“Mystère” é uma explosão de cores no meio do deserto

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(Foto: Matt Beard)

“Uma flor no deserto”. É assim que Guy Laliberté, fundador do Cirque du Soleil, se refere ao espetáculo “Mystére”. A declaração brinca com o fato do show de cores vibrantes estar situado na cidade de Las Vegas. A publicidade do espetáculo destaca tons quentes, que remetem ao clima árido. Cenários e figurinos coloridos, movimentados através de músicas clássicas, quase operísticas, mas com batidas poderosas, surpreendem o público. Em pouco mais de 20 anos, “Mystére” emocionou quase 15 milhões de pessoas e superou a marca de 10 mil apresentações.

Dirigidos por Franco Dragone, 75 acrobatas, dançarinos, cantores e músicos de diversas nacionalidades fizeram de “Mystère” o primeiro grande evento da cidade americana. A partir do espetáculo, as produções começaram a se preocupar com a grandiosidade e com o nível de qualidade de seus shows. “Mystère” conquistou o público com seu estilo único. A produção mistura números circenses com dança e música de diferentes lugares do mundo, além da comédia inocente baseada em apresentações de artistas de rua.

Desde 1984, o Cirque du Soleil entreteve mais de 100 milhões de pessoas. A trupe visitou mais de 300 cidades em 40 países nos seis continentes. A companhia emprega 5 mil pessoas, incluindo mais de mil artistas de 50 lugares, inclusive o Brasil. Em Las Vegas, o Cirque du Soleil possui oito shows residentes, contando com “Mystère”: “O”, “Zumanity”, “KÀ”, “The Beatles LOVE”, “CRISS ANGEL Believe”, “Zarkana” e “Michael Jackson ONE”.

A ideia de criar “Mystère” surgiu em 1990. O espetáculo com tema baseado na mitologia grega e romana seria residente no Caesars Palace, porém os executivos do hotel acharam o plano financeiramente arriscado. A proposta era que o show fosse completamente diferente do que tipicamente era visto em Las Vegas, sem os boás europeus influenciados pela Folies Bergère. Três anos depois, “Mystère” foi destinado ao hotel Treasure Island e seria produzido em parceria com o imponente Mirage.

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(Fotos: Matt Beard)

O empreendimento foi o primeiro com a marca Cirque du Soleil a ter seu próprio teatro. O Mystère Theatre foi construído com as especificações exatas para o show, diferente das tendas circenses onde se apresentam os espetáculos itinerantes da companhia. Desenhado por Michel Crête, o espaço possui mais de 1.500 assentos. O palco é revestido de plástico reciclado para auxiliar na segurança dos acrobatas. Ao centro, há uma parte do tablado que sobe, desce e gira de diversas maneiras e velocidades. Além disso, há pequenos elevadores espalhados pelo palco que levantam e abaixam equipamentos e artistas. Os mecanismos foram construídos em Montreal e transportados para Las Vegas.

Os tambores Taiko são peças importantes do folclore japonês. Os instrumentos – que possuem diversos tamanhos – existem há mais de 1400 anos. O maior deles precisou ser colocado no teatro durante a construção da casa. Com o final das obras, os tambores nunca puderam ser movidos, uma vez que não passam por nenhuma das portas.

A música original de “Mystère” foi composta por René Dupéré. O compositor criou as canções de todos os shows anteriores do Cirque du Soleil, incluindo o grande sucesso “Saltimbanco”. Em 1995, o espetáculo passou por mudanças e algumas músicas foram modificadas com o auxílio de Benoît Jutras, um diretor musical que, mais tarde, compôs “Quidam”. O tradicional disco com as canções da montagem foi relançado como “Mystère: Live in Las Vegas”. Após o lançamento do segundo álbum, o show foi rearranjado novamente, ou seja, nenhum dos registros possui as canções do espetáculo como atual.

Dominique Lemieux se inspirou na natureza para criar as cores e os movimentos dos figurinos de “Mystère”. As penas do personagem Firebird, por exemplo, foram colocadas de uma maneira para que o público tenha a impressão de que o pássaro está voando. Além disso, “Mystére” é um dos poucos espetáculos da companhia que brinca com todas as cores ao mesmo tempo.

Tradicional em todos os espetáculos do Cirque du Soleil, o pré-show acontece 30 minutos antes do início. Em “Mystère”, o personagem Clown diverte o público e acaba ganhando o carinho da plateia por todo o espetáculo. O gigante Baby é o responsável por outro momento de descontração e participação dos espectadores. É incrível o poder da universalidade das cenas da companhia. Não são necessários grandes textos para a identificação do público com a história. Entre os principais atos, destacam-se “Aerial Cube”, onde um artista faz uma performance no ar com um cubo de metal; “Chinese Poles”, quando um grupo de acrobatas dançam, escalam e pulam de um poste para outro; e “Energetic Characters”, um show de saltos velozes.

Outro ponto que merece menção e que se tornou uma das marcas registradas de “Mystère” é Alice, um caracol. Ao final do show, quando o animal aparece em tamanho gigante, há quatro controladores dentro do boneco que seguem marcas no chão, pois não conseguem enxergar nada além do tablado. Os artistas controlam os olhos, o corpo e o rabo que se movimentam separadamente.

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(Foto: Matt Beard)

“Mystère” conquistou o prêmio de “Melhor Show” pela Las Vegas Review-Journal oito vezes! E é considerado o “must see” da cidade. Em cartaz no hotel Treasure Island, o espetáculo pode ser visto de sábado à quarta-feira, às 19h e às 21h30. Antecipe-se e consulte a programação: esporadicamente há apenas as sessões das 19h. O show tem aproximadamente 90 minutos de duração e é indicado para todas as idades. Os ingressos custam de $125 a $69 (mais taxas) e crianças de até 12 anos tem 35% de desconto, se houver disponibilidade de entradas. Há descontos comprando o pacote família ou amigos, o pacote que inclui um jantar e caso esteja hospedado no Treasure Island. Os ingressos podem ser encontrados no site oficial do hotel. Ensaios abertos acontecem aos sábados, das 15h às 15h45, e aos domingos, das 17h às 17h30. Grátis!