Mariah Carey emociona multidão com “#1 to Infinity”

Não há como passar pelo luxuoso cassino do Caesars Palace, em Las Vegas, e não notar o burburinho. A fila começa a se formar duas horas antes do horário marcado para o início do show, com as portas do The Colosseum ainda fechadas. Os hotéis ocupam cerca de 7km da imensa Las Vegas Blvd. A agitação foi apelidada de Strip, e é no coração de um dos mais famosos centros de entretenimento do mundo que a cantora norte-americana Mariah Carey sobe ao palco para sua primeira residência.

No hall, é possível notar dezenas de nacionalidades, mas engana-se quem pensa que o show foi criado para os turistas. Uma das mais tradicionais artistas dos Estados Unidos, Mariah tira os conterrâneos de suas casas e os faz viajar milhares de quilômetros para suas apresentações. A pergunta ‘de onde você veio?’ é a mais comum, mas as respostas nem tanto: Anaheim, Ohio e Nova York, assim como Inglaterra, Austrália e Japão. O Brasil, claro, estava presente. Confira a cobertura EXCLUSIVA feita pelo Setor VIP de um dos espetáculos mais esperados do ano! Estivemos nos shows de quarta-feira (22) e sábado (25). Imperdível!

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Considerada uma das mais modernas casas de espetáculos do mundo, o The Colosseum abriga confortavelmente mais de 4.300 pessoas por noite. Estima-se que mais de 75 mil tenham assistido às 18 apresentações que fizeram parte da primeira fase da residência de Mariah Carey no Caesars Palace. A segunda parte começa dia 2 de fevereiro de 2016 e, por enquanto, conta com nove datas, algumas com ingressos já esgotados, o que deve totalizar mais de 100 mil espectadores.

As imensas cortinas vermelhas têm as iniciais da cantora projetadas. O início do show é anunciado quando as letras transformam-se em dezenas de borboletas que se espalham pelo espaço. Os acordes de “Vision Of Love” são ouvidos em meio a gritos ensurdecedores que tomam conta da casa. A cantora aparece no topo de uma escada, usando um vestido longo preto e os cabelos volumosos e encaracolados, fazendo referência ao visual usado durante o início de sua carreira, em 1990. “Olá, Las Vegas! Alguém está se sentindo sortudo esta noite? Eu estou!”, brinca ao cumprimentar a plateia. “Vamos levá-los por uma jornada de um para o infinito, baby!”, diz em alusão ao nome do show “#1 to Infinity”. “Estou feliz em estar aqui porque sem vocês, meus fãs, isso não seria possível e eu não teria motivos para comemorar. Isso aqui é uma celebração! Tenho 18 músicas número um e eu agradeço isso a vocês!”. O espetáculo revisita, em ordem cronológica, todos os sucessos que alcançaram o topo das listas da Billboard, a maior e mais respeitada parada musical do mundo.

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Aos 45 anos, Mariah é a artista viva, ou em exercício, mais bem sucedida da história. Nenhum artista solo emplacou tantos sucessos no primeiro lugar. Além disso, a cantora ultrapassou a marca de 200 milhões de álbuns vendidos e é uma das personalidades mais premiadas no mundo! Entre os troféus mais importantes estão cinco prêmios Grammy, um Oscar e um Globo de Ouro; 32 Billboard Music Awards, incluindo “Artista da Década” (90) e “Música da Década” para “One Sweet Day” (90) e “We Belong Together” (00); e 19 World Music Awards, incluindo “Artista do Milênio”. No dia 5 de agosto, a cantora recebe a merecida estrela na Hollywood Walk of Fame em uma cerimônia digna de uma superstar. Ufa!

