Pabllo Vittar: “Convivo muito bem com críticas, desde que feitas de forma respeitosa”

(Foto: Fernanda Tiné)

“Problema Seu”, primeiro single do segundo álbum da carreira de Pabllo Vittar, acaba de chegar em todas as plataformas digitais. Gravado no Palácio dos Cedros, em São Paulo, o clipe ultrapassou meio milhão de visualizações na primeira hora. A superprodução – a maior e mais bem executada da carreira da cantora até agora – mostra Pabllo como uma espiã que precisa vencer diversos obstáculos para resgatar uma joia intitulada “PV2”, codinome para o próximo disco de Pabllo Vittar, programado para ser lançado em 2018.

Intérprete de grandes sucessos como “Corpo Sensual”, “K.O.” e “Open Bar”, Pabllo Vittar se tornou um dos maiores fenômenos fonográficos do Brasil e a drag queen mais popular do planeta. Apenas para ilustrar a visibilidade da artista, RuPaul – drag queen responsável pelo reality-show “RuPaul’s Drag Race” – não alcançou 30 milhões de visualizações no YouTube. “Sua Cara”, canção gravada ao lado de Anitta com o trio Major Lazer possui 400 milhões de acessos na plataforma. Em seu canal oficial, Pabllo Vittar ultrapassa 750 milhões de visualizações.

Cercada de pessoas que prezam pela sua segurança, constantemente abordada por centenas de admiradores e trabalhando em uma das áreas mais cobiçadas do entretenimento, a cantora tem seu nome constantemente associado ao – muitas vezes desfavorável – adjetivo “estrela”. Em entrevista exclusiva ao Setor VIP, Pabllo Vittar desmistifica o posto e se posiciona como uma artista grata por suas conquistas, cheia de planos profissionais e sonhos que incluem o bem-estar e a felicidade de todas as pessoas, independente do gênero.

Você passou sua infância e adolescência entre o Maranhão e Minas Gerais, certo?
Sim, vivi minha infância e adolescência no Maranhão e no Pará. Me mudei para Minas Gerais quando passei no vestibular.

Quais lugares te trazem as principais memórias da infância, que lembre momentos marcantes ao lado da sua família ou o começo de sua carreira?
Lembro muito de brincar com as minhas irmãs na casa dos meus avós e de uma apresentação que fiz na parada LGBT de Uberlândia quando nem era Pabllo Vittar ainda…

Inúmeros artistas começaram suas carreiras de sucesso colocando músicas na internet. Você se inspirou em alguém quando teve a ideia de publicar sua primeira canção?
As redes sociais sempre foram naturais para mim. Quando comecei a cantar tive a necessidade de publicar meus vídeos para dividi-los com meus amigos e conhecidos. Um dos meus vídeos cantando uma música da Whitney Houston acabou viralizando e comecei a fazer alguns shows pequenos ainda no Nordeste…

Teve medo da superexposição em algum momento?
A superexposição e a fama me dão um pouco de medo, mas como amo dividir meu dia a dia nas redes sociais e tenho uma relação muito próxima com meus fãs, muitos se tornaram amigos, não vejo como um problema. Acabo recebendo muito ódio, mas aprendi a ignorar.

Uma das suas primeiras e mais marcantes aparições na televisão foi no programa “Amor & Sexo”. Acha que o apoio da TV aberta ao abraçar a diversidade foi fundamental para que o público mais conservador curtisse o seu trabalho com mais facilidade? Acha que a popularidade da arte drag facilitou o acesso do público a sua música?
A diversidade na TV aberta é fundamental para a desconstrução da nossa sociedade. Somos todos lindos, trabalhadores, talentosos e com direitos iguais, então porque não termos nosso espaço? E sim, a popularidade da arte drag no mundo me ajudou a ter meu trabalho reconhecido no Brasil.

Sente algum tipo de preconceito no meio artístico por ser uma artista drag queen?
Não me lembro de sofrer nenhum tipo de preconceito no meio artístico, mas sei que ele ainda existe sim e eu tive a sorte de ainda não ter que enfrentá-lo.

Drag queens, orientação sexual, transexualidade e muitos assuntos que não eram discutidos estão constantemente em pauta. Acha que as pessoas têm compreendido e estão respeitando mais as diferenças, mudando comportamentos preconceituosos como a propagação da opressão, do machismo, da homofobia e da transfobia?
Sim, sim! Estamos caminhando a passos de formiga e às vezes dando alguns passos para trás, mas o importante é discutirmos, principalmente para que as novas gerações cresçam livres de preconceito. Sinto que a propagação de qualquer tipo de preconceito vem, principalmente, da falta de informação, por isso precisamos falar sobre esses assuntos. Independente de raça, religião, orientação sexual ou identidade de gênero, somos todos humanos e buscamos respeito.

