Mamonas Assassinas é homenageado no irreverente “O Musical Mamonas”

Não é para levar à sério. Apesar de “O Musical Mamonas” servir como homenagem no momento em que se completa 20 anos do acidente que causou a morte dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas, a peça é descontraída e irreverente. Assim como a banda. A carreira de Dinho, Júlio, Samuel, Sérgio e Bento foi interrompida bruscamente no dia 02 de março de 1996, mas esse não é o foco do musical biográfico, que conta da criação à explosão do grupo.

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(Foto: Setor VIP / Cíntia Carvalho)

“O Musical Mamonas” conta com todos os grandes sucessos do grupo Mamonas Assassinas. Os números mais empolgantes ficam por conta de “Pelados em Santos” (uma versão voz e violão e outra como é conhecida pelo grande público), “Robocop Gay” e “Vira-Vira”.

A tentativa em deixar o musical com uma duração padrão, estendeu a história mais do que o necessário. Números como “The Wall” (Pink Floyd) e “Comida” (Titãs) poderiam ter sido substituídos pelo descontraído texto de Walter Daguerre. Os cenários de Nello Marrese são simples e lembram alegorias de carnaval vistas de perto. A iluminação de Wagner Freire perde o posto de destaque para o figurino assinado por Fabio Namatame, que reproduz fantasias icônicas de uma das bandas mais irreverentes do Brasil, como o macacão de coelho de Dinho, as roupas de Chapolin Colorado e os imensos e coloridos chapéus.

O coro é afinado, mas chama atenção mais pelo exagero na interpretação e nas coreografias, do que pela voz. A direção musical é assinada por Miguel Briamonte. Bernardo Berro provoca algumas risadas no público com sua imitação dos apresentadores Jô Soares e Fausto Silva, mas peca pelo excesso de trejeitos na maioria de suas cenas. Rafael Aragão, Patrick Amstalden, Vanessa Mello, Nina Sato, Gabriela Germano, Maria Clara Manesco, Marco Azevedo, Reginaldo Sama e Andre Luiz Odin completam o elenco.

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Ruy Brissac chama atenção por sua semelhança física ao vocalista Dinho. Se não tem a mesma disposição, o ator e cantor chega próximo. É ele o responsável por apresentar o real significado da banda aos que não viveram a fase musical dos Mamonas ou relembrar ao público que tem saudade de sua descontração. Elcio Bonazzi e Arthur Ienzura dão vida aos irmãos Samuel e Sérgio que, depois de Brissac, são os grandes destaques do elenco. Yudi Tamashiro é Bento, encarregado pelas piadas mais engraçadas do musical. Adriano Tunes completa a banda interpretando o tecladista Júlio Rasec.

O trunfo de “O Musical Mamonas” é, sem dúvidas, o elenco principal. Todos os intérpretes dos integrantes possuem alguma falha artística: um não canta tão bem, outro não é um exímio bailarino. Assim como os originais. O que segura o espetáculo é a vontade descomunal dos garotos em contar a história da banda. A energia compensa qualquer eventual ponto a ser melhorado e toma conta da plateia. A impressão é que se houvessem sete apresentações por semana, durante dois ou três anos, os artistas fariam todas elas com a mesma dedicação. Os Mamonas Assassinas certamente aprovariam.

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(Foto: Setor VIP / Cíntia Carvalho)

Com direção geral de José Possi Neto, “O Musical Mamonas” está em cartaz no Teatro Raul Cortez (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista). O espetáculo pode ser visto às quintas (21h), sextas (21h30), sábados (21h) e domingos (19h). Os ingressos custam de R$60 (meia) a R$120 (inteira) e podem ser encontrados no Compre Ingressos. O espetáculo tem duas horas de duração (contando com um intervalo de 15 minutos). A classificação indicativa é para maiores de 12 anos. Até 25 de junho.