Marcelo Médici revive personagens em “Cada Dois Com Seus Pobrema”

Em cartaz no Teatro Frei Caneca, a comédia “Cada Dois Com Seus Pobrema” marca o retorno do ator Marcelo Médici aos palcos paulistas. Após uma breve pausa para dedicar-se ao seriado “O Canto da Sereia” (2013) e à novela “Joia Rara” (2013), ambos na Rede Globo, o comediante revive personagens que evidenciaram sua carreira e que foram responsáveis pelo enorme sucesso do espetáculo “Cada Um Com Seus Pobrema”, que viajou o Brasil por quase oito anos, atraindo cerca de 250 mil espectadores.

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Após a tímida estreia em 2014, “Cada Dois Com Seus Pobrema” mostra a que veio dia a dia. Isso porque o texto de Marcelo Médici é atual, se adapta aos recentes acontecimentos do país e permite improvisos, um dos inúmeros talentos do ator. A política brasileira, o programa “MasterChef”, o ibope de “Babilônia” (2015) e até a corrida da repórter Renata Costa, da TV Anhanguera (afiliada da Globo em Goiás), atrás da “funcionária fantasma” da Assembleia Legislativa do estado, são inserções inteligentes em meio ao roteiro criado meses atrás. De forma branda, o autor critica produtos e serviços campeões de reclamações no Brasil e colabora com a publicidade das peças em cartaz no mesmo espaço.

“Cada Dois” não é uma continuação de “Cada Um”, no entanto, não é uma peça cheia de novidades. De todos os números, apenas o segundo traz personagens inéditos. Com a participação de Ricardo Rathsam – responsável pela direção do espetáculo de 2004, Médici se divide entre as personagens Lídia Arósio e Aguinalda, em algo muito próximo ao que fez em “O Mistério de Irma Vap” (2008). Para quem nunca conferiu ao vivo as habilidades do ator em trocar de roupa em apenas alguns segundos e interpretar personagens diferentes na mesma cena, vale a pena encarar a cansativa esquete.

Misturando as piadas que mais funcionaram durante a temporada da primeira peça, com um texto mais engraçado e mais inteligente, os clássicos personagens de Marcelo são os responsáveis pelo sucesso arrebatador de “Cada Dois”. A empregada Cleusa, o último Mico Leão Dourado, o motoboy corintiano Sanderson, a apresentadora infantil Tia Penha e a vidente Mãe Jatira arrancam gargalhadas e muitos aplausos do público que se diverte com a comédia politicamente incorreta, cheia de críticas e ironia.

Marcelo Médici prova em “Cada Dois Com Seus Pobrema”, que soube aproveitar as direções de Antunes Filho, Bibi Ferreira e Jorge Takla, grandes nomes com quem trabalhou durante sua extensa carreira. O ator aproxima a plateia com as curtas intervenções entre a caracterização e a interpretação de cada número e surpreende com os detalhes físicos de cada personagem. Já os detalhes de cena como iluminação e cenário – assinados por Kleber Montanheiro, parecem simples demais se comparados à estrutura moderna e grandiosa do teatro. Destacam-se apenas a fuga da atriz e a piada com o papel de parede, ambos na segunda cena. Os criativos figurinos, embora baseados em “Cada Um”, são assinados por Montanheiro em parceria com Médici. A direção é de Paula Cohen.

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“Cada Dois Com Seus Pobrema” está em cartaz no Teatro Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 596 – Consolação) em São Paulo. Quartas e quintas às 21h. Os ingressos custam de R$30,00 (meia) a R$80,00 (inteira) e podem ser encontrados no Ingresso Rápido. Até 26 de novembro.