“Me disseram: precisamos de uma balada pop. E eu respondi: o que uma balada pop significa?”, conta. “Nós estávamos andando perto do estúdio e… Essa é uma história muito longa e nós não temos tempo para ela. Alguém sabe o nome dessa música?”, pergunta arrancando risos do público. É a vez de “Love Takes Time”, uma das canções mais bonitas da carreira de Mariah. Com referência sutil ao clipe, “Someday” traz os dançarinos ao palco pela primeira vez. Durante o instrumental da canção, a cantora e o corpo de baile transformam-se em crianças e abrem espaço para um dos números mais surpreendentes da noite. “Eu odeio ficar contando, mas esse é o intuito do show”, brinca. “Eu era uma adolescente, não tinha músicas no rádio e me disseram: vá trabalhar com esse cara que ele te dará um sucesso”, disse referindo-se ao produtor Michael Walden. “Ele havia trabalhado com Aretha Franklin, Whitney Houston e Diana Ross… ‘I’m scared, I’m nervous’”, cantarola trecho da canção “The One” para ilustrar sua insegurança na época e levando a plateia à loucura. “Eu queria cantar, mas não posso!”, provoca rindo antes da belíssima “I Don’t Wanna Cry”, uma das mais aplaudidas da noite.

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Dançarinas com plumas no melhor estilo Cabaré preenchem o palco durante “Emotions”, enquanto Mariah Carey levanta o público com seus famosos agudos para especialista nenhum botar defeito. “Eu estava criando o show chamado ‘MTV Unplugged’ e… ‘I’m scared, I’m nervous’, vocês conhecem essa música?”, desafia mais uma vez antes de cantar um trecho da canção em uma versão jazz. “Estou me sentindo jazzística hoje!”, brinca. “Preciso focar!”, diz visivelmente à vontade. “Um dia antes do show a MTV me disse que gostaria que eu fizesse um remake e eu me perguntei: sério? É assim que vamos fazer agora? Meu amigo Trey Lorenz me deu a ideia de fazermos ‘I’ll Be There’, uma das minhas músicas favoritas, de um grande ídolo e depois de um grande amigo. Ainda bem que ele estava lá”. No telão, fotos da infância da Mariah se fundem com as de Michael Jackson. O então pequeno artista aparece em vídeo e passa a cantar a canção. O dueto transforma-se em trio e o público vem a baixo. No final, fotos de Mariah e Michael juntos emocionam a plateia. O primeiro intervalo se dá com a canção “Anytime You Need a Friend” e imagens espetaculares da carreira de Mariah preenchem o palco.

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A bordo de um conversível cor-de-rosa e com o cabelo com cachos maiores (fazendo referência à fase que teve início em 1993, com o disco “Music Box”), Mariah Carey dá início à música “Dreamlover”, seu maior sucesso na época. Com os dançarinos vestidos de mecânicos e um clima de beira de estrada, a faixa eleva o show a outro nível. O gigantesco telão principal, que ocupa toda a extensão do palco, e os seis telões triangulares que servem de apoio, transformam a cenografia “simples” do início do show em um espetáculo digno de Las Vegas. “Eu dedico essa música para vocês, se vocês quiserem cantar comigo, sintam-se à vontade”, convida antes da avassaladora “Hero”, um dos grandes hinos de sua carreira, até hoje. Centenas de lâmpadas tomam conta do palco e brilham de forma independente, transformando o número em uma cena memorável. “Eu amo você! Eu amo você também! Eu amo todos vocês! Meu Deus, tem muito amor aqui hoje!”, brinca visivelmente satisfeita em resposta aos constantes gritos dos fãs.

Com o rapper Ol’ Dirty Bastard dizendo os famosos versos “Yo, New York in the house, is Brooklyn in the house”, o espaço transforma-se em um imenso parque de diversões. Uma montanha russa e uma roda gigante aparecem no fundo do palco enquanto os dançarinos entram de patins, segurando bexigas e enormes balões sobrevoam o público. “Fantasy” é o que se espera de Las Vegas, uma produção impecável em um número onde é impossível não se divertir. Mariah mostra-se à vontade como nunca antes e arrisca-se, da forma mais graciosa, a brincar com os balões que voam pelo palco, antes de devolvê-los para o público. A nona música a alcançar o topo, que ficou em primeiro lugar por oito semanas consecutivas em 1995, é um dos números que tem que ser vistos! “Isso foi divertido, não foi?”, orgulha-se.

