Marjorie Estiano ignora músicas antigas em show do disco “Oito”

COLABORAÇÃO: Leonardo Torres

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A música andou em segundo plano para Marjorie Estiano nos últimos sete anos. A cantora e atriz emendou uma novela na outra, uma peça na outra, um filme no outro… e só conseguiu finalizar seu terceiro álbum de estúdio, chamado “Oito”, em 2014. Para quem se lembra do hit “Você Sempre Será”, imortalizado por sua personagem em “Malhação” (2004 – 2005), ou de canções como “Espirais” e “Tatuagem”, do seu segundo disco (2007), fica a dica: você não conhece nada da Marjorie cantora. Ela realizou o show de lançamento do seu disco novo no intimista Miranda, à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, na sexta (24/10), e provou ser uma artista diferente agora. A apresentação não representou a retomada de uma carreira pós-hiato, porque Marjorie não se ateve aos elementos pop de outrora. O show foi um recomeço, apoiado em novos pilares. Prova disso é que ela ignora conscientemente todo o repertório anterior, que vendeu 400 mil cópias no total.

Só o que liga a Marjorie do passado à Marjorie do presente é a banda. Os músicos são os que a acompanham desde o primeiro trabalho, mas agora navegam por novas sonoridades. “Por Inteiro” e “Me Leva”, as canções que abrem a setlist, soam praticamente como um comunicado para a plateia. São composições e melodias mais orgânicas, mais quentes, mais maduras e nada pop. “Luz do Sol” e “A Não Ser o Perdão” atestam a nova faceta da artista. Ninguém se atreve a pedir as músicas antigas – e Marjorie não faz qualquer referência à existência delas. Um desavisado acreditaria que esse é seu primeiro álbum.


“Quando estava montando esse show, percebi o quanto era baby. Esse é meu primeiro álbum autoral, e não tinha música suficiente para botar no show” – a declaração dela é repleta de significados. Desenvolta no palco, com penteado e movimentos que remetem à Amy Winehouse, Marjorie se reinventa aos olhos do público. Até os covers que ela apresenta a posicionam. Se no DVD ao vivo de 2005, ela cantava Madonna e Maroon 5, as escolhas são menos óbvias desta vez. Ela agora canta Roberto Carlos, Titãs, Tom Waits e uma cantora israelense chamada Yael Naim. “She Was a Boy”, desta última, é um dos pontos altos do show, com Marjorie ao ukelele. Tem isso: ela se aventura por instrumentos nesta nova fase.

A apresentação dura pouco mais de uma hora, com 15 músicas na setlist. Há um bis, no qual a cantora repete “Por Inteiro” e interpreta Carmem Miranda. Mas o que é mais simbólico é o desdém da artista às convenções. “Uma bobeira ter que sair para entrar de novo, né? Mas são essas coisas que você tem que fazer. É a… tradição”. Subversiva, apresenta os músicos após a reverência final. “Juro que na próxima vez vou apresentá-los na hora certa!”. E o show acaba, com recado dado e gostinho de quero mais.

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