Luxo e tragédia marcam “Titanic: The Artifact Exhibition”

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Em 1912, o transatlântico Titanic chocou-se com um iceberg durante sua viagem inaugural. Duas horas e quarenta minutos depois, 1.523 pessoas, dos 2.228 passageiros, estavam mortas. O acidente caracteriza-se até hoje como a maior catástrofe marítima da história. É esse importante capítulo que conta a “Titanic: The Artifact Exhibition”, localizada no aconchegante hotel Luxor, em Las Vegas.

Preenchidas por relatos verídicos, as paredes da exposição descrevem um pouco quem eram alguns dos passageiros que viajavam de Southampton, na Inglaterra, para Nova York, nos Estados Unidos. As biografias destacam principalmente as histórias da tripulação e dos personagens que não deveriam estar no navio, mas que por obra do destino acabaram embarcando no Titanic. As primeiras salas trazem informações técnicas, fotos reais e peças originais usadas na construção da embarcação, como porcas, parafusos e hélices.

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Réplicas idênticas dos corredores do transatlântico, das dependências da primeira e da terceira classe e da famosa escadaria de um dos ambientes mais finos da embarcação, provocam a estranha sensação do visitante estar no navio encontrado em 1985. Os fabricantes originais dos móveis do Titanic recriaram as peças que encontram-se submersas a 3.798 metros, no oceano Atlântico, especialmente para a mostra.

Dos mais de 6 mil objetos retirados do Titanic, mais de 300 estão em exibição em Las Vegas. Dezenas de artefatos jamais vistos anteriormente são exibidos exclusivamente na “Titanic: The Artifact Exhibition”, incluindo a maior peça retirada da embarcação. Medindo 8 metros de comprimento e pesando mais de 15 toneladas, The Big Piece – como é chamado o pedaço do casco do navio -, possui uma sala individual com detalhes bem específicos sobre o resgate, o tratamento e o transporte da peça.

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Detalhes da arquitetura, pedaços do chão do navio, pisos, azulejos, janelas (algumas com os vidros intactos), são alguns dos objetos mais curiosos encontrados na exposição. Estudos afirmam que em alguns anos, os artefatos – assim como o navio e tudo que ainda há nele – não existirão mais. A decomposição natural que acontece com o tempo, é agravada pelo período que as peças ficam em contato com a água.

No começo da mostra, os visitantes recebem um cartão de embarque, exatamente como o que os passageiros carregavam na época, com nomes reais dos que embarcaram no transatlântico em 1912. Para a terceira classe, a entrada custava $40 (hoje por volta de $770) e para a primeira, $4.500 (por volta de $90.000). Ao final da visita, é possível conferir em um memorial, os nomes dos viajantes vivos e mortos, algo próximo ao que os familiares que possuíam entes queridos no Titanic precisaram fazer, quando o navio Carpathia chegou a Nova York com os sobreviventes.

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Centenas de objetos pessoais estão expostos com os nomes de seus donos, muitos deles encontrados dentro dos quartos de cada passageiro. O reconhecimento foi possível graças aos documentos que registravam quem ficava em cada dependência. A maioria das peças mantiveram-se intactas por estarem em malas, bolsas e carteiras de couro ou por terem sido enterradas pela areia movimentada com o impacto do navio no fundo do oceano. Ambos os casos impediram a decomposição e o estrago dos artefatos. Desde o 100° aniversário do naufrágio, os restos do navio e os objetos são protegidos pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) por serem considerados patrimônio cultural da humanidade.

Ainda na exposição, é possível conferir imagens atuais do Titanic (filmadas pela RMS Titanic, Inc e pela National Geographic), estudar maquetes para conhecer de perto detalhes nunca antes descritos e tocar um iceberg, para ter uma ideia remota da temperatura que fazia na madrugada do acidente.

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100 mil pessoas assistiram o “Navio dos Sonhos” partir para Nova York. O Titanic nunca chegou ao seu destino. A catástrofe serviu apenas para a mudança das leis regentes na construção e na navegação de transatlânticos. Os telegrafistas devem trabalhar durante a noite e todos os navios obrigatoriamente devem ter botes salva vidas com capacidade para todos a bordo. A Internacional Ice Patrol (Patrulha Internacional do Gelo) foi criada para monitorar, alertar e conter icebergs que venham a oferecer riscos à navegação.

Vista por mais de 25 milhões de pessoas, a “Titanic: The Artifact Exhibition” fica em cartaz no hotel Luxor (3900 S. Las Vegas Blvd.) por tempo indeterminado. A exposição funciona todos os dias das 10h às 22h. O último visitante é recebido às 21h. Os ingressos podem ser comprados no site oficial do evento e custam $32. Imperdível.