Michael Bublé é ovacionado no encerramento da “To Be Loved Tour” em São Paulo

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Pela terceira vez no Brasil, o canadense Michael Bublé comprovou sua popularidade. Além do show no Rio de Janeiro (17/09), os três espetáculos no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo (19, 20 e 21/09), tiveram seus ingressos esgotados. Na capital paulista, estima-se que mais de 20 mil entradas foram colocadas à venda nos valores de R$140 (meia) à R$980 (inteira). Preço indiscutivelmente caro para um país onde o salário mínimo é de R$724, mas justo perante o espetáculo apresentado. Os shows da turnê “To Be Loved” valem cada centavo. E engana-se quem pensa que Bublé não é um artista popular pelo tipo de música que faz. Com o humor afiado, o cantor transforma sua apresentação em algo além de um show musical. Do início ao fim, o artista desfilou dezenas de piadas espirituosas e criativas.

“Vocês gostaram da explosão?”, questiona se referindo ao início do show, que conta com efeitos de pirotecnia na canção “Fever”. Ao ouvir a resposta positiva, conclui: “Ainda bem, gastei todo o meu dinheiro nisso e o resto do show é uma merd*!”, brinca. “Vou falar devagar porque sei que vocês falam português. Se alguém não entender o que eu digo, pergunte para a pessoa do lado, eu espero”, diz dando uma pausa e levando o público ao delírio. “Esse é o meu último show, eu amo flores e a partir de hoje farei arranjos para sempre”, mente antes de iniciar “Haven’t Met You Yet”, a segunda canção da apresentação e outro grande sucesso. “São Paulo, eu amo vocês demais, demais! Se o amor fosse medido em distância, eu amo vocês daqui ao Canadá!”, diz visivelmente emocionado pela recepção calorosa da plateia.

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Mas as piadas continuam no que se tornou um show à parte: “You crazy bitch!” (algo como “Sua put* louca!”), diz para alguém que conta ter estado em todas as apresentações da cidade. Ao ver uma fã segurando uma camiseta do Brasil, Michael desce na plateia e fotografa com a sortuda. “É para o seu filho!”, avisa. “Ufa, pensei ‘porr*, nunca vou caber nisso!”, brinca. Distribuindo beijos, vira-se para seu segurança pessoal e o beija também: “Ele é o meu Kevin Costner!”, diverte-se em relação ao papel do ator no filme “O Guarda-Costas” (1992), que tem um caso amoroso com a cantora que protege, interpretada por Whitney Houston. Impecavelmente bem vestido, o artista ainda tira onda com seu visual, faz caras e bocas e derrapa de um lado para o outro como um menino divertindo-se.

O telão que ocupa o fundo da gigantesca estrutura do show é de uma qualidade assustadora e projeta imagens delicadas e cuidadosamente planejadas durante as canções. No começo da apresentação, por exemplo, a imagem ao vivo do artista aparece entre uma borda dourada com um “M” e um “B” animados que chegam a confundir o público se são reais ou não. Um telão no chão do palco surpreende em diversos momentos. Em determinada música, a tela levanta-se tornando-se uma espécie de parede animada. Daí para frente são surpresas atrás de surpresas. Essa tela transforma-se em rampa, se divide em vários pedaços e, durante “Come Dance With Me”, dança conforme a música. Algo muito próximo a um sonho. Um show de tecnologia de última geração capaz de deixar qualquer apresentação de astros pop no chinelo.

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A orquestra composta por 13 músicos mantém-se em um palco mais alto que move-se para perto do público, para trás da cortina e divide-se em três. Em determinado momento, uma das partes some e alguns dos músicos são substituídos – apenas para um número específico – por oito instrumentistas mulheres. Durante a apresentação do “Team Bublé”, mais piadas: “Eu não sou gay, mas se eu fosse pegaria ele”, “Eu não sou gay, mas… Ele é!”, “Ele é tão sexy!” e “Ele é meu compositor, meu amigo, meu amante!” foram apenas algumas. Na hora de apresentar o guitarrista Marcelo Camargo (“Ele é daqui!”), o cantor pediu que ele tocasse algo para o público e sentou-se na plateia para assistir enquanto o brasileiro, emocionado, era ovacionado por sua interpretação de “Alô, Alô”, canção de Paulinho da Viola.

