“Otelo” e as impecáveis interpretações de Samuel de Assis, Mel Lisboa e Rafael Maia

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Um dos mais influentes dramaturgos do mundo, William Shakespeare escreveu quase 40 espetáculos teatrais. “Romeu e Julieta”, “O Mercador de Veneza”, “Rei Lear”, “A Megera Domada”, “Ricardo III”, “Macbeth” e “Hamlet” são alguns dos textos mais montados do autor na história. Escrita por volta de 1603, a peça “Otelo” possui todos os atributos necessários para manter o espectador compenetrado. A tragédia cheia de reviravoltas chama atenção pelo texto inteligente, personagens complexos e humor ácido.

A mais recente montagem brasileira estreou em agosto de 2015, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Após cinco meses em cartaz, o espetáculo chegou aos palcos do Teatro FAAP para uma curtíssima temporada. A realização de “Otelo” foi possível somente após a colaboração de 156 apoiadores – entre eles os atores Erom Cordeiro e Denise Del Vecchio -, que através de uma “vaquinha virtual” contribuíram com aproximadamente 28 mil reais.

Com direção de Debora Dubois, o elenco é encabeçado por Samuel de Assis, Mel Lisboa e Rafael Maia. A parceria de Dubois com os artistas não é inédita. O quarteto trabalhou no musical “Rita Lee Mora Ao Lado”, em 2014. Antonio Ranieri, Cesar Figueiredo, Glaucia da Fonseca, Marcio Guimarães, Ricardo Monastero e Yael Pecarovich completam o corajoso time que, além do trabalho de contar a complexa história, inseriu trechos de canções de Caetano Veloso à tragédia que se passa entre Veneza e a Ilha de Chipre. A música é tocada e cantada ao vivo pelos próprios atores.

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Rafael Maia, Samuel de Assis e Mel Lisboa.

Na pele do protagonista Otelo, Samuel de Assis surpreende o público com sua impecável atuação. Entregue, o ator conquista a plateia ao demonstrar a força e a fragilidade do personagem e interpretar de maneira natural a complexa obra em quase duas horas e meia ininterruptas de espetáculo. Mel Lisboa assume sua beleza sem medo de ofuscar seu talento. Na pele de Desdêmona, a artista reitera o interesse em mergulhar em papéis completamente diferentes dos quais está acostumada, que a pressionam a romper barreiras e a se aprimorar (ainda mais) como atriz. Com exceção da maquiagem que mistura o personagem Coringa com o visual da cantora Lady Gaga em “Applause”, Rafael Maia conduz de forma cativante o imprudente e provocador vilão Iago.

Apesar da funcional adaptação realizada para cada cena, o cenário assinado por Marcio Vinicius parece simples ao ser comparado com a iluminação primorosa de Cesar Pivetti, o maior acerto técnico do espetáculo. Ambos foram criados em parceria com Debora. O figurino elaborado por Marcio Macena impressiona pelo número de detalhes que se adéquam perfeitamente ao espetáculo. Destaque para as peças usadas por Assis e Lisboa.

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Mesmo que “Otelo” tenha sido escrita a mais de 400 anos, a história que fala sobre amor, ciúmes, traição e preconceito, permanece moderna e se encaixa perfeitamente nos dias atuais. Além de descrever parte do cotidiano, o espetáculo teatral é uma excelente oportunidade para conhecer mais profundamente a extraordinária obra de Shakespeare. O autor certamente ficaria orgulhoso.

“Otelo” está em cartaz no Teatro FAAP (Rua Alagoas, 903 – Consolação) em São Paulo. Quartas e quintas às 20h. Os ingressos custam de R$20,00 (meia) a R$40,00 (inteira) e podem ser encontrados na bilheteria virtual do espaço. Até 18/02.