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“Vamos falar um pouco mais sério, mas não muito”, prepara-se. “A próxima música é a que ficou por mais tempo no topo das paradas e ainda é. Acho que isso é uma grande coisa”, diz sobre “One Sweet Day”, a música que mais tempo permaneceu em primeiro lugar das mais executadas na história! A canção que tem participação do grupo Boyz II Men ocupou o topo das listas por 16 semanas ininterruptas. Durante a apresentação, todos os tons, interrupções e aberturas de vozes originais foram recriados ao vivo, comprovando que a artista permanece com seu talento indiscutível, capaz de arrepiar multidões, mesmo com a maior concorrência em qualidade de entretenimento na cidade de Las Vegas. “Essa é a minha parte favorita da apresentação, é quando eu canto próximo ao público, se estiver tudo bem para vocês…”, questiona descendo as escadas do palco em direção à plateia. É a vez de “Always Be My Baby”. “Butterfly” é relembrada durante a próxima troca de roupa. “Honey” é introduzida com o início de seu clipe, um dos mais bem produzidos de sua carreira. A cantora surge vestindo uma espécie de maiô brilhante, com as mangas compridas e a bordo de um jet ski, assim como no vídeo. Vestidos de marinheiros, os dançarinos mexem com o imaginário do público mais uma vez.

O palco transforma-se em uma imagem preta e branca. Um farol ilumina o mar ao fundo e parte da plateia. Os acordes latinos trazem a cantora com um vestido longo e os cabelos lisos, levemente ondulados na ponta. “My All” é a canção responsável pelo momento mais sensual da noite. Última música da década de 90, “Heartbreaker” transforma o espaço em um cinema, os dançarinos interagem com a plateia e Mariah surge do meio do público. É o único número em que a cantora muda de roupa durante a canção, do vestido prata para um vestido rosa. A canção original é mesclada com o famoso remix e não deixa de lado momentos importantes de uma das fases mais marcantes da carreira da artista. A criativa briga de Mariah com seu alter ego Bianca, as animações e o rap do – até então desconhecido – Jay-Z não ficaram de fora.

“Vocês se lembram do álbum ‘Rainbow’?”, questiona antes de cantarolar “Can’t Take That Away”. “Não posso começar se não, não vou parar!”, brinca. “Esse é um show de números um, o próximo será um show somente com músicas escolhidas pelos fãs!”, provoca arrancando gritos animados da plateia. “Esse número é o meu agradecimento por ter vocês e por esse 15° número um!”, diz sentada ao piano para uma versão sem o acompanhamento da banda de “Thank God I Found You”. A canção é a única que teve sua versão original modificada 100% e destaca com maestria a voz de Mariah.

Confira um trecho de “We Belong Together”:

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“We Belong Together” dispensa apresentação. A segunda canção de maior sucesso de Mariah Carey ficou 14 semanas consecutivas em primeiro lugar. Sem parar, a cantora emenda “Don’t Forget About Us”. Ambas as músicas fazem parte do álbum “The Emancipation of Mimi” (2005), um dos discos preferidos da artista e um de seus mais bem sucedidos projetos. “Touch My Body”, último número um, tem como base o clipe lançado em 2008. Em determinado momento, um fã é trazido da plateia e é amarrado em uma cama que está no palco. Enquanto é vendado, a cantora é substituída por um dos dançarinos. Simpática, a cantora acena pacientemente e responde aos pedidos do admirador enquanto ele volta ao seu lugar. Carisma, aliás, é o que não falta. Mariah interrompe discursos, fala no meio das músicas, cumprimenta, sorri, joga beijos e agradece aos fãs o tempo todo.

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Antes do retorno da artista, Trey Lorenz apresenta a banda e os dançarinos com uma versão moderna e divertida de “Touch My Body”. Chega a hora da despedida. Vestindo um longo prateado, com os cabelos mais lisos e visivelmente emocionada, Mariah Carey canta “Infinity”, única música inédita do novo projeto. “Como vocês estão? Eu estou muito feliz, vocês são o melhor público que já tive!”, agradece. “Meu Deus! Muito obrigada! Obrigada aos meus fãs, eu amo vocês demais! Ao infinito e além!”. Com 1h45 de duração, o espetáculo “#1 to Infinity” se encerra com duas borboletas gigantes fechando as cortinas e uma chuva de papéis picados. “Música é tudo para mim e eu dediquei minha vida inteira para viver isso. Obrigada por me permitirem dividir a trilha sonora da minha vida com vocês. Obrigada por estarem ao meu lado quando eu precisei mais do que vocês imaginam, e obrigada por virem me ver aqui em Vegas, baby!”.