Consagrado como o rei dos musicais, “O Rei Leão” chega ao Brasil

(Foto: Divulgação)

Assistir ao musical “O Rei Leão”, em cartaz no Teatro Renault, em São Paulo, não é tarefa fácil. Primeiro porque a montagem não é qualquer uma, é a de uma história que vem tocando gerações nos palcos e no cinema há anos. Segundo porque a espera é longa. Desde a estreia brasileira no final de março, o musical teve todas as suas sessões esgotadas. São mais de 1.500 pessoas em cada uma das sete apresentações por semana. Mesmo alguns setores tendo um preço alto (o setor Premium chega a custar R$270!), todas as entradas disponíveis para o próximo mês estão vendidas.

E não pense que o sucesso de “O Rei Leão” se restringe apenas ao Brasil, pelo contrário! Em Nova York desde novembro de 1997, o espetáculo se tornou recentemente a maior bilheteria da história da Broadway, arrecadando quase US$854 milhões! Os números são impressionantes: a história de Simba – um leão que perde o pai e foge de suas responsabilidades como rei – foi traduzida para oito idiomas e montada em mais de 15 países em 5 continentes. Mais de 66 milhões de pessoas acompanharam a saga no mundo! Em Londres, a peça está em cartaz desde outubro de 1999 no Lyceum Theatre, um dos maiores teatros no West End.

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Com músicas de Elton John e letras de Tim Rice – que veio ao Brasil assistir a versão -, a adaptação do filme de 1994 foi dirigida pela americana Julie Taymor, que também assina a criação do impecável figurino e das delicadas máscaras. “O Rei Leão” rendeu a Taymor muitos prêmios, como o Tony de Melhor Direção, que fez dela a primeira mulher na história da premiação a vencer na categoria. Aliás, prêmio é o que não falta para o show. O musical foi contemplado com mais de setenta troféus, incluindo Tonys, Molières, Drama Desks, Outer Critics Circles, Drama Lagues e até um Grammy. Todos prêmios importantes e respeitados mundialmente.

No Teatro Renault (ex-Teatro Abril), casa de todos os grandes musicais da cidade, “O Rei Leão” não faz feio! Apesar da versão de Gilberto Gil causar estranheza nos mais conservadores, as estrelas brasileiras brilham tanto ou mais do que os atores das montagens de fora. O clássico número “Ciclo da Vida” traz uma, dos vários sul-africanos que trabalham na montagem (em todo o mundo mais de 200 foram contratados!). É a cantora Phindile Mkhize (Rafiki), que cantou na trilha sonora original do filme e está no musical há 10 anos. Com ela, o coro africano se destaca e dá o tom descontraído e emocionante da história.

No primeiro ato, a performance do cantor César Mello (Mufasa) derrama lágrimas dos mais sensíveis durante o número “Está em Ti”, mas é o ator Cayo Caesar que rouba a cena com o divertido Timão. Substituindo Ronaldo Reis (o primeiro ator a entrar em cena como o personagem), Caesar se mostrou tão naturalmente à vontade que, ao final do espetáculo, o público se questionava se realmente havia alguém melhor que o artista para interpretar o papel. Sem exageros, só assistindo ao impecável e hilariante “Hakuna Matata” que Cayo e seu companheiro Marcelo Klabin (Pumba) apresentaram, para ter ideia do que a plateia sentiu. No segundo ato, o destaque é Tiago Barbosa, o cantor que dá vida ao adulto Simba. Durante o número “Noite Sem Fim”, Barbosa arrepiou o público com sua interpretação verdadeira e emocionada. O espetáculo “O Rei Leão” ainda não tem data para terminar.