Paula Fernandes surpreende em apresentação de “Um Ser Amor”

Como parte da turnê intitulada “Um Ser Amor”, a cantora Paula Fernandes apresentou-se no Espaço das Américas, em São Paulo, na sexta-feira (10). Com uma voz poderosa e uma beleza exuberante, a artista mostrou seus maiores sucessos, homenageou artistas, relembrou parcerias e abusou dos figurinos, uma de suas marcas registradas.

Com as canções “Se o Coração Viajar” e “Não Precisa”, uma das artistas sertanejas mais bem sucedidas do país abre o espetáculo com uma dobradinha de fazer inveja. Os sucessos são seguidos por “Não Fui Eu”, música que traz a primeira troca de roupa de Paula. Com um vestido preto curtíssimo, trabalhado com rendas brilhantes e calçando um par de botas de cano alto da mesma cor, a cantora surpreende a plateia com as imagens dos telões. Andando em uma esteira, o público tem a impressão de que a artista desfila por um deck de madeira sobre o mar. Na parte mais forte da canção, a construção vai pelos ares e jorra água em frente à Paula, como se as ondas batessem em pedras. A projeção tem o efeito desejado graças às telas que dão profundidade às imagens por estarem dispostas uma na frente da outra.

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“Sejam bem vindos!”, cumprimenta em seu primeiro contato com o público. “Eu estou muito, muito, muito feliz de estar de volta em São Paulo. Tive a oportunidade de dirigir a turnê ‘Um Ser Amor’ e garanto a todos vocês que todo mundo está trabalhando para que vocês se sintam felizes e que essa noite seja super especial”, conta sorridente. Aliás, durante uma hora e quarenta minutos, o sorriso grande e sincero não sai do rosto da cantora. “Quero ter o prazer de anunciar o registro desse dueto, um dos momentos mais importantes da minha vida”, diz antes de “You’re Still The One”, canção de Shania Twain, que gravou parte em português.

Paula Fernandes não faz a menor questão de esconder as diversas referências à cantora country. No vídeo inicial, a brasileira aparece interagindo com um cavalo branco. Na gravação do DVD, o animal esteve presente, assim como nas apresentações da americana. Vestida de branco dos pés à cabeça, Paula lembra um dos figurinos mais clássicos de Shania. Além disso, as características físicas de ambas auxiliam nas comparações. Sem falar nas belas vozes, as cantoras desfilam uma beleza invejável, com marcantes cabelos encaracolados.

Paula Fernandes canta “Quando a Chuva Passar”:

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Depois de “Quando a Chuva Passar”, famosa na voz de Ivete Sangalo, o foco muda para a talentosa banda de Paula Fernandes. Ricardo Bottaro (teclados), Sérgio Saraiva (sanfona), Delano Macedo (pedal steel), Marcio Sacramento (baixo), Márcio Bianchi (bateria), Márcio Monteiro (guitarra e violão) e André Porto (guitarra e violão) somam ao time. “Eles são lindos, não são? Sou suspeita para dizer mas, além de lindos, são talentosos!”, conclui sobre seus “músicos queridos”, vestindo uma blusa branca e uma provocativa saia colorida. “Recentemente perdemos um ídolo da música sertaneja que vai para sempre morar em nossos corações”, diz antes de entoar “Estrada da Vida” em homenagem ao músico José Rico (1946-2015). “Eu tive o prazer de estar com ele mais de uma vez e ele me deu a honra, mais do que de seu talento, mais de seu sorriso”, derrete-se antes da bonita “Caminhoneiro”, homenagem à Dominguinhos (1941-2013). Um momento de música caipira raiz para ficar guardado na memória.

“Caminhoneiro”, homenagem para Dominguinhos:

“Sem Você” antecede a tradicional “Telefone Mudo”. “A próxima canção é uma canção muito especial para mim. Tenho que me segurar para não chorar”, confessa antes de “Sensações”, música que gravou com outra estrela da música country americana, Taylor Swift. A impecável “Sinônimos”, de Zé Ramalho, é a próxima canção a emocionar a platéia. Com a participação especial da dupla Chitãozinho e Xororó, Paula Fernandes prova seu talento e seu merecimento em conquistar o lugar que conquistou na música nacional. Difícil imaginar um número mais bonito. “A próxima música tem uma história muito interessante que vou contar bem rapidinho”, orgulha-se. “Eles me mostraram essa canção no camarim, de maneira despretensiosa e me arrepiei”, conta antes de “Pegando Lágrimas”, parceria impecável entre os artistas. “É um prazer imenso para nós. Obrigado!”, finaliza Xororó.

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Com uma saia rodada branca e cabelos presos, as animadas “Se Liga”, “Mineirinha Ferveu”, “Apaixonada Por Você” e “Debaixo do Cacho” colocaram o público para dançar. Descalça e brincando com um chapéu de caubói, a cantora se mostrou divertida e extremamente à vontade. Com “Pássaro de Fogo”, a imagem puritana de Paula Fernandes é deixada de lado. No telão, cenas da artista trocando de roupa, de costas nuas e se maquiando, movimentam o imaginário masculino e feminino. “Menina me chamando de ‘gostosa’?”, brincou espantada ao ouvir o elogio de uma fã. Um provável problema na hora de vestir o longo vestido vermelho, atrasou a entrada da artista que cantou parte da música de fora de palco. É hora de “Um Ser Amor”, canção que dá nome à turnê, seguida por “Quem É”, “Cuidar Mais de Mim” e “Eu Sem Você”, a última, um dos pontos altos da apresentação.

“Pássaro de Fogo” na turnê “Um Ser Amor”:

“Nunca Mais Eu e Você” é responsável pela parte dispensável do espetáculo. Apesar do ritmo forte – carregado em guitarras -, diferente dos demais números do show, a apresentação, somada ao figurino, chega a ser vergonhosa. O público perdoa com “Man! I Feel Like a Womam!”, mais uma homenagem à Shania Twain. Nessa hora, um letreiro com o nome da brasileira aparece no telão, assim como no show da americana. Mais uma referência à maior cantora country da história. O figurino, dessa vez, é um vestido curto prateado. É com ele que Paula se solta, dança até o chão, abusa dos ventiladores no cabelo no melhor estilo Beyoncé e faz o público levantar e dançar junto com ela.

“Man! I Feel Like a Woman!”, de Shania Twain:

“Estou completamente descabelada!”, diz antes de “Navegar Em Mim”. “Obrigada a cada um que veio me encher de carinho. Vocês não sabem como me deixam feliz!”. É hora de “Eu Quero Ser Pra Você”, seu grande sucesso. “Vocês querem mais?”, diz antes de soltar um “uai” que não a deixa negar suas raízes. Não que ela queira. A mineira de Sete Lagoas termina a apresentação com “Jeito de Mato”, sozinha no palco, mas acompanhada por um coro emocionante. “Assim vocês me fazem borrar a maquiagem!”, sorri antes de entoar a dispensável “Voa” e despedir-se definitivamente, deixando saudade imediata no público que sabe o que é música boa.

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