Os erros e os acertos de “De Volta Para o Futuro – Parte II”

Michael-J-Fox-e-Christopher-Lloyd-em-De-Volta-Para-o-Futuro-Parte-2-Back-To-The-Future-Part-II

Em 1989, a segunda parte do longa-metragem americano “De Volta Para o Futuro” chegou aos cinemas de todo o mundo. Em uma série de reportagens especiais, o Setor VIP relembra a trilogia produzida por Steven Spielberg, que completa 30 anos em 2015.

“DE VOLTA PARA O FUTURO – PARTE II”

Apesar da mensagem de continuação que aparece nos últimos segundos do filme “De Volta Para o Futuro”, não era a intenção da equipe criativa do longa-metragem fazer uma sequência. A piada aguçou a curiosidade do público e a segunda parte da ficção científica demorou três anos para ficar pronta. O diretor Robert Zemeckis estava envolvido em “Uma Cilada Para Roger Rabbit” (1988). Para evitar problemas parecidos com a terceira e última parte, ambas foram gravadas ao mesmo tempo. Foram gastos US$40 milhões para criar o que transformaria a vida de muita gente, mais que o dobro do orçamento da primeira história.

Fazendo bem menos barulho do que a parte inicial, “De Volta – Parte II” conquistou o público por aspectos diferentes do primeiro. O conceito da história e a magnitude dos efeitos, o mundo inteiro já conhecia. Foi por isso que o roteirista Bob Gale teve a ideia de criar o futuro. Futuro mesmo, já que no primeiro longa-metragem os personagens Marty McFly e Dr. Brown voltam para o presente, o futuro de onde estiveram com a máquina do tempo. Por isso o título do filme. Fácil escrever sobre o ano em que vivia e fácil escrever sobre o passado. Ambos os tempos existiram e há milhares de registros para usar como referências em uma história. No longa-metragem, os personagens viajam de 1985 para 2015. Mas como ilustrar o desconhecido?

Em parceria com o produtor Neil Canton, Gale transformou produtos de marcas famosas da época em versões evoluídas ou em antiguidades, baseado apenas em suas opiniões pessoais. Além disso, os produtores inventaram serviços que vieram a se tornar realidade, como a videoconferência, popularizada pelo Skype, por exemplo. Nike, Black & Decker, Texaco, Mattel, Pizza Hut e Pepsi são algumas das marcas presentes em cenas clássicas de “De Volta Para o Futuro – Parte II”.

Michael-J-Fox-e-Christopher-Lloyd-em-De-Volta-Para-o-Futuro-Parte-2-Back-To-The-Future-Part-II

>> “De Volta Para o Futuro”: o passado que mudou a história do cinema

Em 2010, para comemorar os 25 anos de “De Volta Para o Futuro”, a Nike anunciou o lançamento do Nike MAG, um tênis inspirado no longa-metragem. Com os painéis de LED laterais e o logo eletrônico, os 1.500 pares foram leiloados em prol da Michael J. Fox Foundation, instituição criada pelo intérprete de Marty McFly, que busca a cura para o Mal de Parkinson, doença que o próprio ator luta contra. Diferente das telas, o calçado não se amarra sozinho. A marca prepara para a comemoração de três décadas, um produto com a tecnologia da história. Para a gravação, foram necessários cinco homens, que ao toque do diretor, puxavam ao mesmo tempo as linhas que seguravam, dando a impressão que o tênis adaptava-se automaticamente aos pés dos personagens.

Com a marca Mattel estampada em meio ao rosa choque que caracteriza o produto, o icônico hoverboard (uma espécie de prancha que flutua) é uma das criações que não existem e não está nem próxima de existir. A minúscula Pizza Hut (meia pepperoni e meia pimentão, lembra?) precisa de apenas dois segundos em uma máquina de reidratação para se transformar em uma pizza tamanho família. Para se tornar real, precisa de mais de 25 anos. Outra criação que não se desenvolveu como na imaginação dos criativos produtores, foram os postos de gasolina. Sob a marca Texaco, os carros são abastecidos por robôs. O combustível seria criado a partir do lixo e daria energia suficiente para que os automóveis voassem.

Dezenas de outras criações não se tornaram reais como a jaqueta que se ajusta ao tamanho de quem a veste e possui uma função de secagem rápida, a utilização de duas gravatas ao mesmo tempo – uma ao lado da outra – e os garçons holográficos, embora seja possível efetuar pedidos de maneira automática em máquinas, sites e aplicativos.

Michael-J-Fox-e-Christopher-Lloyd-em-De-Volta-Para-o-Futuro-Parte-2-Back-To-The-Future-Part-II

O Cafe 80’s, lanchonete em homenagem a cultura dos anos 80, representa as inúmeras celebrações das atuais gerações em relação à famosa década. Em uma parede cheia de monitores, é possível perceber famosos programas da época como “Taxi” (1978 – 1983), “Family Ties”* (1982 – 1989), “Oprah” (1986 – 2011), “Miami Vice” (1984 – 1990) e “The Smurfs” (1981 – 1989).”Beat It”, canção de 1982, exalta Michael Jackson, que assim como os produtores imaginavam, continua tocando mais de 30 anos depois. É nessa cena que Marty pede uma Pepsi e uma garrafa de design moderno aparece automaticamente em sua mesa. Em homenagem a trilogia, a Pepsi Perfect chega ao mercado (apenas nos Estados Unidos) em edição limitada a partir desse mês. Em determinado momento, McFly brinca em um fliperama e o ator que contracena com Fox é Elijah Wood, em sua estreia nas telas de cinema, aos oito anos. Outro artista que se tornou conhecido em Hollywood e faz uma ponta no filme é Billy Zane, que na mesma cena aparece como o personagem Match, um dos amigos do vilão Biff, interpretado por Thomas F. Wilson.

*”Family Ties” ficou conhecida na televisão brasileira como “Caras & Caretas” (Rede Globo). Michael J. Fox interpretava o papel principal, Alex P. Keaton. A presença da série na lanchonete foi uma brincadeira com o ator.

“De Volta – Parte II” ainda teve diversos outros acertos como o reconhecimento digital, o pagamento digital e a utilização de drones. A ideia de tratamentos de rejuvenescimento foi colocada no filme para evitar que Christopher Lloyd ficasse horas em sessões de maquiagem para envelhecê-lo, a fim de dar vida de forma mais realista ao Dr. Brown em 2015. Com “Tubarão 19”, “De Volta Para o Futuro” critica, sem querer, as dezenas de sequências de filmes que acabaram surgindo e se tornando populares com o passar dos anos. Apesar de ser um holograma, as técnicas para tornar os filmes mais verdadeiros estão avançadas, principalmente com as misturas dos efeitos 3D e do som surround.

Como não previam a continuação de “De Volta Para o Futuro”, e a primeira parte se encerra com Marty e Jennifer conversando com o “Doc”, a atriz Elisabeth Shue precisava estar no início da continuação. Sem ideias para a personagem, os roteiristas decidiram colocá-la para dormir durante a viagem no tempo e assim ela permaneceria durante quase toda a história. Outra curiosidade, é que quando Marty visita um antiquário, há um Roger Rabbit de pelúcia na vitrine, uma brincadeira com Zemeckis, que lançou o filme um ano antes de “De Volta – Parte II”, mas que no futuro, já daria ao coelho o patamar de antiguidade.

“De Volta Para o Futuro – Parte II” concorreu ao Oscar e ao BAFTA de Efeitos Visuais em 1990, levando para casa apenas o segundo. O longa-metragem arrecadou cerca de U$330 milhões.