Paixão, sofrimento e traição destacam-se em “Frida y Diego”

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Parte da vida dos pintores mexicanos Frida Kahlo (1907 – 1954) e Diego Rivera (1886 – 1957) pode ser conferida na peça “Frida y Diego”, em cartaz no Teatro Raul Cortez, em São Paulo. Dirigido por Eduardo Figueiredo, o texto inédito escrito por Maria Adelaide Amaral marca o retorno da roteirista após 10 anos longe dos palcos. Para vivenciar a sofrida relação, Leona Cavalli e José Rubens Chachá dividem os holofotes durante quase duas horas de espetáculo.

“Frida foi uma artista a frente do seu tempo de diversas maneiras, não só na arte com seu traço único. Ela foi ousada na moda, na estética, no comportamento e na política”, conta Leona. “Ela foi uma feminista muito antes de existir esse título, ela tinha um relacionamento aberto antes de existir essa referência”, orgulha-se. “Frida transformou seu sofrimento em obra de arte”, diz em referência às mais de 30 cirurgias que deformaram partes de seu corpo após a batida do bonde que viajava em um trem.

No acidente, um pára-choques atravessou suas costas, próxima à pélvis, saindo pela vagina. Somada à poliomielite que lesionou seu pé direito e a deixou manca, Frida passou a conviver com um grave problema na coluna que a obrigava a usar coletes ortopédicos, sofreu incontáveis abortos pela gravidade da batida e nunca chegou a ser mãe. Com o passar do tempo, a artista precisou amputar os dedos dos pés. Fortes dores, vício em remédios e meses de cama foram apenas mais alguns dos diversos problemas de saúde na vida de Kahlo.

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Além do sofrimento físico, Frida sentia-se sozinha e magoada pelo excesso de traições por parte de Rivera, seu grande amor. Após idas e vindas, o relacionamento do casal tornou-se destrutivo quando a pintora descobriu que Diego tinha um caso com sua irmã mais nova, Cristina, com quem teve seis filhos. Apesar do perdão, a artista era constantemente ameaçada de morte pelas amantes de seu marido e tentou suicídio diversas vezes. Diego Rivera foi o grande incentivador da vida profissional de Frida Kahlo.

A paixão avassaladora, os erros, a mágoa, a solidão, a força, o perdão, a gratidão, as traições, as viagens, as discussões políticas, os princípios, o casamento e dezenas de passagens fundamentais da vida dos artistas estão presentes no espetáculo em sequências que não seguem ordem cronológica dos acontecimentos. A obra dos pintores – com o apoio de telões que expõe a data e o local de cada cena – auxilia o público a acompanhar a história de forma linear. O espetáculo “Frida y Diego” se passa entre o período de 1929 a 1953, no México, França e Estados Unidos.

Com dezenas de trocas de roupas e centenas de acessórios – incluindo as perucas que destacam as fases de cabelos longos e curtos* -, a caracterização de Leona Cavalli na artista mexicana impressiona. Impossível destacar qual a peça mais bonita ou a que simboliza melhor a personalidade de Frida. Apesar do cenário simples, o cuidado com os detalhes torna a experiência ainda mais verídica. Cenografia, figurinos e adereços são assinados por Márcio Vinícius.

*Frida cortou seus cabelos em um acesso de raiva após flagrar seu marido e sua irmã na cama.

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Apesar do sofrimento, a grande lição que Frida eternizou com uma de suas obras foi criada oito dias antes de sua morte. A frase “viva la vida” aparece escrita em um quadro composto por melancias e resume a história de amor, paixão, liberdade e cumplicidade que viveu ao lado de Diego.

A peça “Frida y Diego” está em cartaz no Teatro Raul Cortez (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista) somente até o dia 14 de dezembro. Sexta às 21h30, sábado às 21h00 e domingo às 19h00. Os ingressos podem ser encontrados no Compre Ingresso e custam de R$30 (meia) a R$80 (inteira).

Em 2015, o espetáculo desembarca no Teatro Maison de France (Avenida Presidente Antonio Carlos, 58 – Centro), no Rio de Janeiro a partir do dia 09 de janeiro. Sextas e sábados às 20h00 e domingos às 19h00. Os ingressos para a temporada carioca estão à venda no Ingresso.com e custam de R$30 (meia) a R$80 (inteira).