Maria Rita mostra samba de primeira em show “Coração a Batucar”

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Não havia melhor publicidade do que lançar-se como filha de Elis Regina (1945 – 1982). Anos depois de seu primeiro trabalho e com uma carreira estabelecida que independe do sucesso da mãe, Maria Rita mostra-se livre e realizada com os rumos de seu trabalho na apresentação do show resultante do recente “Coração a Batucar” (2014). Formado por um repertório apenas de sambas – em sua maioria animados -, o espetáculo bebe na fonte do antecessor de mesmo gênero “Samba Meu” (2007).

Maria Rita canta “É Corpo, É Alma, É Religião” em São Paulo:

Engana-se quem acha que Maria Rita, mais mulher e mais segura, apresenta algo na mesma linha ou faz uma espécie de continuação. “Samba Meu” está presente para complementar um repertório de quase duas horas que “Coração a Batucar” não preencheria sozinho. Os discos anteriores “Maria Rita” (2003) e “Segundo” (2005) sequer são lembrados. De “Elo” (2011) e “Redescobrir” (2012) estão presentes “Coração em Desalinho” e “Ladeira da Preguiça”, respectivamente.

Curioso destacar que a canção nome do disco e do show, “Coração a Batucar”, presente no setlist, pertence ao trabalho “Elo”. Prova de que o samba sempre esteve presente nos trabalhos de Maria Rita. Apaixonada por Gonzaguinha, Arlindo Cruz e pelo carnaval carioca, a artista defende o gênero e afirma que gosta do estilo desde pequena. Elogiada por grandes nomes do circuito nacional, a cantora provou seu talento durante a turnê de dois anos de “Samba Meu” (que chegou inclusive a sair do país) e agora diverte-se em “Coração a Batucar”.

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“Não sou perfeita!”, diz em resposta ao elogio de um fã. “Muitíssimo obrigada por terem vindo, por terem aceitado esse convite, sou grata por me darem a oportunidade de fazer parte da família de vocês”, cumprimenta antes de receber um beijo surpresa de seu irmão João Marcelo Bôscoli. “Quero agradecer minha equipe que batalha para montar esse circo bonito e seguro pra gente tacar um foguinho depois”, conta no único momento em que conversa com o público. “Finalmente quero agradecer esses músicos talentosíssimos que me acompanham”. Ela está falando de Alberto Continentino (contra-baixo), Wallace Santos (bateria), Davi Moraes (guitarra), Thiago Costa (teclado), André Siqueira e Marcelo Moreira (percussão).

“Rumo Ao Infinito” no show “Coração a Batucar”:

“É Corpo, É Alma, É Religião”, “Maltratar Não é Direito”, “Rumo Ao Infinito”, “O Que é o Amor”, “Fogo no Paiol”, “Bola Pra Frente”, “Saco Cheio”, “Maria do Socorro”, “No Meio do Salão”, “Cria”, “Mainha Me Ensinou”, “No Mistério do Samba”, “Meu Samba Sim Senhor” e “Tá Perdoado” fazem do repertório um espetáculo de tirar o fôlego. Com a platéia participativa durante todo o tempo, os destaques foram “Cara Valente”, “Abre o Peito e Chora” e “Num Corpo Só”, canções que aumentaram ainda mais o clima de alegria da noite. Em homenagem ao carioca Gonzaguinha (1945 – 1991), Maria Rita interpreta as canções “O Homem Falou”, “Comportamento Geral” e “E Vamos à Luta”. Pouco antes do fim, a artista ainda canta “Do Fundo do Nosso Quintal”, do grupo Fundo de Quintal.

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A cenografia assinada por Fause Haten não funciona. A ideia de simular paetês gigantes lembra mais uma oficina mecânica do que uma oficina de costura e o material reto e frio enfraquece o show quente e para cima. O figurino, também assinado pelo artista paulista, causa exatamente o oposto. É possível pensar que a artista não poderia estar mais bem vestida quando entra com a roupa em tons de preto, prata e bege. A opinião é inevitavelmente modificada quando a cantora veste o mesmo modelo em tons de rosa, verde e azul. Da cabeça aos pés – a cantora prende um lado do cabelo e troca a sandália -, a mudança é de um visual lindíssimo para um deslumbrante.

Maria Rita sabe aproveitar a herança genética. Além da potência vocal, a artista mostra-se atriz na forma de interpretar suas canções. Com movimentos fortes e precisos, caras e bocas e muito samba no pé, a cantora dividiu os olhares do público que não sabia ao que dar importância primeiro. Apesar dos mais de 10 anos de carreira, a paulista de 37 anos emocionou-se diversas vezes e curvou-se agradecida pelo carinho da platéia que lotou o HSBC Brasil, em São Paulo, em plena quinta-feira (23). A sorridente sambista apresenta-se com a trupe de “Coração a Batucar” dia 08 de novembro, no Vivo Rio, no Rio de Janeiro.

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