“Feeling Good”, um dos pontos altos do show, exaltou a beleza física de Michael Bublé, que aproveitou a situação e confessou amar cantar a canção: “Se essa música não tivesse sido escrita pelo Justin Bieber, eu não teria a oportunidade de cantá-la. Obrigado, Bieber!”, brincou. “Eu gostaria que você estivesse aqui para te dizer ‘eu sou um belieber também!'”, falou em referência ao título que recebem os fãs do cantor juvenil. “Agora vou tocar algo no piano para vocês”, surpreende sentando-se no instrumento e levantando imediatamente depois. “Não sei tocar piano”, confessa, dando início a “Everything”, uma das canções mais bonitas de sua carreira. “Posso perguntar uma coisa esquisita? O que faz vocês mais felizes: essa música ou a Argentina perdendo a Copa do Mundo?”, questiona, levando o público ao delírio. Mais uma vez.

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“Essa é a minha parte favorita do show”, diz antes de iniciar o bloco mais romântico da apresentação. “Encoste a cabeça no ombro de quem você ama. Se você é solteiro e não tem em quem encostar, escolha um casal e faz um threesome!”, diverte-se. “Meu show é muito legal, você pode fazer um threesome!”. É a vez de “That’s All” e “Close Your Eyes”. “Você está com cara de que essa foi a coisa mais triste que já ouviu na vida. Você está bem?”, dirige-se a um homem na plateia antes de um dos momentos mais emocionantes da noite. “Eu gostaria de agradecer por vocês estarem aqui. É estranho, mas eu realmente amo vocês, e os considero meus melhores amigos, minha família”, confessa antes da estrondosa “Home”.

“Chega de tristeza, vamos festejar!” é a frase que dá início à canção “Get Lucky”, do Daft Punk, e leva Bublé a atravessar o público com dificuldade em direção ao segundo palco. Atencioso, o cantor cumprimenta, distribui beijos e tira fotos com os admiradores. É no anexo que “Who’s Loving You”, do The Jackson 5 – com participação do grupo Naturally 7, responsável pelo show de abertura -, e o mais novo sucesso, “To Love Somebody”, são executados. Com uma versão apaixonante de “All You Need Is Love”, da banda The Beatles, o canadense despede-se do palco menor em meio a uma chuva de corações vermelhos e brancos. É a vez de “It’s a Beautiful Day” e uma impressionante movimentação por parte do público para que o cantor não se despeça.

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Celulares em punho transformam o Ginásio do Ibirapuera em um mar de luzes. É o pedido para o retorno de Michael Bublé ao palco. Sem gravata, vestindo um terno brilhante no melhor estilo 007, o artista emociona com “Cry Me a River”. Depois da divertida “Save The Last Dance For Me”, “A Song For You” é a responsável por uma das grandes e últimas surpresas da noite. O cantor abandona o microfone, pede silêncio e canta à capela, na frente da cortina já abaixada, sozinho no palco e com a voz embargada a frase “and when my life is over I remember when we were together, we were alone and I was singing my song for you” (“e quando minha vida acabar eu vou lembrar quando estávamos juntos, nós estávamos sozinhos e eu cantava minha música para você”) levando o público às lágrimas.

Referindo-se à plateia como “meus amores”, o carinho que Bublé tem com as pessoas é sincero e emociona: “Minha família, meus amores, meus amigos, falo sinceramente, perdi as contas de quantos shows fiz e por quantas cidades passei, vocês são o melhor público que tive. Meu trabalho não é exatamente duro, mas o que tive aqui essa noite é prazer puro, uma bênção. Voltarei quantas vezes vocês me quiserem!”. Após ajoelhar-se e beijar o palco, o artista despede-se definitivamente, ovacionado de pé pelo público de sua última apresentação da turnê “To Be Loved” no Brasil.

O moderno e bem planejado “To Be Loved”, de Michael Bublé, leva o significado de show a outro patamar. Com uma orquestra talentosa, uma produção impecável e sua potência vocal indiscutível, o cantor prova que é uma das maiores estrelas da atualidade. Apesar de acessível, tranquilo e divertido, o astro mantém o público sem respirar de emoção em um espetáculo perfeito em todos os sentidos. A life-changing experience.

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