo uma rima como se estivesse compondo. E porque o sucesso só veio agora? Ele responde e completa: “Você não vai colocar isso não, né?”, pede aos risos.

Impossível não atender a um pedido seu. De voz mansa, vestindo uma camiseta justa que marca seus músculos bem trabalhados e com suas tatuagens à mostra, Kim Lírio pode ser considerado uma espécie de Don Juan do rock. Ou da música, uma vez que o artista mostra não ter preconceito com nenhum outro gênero: “Sou muito, mas muito fã do Seal, acho ele fantástico, um dos maiores cantores que existem”, confessa. “Escreve isso! Vai que ele lê, se vier pra cá! Cantar com ele é um grande sonho”, completa aos risos. Dias depois o cantor Seal anunciou sua vinda ao Brasil para se apresentar no Rock in Rio. Fica a dica!

“Curto Christina Aguilera, Brad Paisley, Roupa Nova, Falamansa… não, é brincadeira!”, corrige às gargalhadas em relação ao grupo de forró universitário. “Não curto só rock, meu estilo é esse, o que nasci para fazer é isso, mas tem muita coisa que não é muito a minha vibe, mas é muito foda. Não é porque você é roqueiro que você tem que ouvir só distorção e podreira. Eu gosto pra caramba de Celine Dion”, afirma. “Buscar referências em uma artista como a Celine Dion é importante”, completa Az. “E ela usa muitas influências do rock, tem músicas extremamente foda. Não dá para limitar. Se for para fazer só sujeira, a gente volta aos anos 90 e vamos ser grunge. Que também não deixa de ser uma influência”, conclui.

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A dupla Chitãozinho e Xororó trabalha atualmente o repertório de Tom Jobim, a cantora Ivete Sangalo e o rapper Criolo viajam com o projeto em homenagem ao Tim Maia e Maria Rita deu voz às canções de sua mãe, Elis Regina. “Cantaria as músicas do Lenine, que é uma referência para nós em composições, letras, melodias, presença de palco… apesar de ser um afoxé, ele é muito rock’n’roll. É uma ótima ideia!”, anima-se afirmando estar feliz por ser da mesma gravadora do artista, a Universal Music. “E gosto muito da Pitty!”, completa cantarolando “Teto de Vidro”.

E se a proposta fosse uma parceria? Kim aponta para um rosto tatuado em seu braço e exclama “Rita Cadillac” às gargalhadas. A personalidade em questão é Steven Tyler, vocalista do Aerosmith e maior ídolo do artista. “Sonho em fazer um clipe com o Lenny Kravitz”, imita cantarolando um de seus famosos solos de guitarra. “Queria fazer uma roqueira com o Emicida, fazer um som meio Linkin Park”, continua. “Uma artista que acho demais e que combina com a voz do Kim é a Pink”, sugere Marcos. “Bon Jovi também daria uma parceria bacana!”, finaliza.

Ao relembrar as passagens pelos programas que o colocaram na mídia, o cantor é direto ao afirmar que a edição do “Ídolos” o pintou como vilão, mesmo que na época fosse mais imaturo. Já no “The Voice Brasil”, a coisa foi diferente. “Me inscrevi no último dia. As inscrições terminavam meia-noite e às onze e meia ainda estava gravando o vídeo. O cachorro do Marcos sentou ao meu lado e ficou no vídeo, mandamos assim mesmo, não dava tempo para gravar outro”, conta bem humorado. “Quando me chamaram mostrei uma composição minha e disseram que eu deveria estar no ‘Superstar’, perguntaram se eu queria mudar de programa e eu respondi que não”. Ainda bem.

Sobre os companheiros de ambas as atrações, o astro afirma seguir todos na rede social Instagram e acompanhar alguns mais de perto: “O Leandro Buenno e a Kall Medrado são amigos pessoais, pessoas que tenho afinidade. Fui passar o carnaval em Salvador, encontrei com eles e foi muito legal. Às vezes trocamos mensagens para nos vermos, então estamos sempre juntos”, diz Kim. Como são as recados? “Vamos para a Augusta?”, conta sobre a famosa rua de bares, ponto de encontro dos paulistas de todas as regiões. “É uma galera que dá vontade de estar junto, talentosa, que corre atrás dos seus objetivos”, completa Marcos.

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O rock gaúcho é diferente do rock do resto do país? “É!” Porque? “Somos extremamente bairristas, então tudo o que rola dentro do sul tem que ter o sotaque gaúcho. Por exemplo, se tu botar ‘você’ em uma música, ao invés de botar ‘tu’, os caras já pensam ‘tem alguma coisa errada!'”, afirma Kim aos risos. “Você é julgado. Isso é difícil no sul e acredito que o rock gaúcho acabe ficando parecido demais por essas questões, é claro que temos exceções como o Engenheiros do Hawaii”, expõe-se antes de afirmar ser apaixonado por sua cidade e por seu estado, apesar da mudança para a capital paulista: “Estamos mudando para São Paulo por causa do trabalho”.

Sobre a diversão em Porto Alegre, que os artistas abrem mão em nome do trabalho, ficam as lembranças da Zona Sul da cidade: “A Orla do Guaíba é linda pra caramba, tem muito verde e um por do sol maravilhoso. A Redenção (Parque Farroupilha) é muito bonito também. Fizeram um estudo nos Estados Unidos que em uma época específica do inverno, Porto Alegre tem uma das mais bonitas iluminações naturais para filmagem no mundo, uma loucura isso, né?”, orgulha-se. “Tem a Cidade Baixa que é como a Rua Augusta, mas depois de aparecer na mídia fica um pouco mais difícil de entrar, às vezes você precisa de um pouco de privacidade. Outro dia fui comprar uma cerveja no mercado perto de casa e levei uma hora e meia!”, conta emocionado. “Sempre fui um cara ‘povão’, gosto de acrescentar pessoas na minha vida, mas já estava devendo uns 800 reais no estacionamento!”, finaliza aos risos.

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