(Foto: Fernanda Tiné)

“Vai Passar Mal” tem pop, samba, funk, batidas regionais… transitar por diversos gêneros musicais era uma das intenções do seu trabalho, um tipo de marca que você quis colocar em sua música? Quais os artistas mais diferentes que você ouve?
Sempre amei diversos tipo de música, então porque não misturar tudo, se pode ficar legal? É o que sempre tento com a minha música! Amo escutar de divas pop, como Beyoncé e Rihanna, à música do meu Norte e Nordeste, como Companhia do Calypso. Escuto bastante música latina, como Natti Natasha e Bomba Stereo… porque não juntar todas essas referências?

É diferente fazer shows em determinadas regiões do Brasil? Há alguma região que você não fez show ou não tem um grande público que gostaria de conquistar?
É diferente, sim. Cada lugar tem sua maneira, não tem como comparar! Até hoje acho que só não fiz show em Roraima. Galera de Boa Vista, me convida aí! (risos) Já fui para todos os estados do Brasil e amo cada um deles com suas particularidades.

Quem dirigiu seu show atual?
Meu show atual foi construído por mim e por meu empresário Leocádio Rezende. Já estamos trabalhando na próxima turnê, que está ficando super legal!

Você adapta o repertório dependendo do local ou evento em que se apresenta?
Adapto o repertório, sim. Muitos shows contam com participações locais e quando sei que o público curte músicas diferentes tento me adaptar.

Seu espetáculo possui inúmeras críticas positivas e negativas. Não estou falando sobre fãs e nem sobre haters, estou falando sobre o público geral. É difícil lidar com as críticas?
Não, convivo muito bem com as críticas, desde que elas sejam feitas de forma respeitosa. As críticas me ajudam a crescer e a melhorar.

Amo um vídeo amador que tem na internet de um trecho de sua apresentação no Rock in Rio, com o público cantando “Sua Cara”. Você se emociona assistindo e relembrando suas apresentações?
Demais! Choro um monte lembrando esses momentos tão especiais da minha carreira!

E quais os momentos que mais te emocionaram até agora?
Acho que os mais marcantes até hoje foram o Rock in Rio, desfilar na Sapucaí e ter meu próprio trio no carnaval de Salvador.

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(Foto: Fernanda Tiné)

Você é uma das drag queens mais famosas do planeta e, sem dúvidas, a mais famosa do Brasil. Em pouco tempo abriu inúmeras portas e se tornou um exemplo pra muita gente. A responsabilidade tem algum peso?
Tem um peso sim, mas encaro de forma leve. Quando criança me questionava por não ter artistas LGBTs para me espelhar, então fico muito feliz por hoje termos uma infinidade de artistas talentosíssimos mostrando que, independente de tudo, conseguimos ser bem sucedidos.

Ao que você atribui o sucesso de sua carreira?
O sucesso da minha carreira vem de uma soma de coisas: trabalho e me dedico muito, tenho uma equipe que me dá suporte o tempo todo e tenho fãs para dividir todas essas conquistas comigo.

E como imagina seu futuro profissional?
Não penso muito no futuro, mas sei que quero estar nos palcos e dividir essa energia com o público pra sempre.

Há algo específico que você queira dizer para o público com seu trabalho? Uma das suas intenções quando se lançou como artista era se tornar representante do público LGBTQ?
A minha intenção sempre foi dividir o que passo e o que sinto, independente dos resultados. Acho que o mais importante do meu trabalho é mostrar pra todo mundo que não importa se você é LGBT ou não: com garra e com o apoio das pessoas perto de você, você consegue alcançar o que deseja! Vamos dar suporte às drags locais, aos artistas LGBTs e às pessoas perto de você!

Você fez parte de um coro de uma igreja católica quando era mais nova. Qual a sua relação com a igreja hoje?
Sou cristã, mas não vou à igreja com frequência.

Você está se preparando para lançar seu segundo álbum. Pode contar um pouco sobre o processo de escolha de seu repertório como, por exemplo, se pensa em seguir a diversidade musical do álbum anterior?
Sim, sim! Teremos muitos trabalhos lançados no segundo semestre de 2018! Vamos seguir com essa mistura maluca de ritmos, muito pop e muito divertido, e também estamos preparando um novo show, que começaremos a viajar com ele ainda esse ano!

Sua base de fãs cresceu de maneira imensurável. Você mantém contato próximo com seus admiradores? Como é sua interação com seus fãs em suas redes sociais, por exemplo? E nas apresentações ao vivo? Você costuma receber as pessoas em seu camarim em seus espetáculos?
Sim, sim! Tenho um contato super próximo com meus fãs pelas redes sociais, falo com eles sempre! Tenho um time que me ajuda porque o volume é muito grande, mas eu passo horas do meu dia sempre dedicadas a conversar com eles! Sempre que posso recebo meus fãs no camarim, alguns já se tornaram amigos e às vezes vejo umas caras conhecidas do Twitter na plateia. Lembro até o @ deles, porque temos uma relação bem próxima mesmo!

Quais são seus sonhos? Gostaria de tocar em alguma casa de shows específica ou em outro país? Tem algum artista que sonha fazer uma parceria?
Tenho uma lista imensa, mas sempre penso no próximo passo. Então, acho que meu sonho agora é que todo mundo ame minhas novas músicas e que elas me tragam a realização de outros sonhos! Estou muito ansiosa pelo próximos lançamentos!