Mauro Sousa: “Mauricio é um gênio, mas nunca perdeu a humildade”

(Foto: Divulgação)

Não importa quantos anos você tenha ou de qual geração faça parte: todo brasileiro em algum momento parou para prestar atenção em uma história em quadrinhos da Turma da Mônica. Criados por Mauricio de Sousa, os personagens vivem na cabeça e no coração de milhares de pessoas até hoje, e conquistam mais admiradores a cada novo gibi que chega às bancas. O talento do desenhista, somado ao carinho do público, levou a Mauricio de Sousa Produções a crescer e se expandir de maneira a se tornar uma das mais bem sucedidas empresas do país. E aqui nós não precisamos falar sobre números, essa afirmação é baseada em identificação e amor.

Mauro Sousa é diretor da Mauricio de Sousa AO VIVO, área responsável pelas experiências da marca que envolvem o público, e um dos 10 filhos do desenhista. Como todos viraram personagens, talvez você o reconheça como Nimbus. O empresário cuida de projetos como o Parque da Mônica, a Chácara Turma da Mônica, a Estação Turma da Mônica, o TMJ Experience e muitos, mas muitos outros. Prestes a levar um espetáculo da Turma para fora do Brasil pela primeira vez, Mauro conversou com exclusividade com o Setor VIP sobre suas principais experiências ao lado do pai e à frente da Mauricio de Sousa AO VIVO.

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Qual o maior benefício e a maior dificuldade em trabalhar com o Mauricio de Sousa?
O maior benefício e também a maior dificuldade é que o Mauricio de Sousa é o meu pai. O fato dele ser meu pai tem um lado positivo porque a comunicação fica mais fácil, porque eu tenho mais intimidade com ele e há momentos em que a gente precisa dessa pessoalidade, que nos ajuda profissionalmente. No entanto, ao mesmo tempo, isso também é uma dificuldade, porque, às vezes, a gente precisa que esse lado pessoal fique de lado e, ele sendo meu pai, às vezes, essa relação pessoal pode interferir em decisões que deveriam ser mais técnicas.

Dentre todas as lições que imagino que o Mauricio deva ter te ensinado, há alguma que você guarda com mais carinho?
A lição que eu levo, acima de tudo, é que meu pai construiu um império, é um gênio e um mestre no que faz, mas nunca perdeu a simplicidade e a humildade. Essa é a maior lição que eu aprendi convivendo pessoalmente e profissionalmente com ele.

Qual a importância de trabalhar com algo que também foi responsável pela sua formação?
Eu sou ator de formação e estudei música a minha vida inteira. Trabalhando com isso e com a Turma da Mônica, tudo junto, tem sido extremamente gratificante para mim. Estou realizando sonhos e estou unindo tudo o que eu gosto na minha vida, que é justamente a arte, o teatro, a música e a marca Turma da Mônica, que é o legado que eu levo do meu pai, que é essa benção que eu recebi da minha família. Me sinto uma pessoa extremamente privilegiada porque estou realmente trabalhando com muito amor e com muita vontade.

Ao tomar decisões, você leva em conta que o seu trabalho faz parte da vida das pessoas?
Levo sim em conta que meu trabalho faz parte da vida das pessoas. Como sei que a marca Turma da Mônica é uma marca muito forte, muito conhecida por todos os brasileiros, eu, por dirigir os espetáculos da Turma da Mônica, sei da responsabilidade enorme que tenho em tudo que a gente faz no espetáculo, desde o roteiro até os cenários, dos figurinos à coreografia. Como todos os detalhes levam a minha assinatura, estou completamente consciente de que tenho um trabalho muito sério a fazer e alta responsabilidade com todos os fãs, com todo o público que assiste aos nossos espetáculos. Eu realmente trabalho com muito profissionalismo, muita atenção e, acima de tudo, com muito amor.

O que as pessoas mais te dizem ter saudade ou ter sido marcante em suas vidas em relação à Turma da Mônica?
A maioria das pessoas me diz que aprendeu a ler com a Turma da Mônica e isso é muito legal porque a gente percebe que realmente fazemos parte da educação das pessoas. Além de entreter e divertir as crianças, temos um papel educador. Isso não tem preço e é muito gratificante.

Qual o maior prazer em cuidar de projetos tão especiais?
A minha maior felicidade em criar esses projetos é ver o rosto das crianças, das famílias sorrindo. É perceber que eles estão vivenciando uma experiência inesquecível e emocionante, que ficará marcada na vida deles para sempre.

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Em relação ao Parque da Mônica e a Chácara Turma da Mônica, quais os detalhes que você mais gosta? Você pesquisa em atrações ou parques internacionais para aplicar aqui algo que seja relevante fora do Brasil?
Eu, particularmente, gosto de tudo. Todo detalhe faz diferença, todo detalhe é cuidado com muito carinho, então, nos projetos do Parque da Mônica e da Chácara Turma da Mônica eu consigo enxergar vários lugares que gosto muito. Quanto às pesquisas, eu vou sim aos parques nacionais e internacionais para conhecer nossos concorrentes e parceiros, e também para que nós estejamos cada vez mais atualizados e com projetos de alta qualidade.

Tinha algo no Parque antes que você sente falta hoje? Você tem uma atração favorita?
Nada, pois o Parque de hoje diverte tanto quanto ou mais que o Parque que a gente tinha no passado. Temos atrações muito mais atualizadas, muito mais modernas, voltadas totalmente para a família. Todo mundo pode brincar. A minha atração favorita no Parque da Mônica são os espetáculos apresentados no palco.

Sente diferença na visitação do público hoje perto do público de antigamente?
Não sinto diferença no público, mas sinto diferença no que as pessoas esperam dos nossos projetos. Hoje, nossos projetos precisam de atrações muito mais tecnológicas, diferente de antigamente, quando eram esperados outros tipos de brincadeiras. Por mais que a nossa atenção seja a mesma de sempre, que é fazer com que a criança e as famílias se divirtam, as atrações que a gente fornece hoje são muito diferentes das que a gente fornecia há dez anos, por exemplo.

O Brasil vive uma grave crise econômica, mas não é a primeira. Já passaram por problemas financeiros a ponto de ter que encerrar algum projeto ou de cogitar que o projeto teria que ser encerrado?
Não. Todos os projetos da Turma da Mônica apresentam grande sucesso de público, por isso, não sentimos os efeitos da crise.

Você tem um personagem predileto? Não vale o Nimbus…
O meu personagem predileto não é o Nimbus, que é a criação do meu pai inspirada em mim, é o Chico Bento. Gosto do jeito do Chico Bento viver: ele mora na roça, com uma vida simples, ao contrário da minha vida, que é corrida, em uma metrópole, quase sempre sem tempo para nada. Vejo o Chico Bento e me inspiro nele para que eu consiga achar um equilíbrio entre a vida que eu vivo hoje e essa vida simples e feliz que ele vive.

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