Paula Fernandes: “Rotular é limitar uma música que pode tocar todo mundo”

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Como parte da divulgação do novo disco “Amanhecer” (2015), a cantora Paula Fernandes recebeu a imprensa na última segunda-feira, 19, para contar um pouco sobre o trabalho que explana para o Brasil e para o mundo o seu mais novo momento. “Estou muito contente e muito mais leve. O disco retrata meu próprio amanhecer, uma fase de repaginar o que fiz e de continuar a construir minha carreira”, conta com um enorme sorriso estampado no rosto, provando que a felicidade não está apenas nas novas músicas. “Estou apaixonada e estava ansiosa para saber como seriam minhas composições com minhas novas inspirações”, derrete-se. “Estou mais realizada, respeitando meus limites e aprendendo o que posso oferecer para o meu público que me abraçou com tanto carinho, afinal, eles merecem”.

Paula aprendeu a julgar o que é bom e o que é ruim para sua carreira desde cedo, quando estreou profissionalmente aos 8 anos. “São 23 anos de carreira e 5 ou 6 no cenário musical”, relembra em relação ao período que ficou nacionalmente conhecida. “Sou muito observadora e nesse período de crescimento fiz um balanço. Foi tudo muito prazeroso, mas é a primeira vez que a Paula Fernandes pessoa se soma a Paula Fernandes artista”, confessa. “A minha vida mudou muito. Construí uma carreira sólida e ofereço um trabalho de qualidade para o meu público. Acredito que minhas novas canções mostram o quanto sou uma compositora versátil e livre de rótulos”.

Paula é doce. Não esconde sua raiz caipira e seu jeitinho de menina. A postura muda na hora de defender sua opinião sobre quem julga seu trabalho. “Não tenho limites como compositora. Pode acontecer de nascer um samba ou uma música pop. Sou sertaneja. Eu tinha que ter nascido de algum lugar, mas poderia ter saído da bossa nova. Componho com a minha intuição, nunca me rotulei”, explica. “Rotular é limitar uma música que pode tocar todo mundo, independente do gênero musical favorito. Não agrado todo mundo, mas atinjo um público de 0 a 100 anos. Me orgulho por isso”, ressalta antes de afirmar que “Amanhecer” tem a cara do Brasil. “As canções retrata bem por onde passei, do norte ao sul do país. Me sinto uma cantora de música universal”, finaliza.

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Embora o novo trabalho tenha uma unidade, as canções não são parecidas umas com as outras. “Sou eclética e meu produtor, Márcio Monteiro, respeita o que cada música pede. Existem canções com arranjos simples, de viola e violão, e outras um passo à frente, inovadoras como “Depende da Gente”, que passeia pelo universo eletrônico. É a música mais internacional do disco”, confessa feliz por atingir o público internacional. Paula Fernandes viajou para países como Portugal, Espanha, Itália e Estados Unidos. “Paula Fernandes Ao Vivo” (2011), “Meus Encantos” (2012) e “Um Ser Amor” (2014), suas três turnês oficias, passaram por outros continentes. “A próxima turnê deve se chamar ‘Amanhecer’ e o repertório abrange a música sertaneja, mas vai superar as expectativas e me levar para outros cantos”, comemora.

“Tenho três parcerias nesse disco. Compus ‘Pedaço de Chão’ com o Victor, da dupla Victor e Léo, e gravei com o Almir Sater. Estava na chácara e fiquei muito emocionada ao ler a letra finalizada, quando a música ficou pronta, pensei no Almir de imediato porque a música é a cara dele. Agradeço publicamente porque ele é um espelho, um artista que eu admiro como pessoa e como profissional”, conta orgulhosa sobre o dueto. “‘Pronta Pra Você’ e ‘Falar de Fim’ compus com o Gustavo Fagundes, um compositor do Rio de Janeiro”, explica afirmando que “Amanhecer” é o disco mais autoral de sua carreira desde “Meus Encantos” (2012).

A cantora que já dividiu os palcos com artistas como Roberto Carlos, Shania Twain e Taylor Swift, conta sobre a experiência de cantar para mais de 20 mil pessoas ao lado de Alejandro Sanz. “O Alejandro me convidou para fazer a versão da música ‘A Que No Me Dejas’ e cantar ao lado dele. Fiquei nervosa porque as letras dele são muito profundas, mas me deu muita satisfação”, diz. “Há planos de muitas outras parcerias, mas não posso contar porque é surpresa. Muita coisa boa deve acontecer nos próximos meses”, provoca misteriosa.

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Das mais de 30 músicas finalizadas, 12 foram escolhidas para compor “Amanhecer”. “Todas as canções são autorais, mas nem todas são autobiográficas. Essa liberdade de construir histórias é muito legal, me sinto uma autora de novela”, diverte-se. “De repente as outras músicas que compus farão parte de um outro repertório”, pondera. “Fui presenteada com canções que me tocaram, que me emocionaram e espero que consequentemente emocionem alguém”, brinca antes de falar que o projeto gráfico do novo disco é um de seus preferidos. “Gosto de me colocar na posição do bastidor para avaliar o que está acontecendo. Tudo tem a minha cara”, afirma. “Estamos no caminho certo para o nosso crescimento como artista. Estou satisfeita por tudo que agreguei de valor e experiência aos profissionais novos, por construir uma equipe que é a minha cara”, diz antes de confessar que seu sorriso nunca esteve completamente estampado em seu rosto como está agora. “Antes distorciam minha imagem, agora tenho uma equipe coesa e mais preparada para encarar esse momento comigo. Estou conseguindo administrar a correria, de estar na estrada longe de tudo, mas perto dos meus fãs que é o mais importante para mim”, afirma. “Eles sabem quem eu sou eu”.

Antes de falar sobre o próximo passo da carreira, Paula Fernandes comentou sobre como a depressão ajudou a defini-la. “Foi o pior e o melhor momento da minha vida, pois comecei a construir quem sou hoje a partir da doença”, conclui. “É preciso ter fé e aproveitar as oportunidades para se tornar mais forte. A música tem um poder de cura incrível. A música sempre me fez bem, é como se me levasse para outra atmosfera”, afirma. “Muita gente se aproxima de mim para dizer que minha música ajudou a curá-las”, conta emocionada. “Fico feliz de encorajar as meninas, mas não vou me desfazer dos meninos, porque viemos para somar forças. Nunca disse que não tocava ou que não toco a mente masculina, pelo contrário, sinto que a visão que os homens tem da minha musica é apenas diferente do olhar feminino, o que é natural”, resume cheia de opinião.

Gravado em Brumadinho (MG), o vídeo de lançamento de “Amanhecer”, a primeira música de trabalho do disco homônimo de Paula Fernandes, é apenas um aperitivo. A canção ganhará um clipe oficial, com roteiro e direção,mas deverá seguir a mesma linha conceitual do trabalho. “Brumadinho tem tudo a ver com esse novo momento, é um lugar especial, que amo estar e sempre visito quando posso”, finaliza.