Paulo Betti: “Espero que meu trabalho traga alegria para as pessoas”

(Foto: Mauro Kury)

Cerca de uma hora antes do início do espetáculo teatral “Autobiografia Autorizada”, Paulo Betti caminha pelo Teatro Vivo, em São Paulo, cumprimentando o público, fazendo fotos e falando principalmente sobre seu próximo projeto, o longa-metragem “A Fera na Selva”, programado para chegar às salas de cinema em 2018. Nesse momento, o artista reserva alguns minutos para conversar com exclusividade com o Setor VIP. Para o ator, a apresentação é especialmente emocionante. A entrevista é concedida na data em que comemora 65 anos de idade. “Autobiografia Autorizada” comemora seus 40 anos de carreira. Rodeado de amigos, Paulo espera que todos se sentem em seus lugares para que, através do público, suba no palco em direção ao camarim, onde se prepara rapidamente para apresentar o monólogo. Sim, um monólogo.

Embora o público admire sua trajetória, as questões que preenchem a mente de quem se informa sobre a peça são as mesmas: ninguém acha o ator talentoso o suficiente para segurar um monólogo e ninguém acha que o artista teve uma vida interessante o suficiente para encenar sua história. Ambas as afirmações são respondidas com maestria em “Autobiografia Autorizada”. No espetáculo, Paulo Betti conta parte de suas memórias baseado no que viu e ouviu durante sua infância e adolescência. Relembra com carinho e desenvoltura personagens importantes de sua vida particular, sem destacar trabalhos artísticos ou histórias de bastidores. Responsável pelas nuances mais atrativas da montagem, a atuação focada do artista provoca o público como em uma aula de teatro. Paulo Betti é um professor merecedor de aplausos.

(Foto: Mauro Kury)

É especial trazer sua biografia para o estado em que nasceu?
Estou muito feliz! Estava com uma expectativa muito grande ao trazer a peça para São Paulo. Resolvi mudar algumas coisas e fiz um trabalho excessivo de incluir coisas, depois precisei tirar outras para incluí-las. Um dia resolvi que não incluiria mais nada e mantive fora o que havia tirado. A peça ganhou ritmo e tempo. Além disso, o público paulista entende muito o que conto. As coisas fazem mais sentido, fazem parte da vivência das pessoas, inclusive geográfica. A peça cresceu com a vinda para São Paulo.

Das histórias que você tirou, há alguma que você sofreu por deixá-la de fora?
Muitas! Quase todas as histórias que tirei… (pausa) Mas, como agora estou escrevendo um livro, as histórias que não entraram na peça, entrarão no livro. Fico mais sossegado sabendo que as histórias se tornarão públicas de alguma forma.

Você tem alguma parte favorita?
Tenho! Uma das cenas que mais gosto é certamente quando me transformo na minha avó. É uma mistura da minha avó com a minha mãe. É um momento para mim muito legal. Fiz a peça pensando nesse momento. A cena também tem uma música muito bonita que acho que empolga os espectadores, uma guarânia chamada “Anahi”.

Qual a maior dificuldade em produzir um espetáculo nos dias de hoje?
Tudo é difícil. Para montar um espetáculo profissional, você precisa conseguir patrocínio, uma forma de pagar o aluguel do teatro. Minha peça tem uma produção muito boa envolvida, incluindo o cenário de Mana Bernardes, a música de Pedro Bernardes, a iluminação de Luiz Paulo Nenem, Daniela Sanchez e Fernanda Mattos, a projeção de imagem do Marlus Araujo e da Raissa Laban… (empolgado) Hoje vamos estrear uma cena nova, uma projeção de um gol que narro. A peça envolve um trabalho profissional muito grande!

Acha essencial a popularidade conquistada por seus trabalhos na televisão para conseguir montar um espetáculo como “Autobiografia Autorizada”?
Não sei se é essencial, mas acho que é muito, muito importante! Apareci em diversos programas de muita visibilidade, com muita audiência. Tive um espaço de divulgação para o meu trabalho que a televisão potencializa. Gosto muito de fazer televisão. Fico muito feliz… (pausa) Essa resposta, essa popularidade que a televisão causa… puxa vida! (emocionado) É uma benção! Com certeza ajuda e fico muito feliz!

(Foto: Mauro Kury)

Você está comemorando 40 anos de carreira. Quais as memórias profissionais que guarda com mais carinho?
Guardo muitas coisas! Tenho carinho por todos os trabalhos que fiz, como se fossem filhos que tenho! Acho que os trabalhos que foram mais populares são os que mais me recordo como o Timóteo (“Tieta”, 1989), que está repetindo no Canal Viva; o Téo Pereira, que fiz na novela “Império” (2014); Carlos Lamarca (“Lamarca”, 1994), Ed Mort (“Ed Mort”, 1997), Zé Lucena (“Guerra de Canudos”, 1997) e Mauá (“Mauá – O Imperador e o Rei”, 1999) no cinema… gosto de quase tudo que fiz! No teatro, trabalhos que o público sabe menos à respeito, como “A Tartaruga de Darwin” (2011) com a Cristina Pereira; adorei fazer “Deus da Carnificina” (2011) com Julia Lemmertz, Orã Figueiredo e Deborah Evelyn; e essa última novela “Rock Story” (2016), que fiz com muito prazer, foi muito gostoso! Tem muita coisa!

Quando você recebe uma proposta de trabalho, pensa no que o texto dirá para as pessoas ou segue o seu gosto pessoal…
…é assim! Honestamente, atingir determinado público, de determinada maneira não é algo que planejo e acho que não tenho esse domínio. Vamos dizer que os trabalhos são uma necessidade de me expressar para mim mesmo e, de uma certa maneira, para quem estiver mais perto de mim. Na medida que os trabalhos vão atingindo outros círculos concêntricos, vão se expandindo… (pausa) Faço para mim e para a minha família gostar. Se outras pessoas gostarem, está ótimo! (risos)

Você pensa em sua responsabilidade social como figura pública?
Não, não penso. Vou fazendo as minhas coisas, procuro pagar os meus impostos, fazer as coisas de maneiras corretas… às vezes fico com vontade de dar opinião sobre o que está acontecendo, outras vezes me reservo o direito de não falar nada, mas me sinto responsável por fazer trabalhos educativos o tempo todo. Estou lançando um filme chamado “A Fera na Selva”, que tem um projeto educativo. Quem quiser participar do processo, basta entrar no site oficial* e se inscrever. O participante poderá ler o livro no qual o filme se inspirou, ver a adaptação que nós fizemos para esse livro e depois assistir o filme, ou seja, terá a chance de fazer um projeto completo em cima do filme. É uma forma de… (pausa) Estou abrindo o processo de trabalho. Do ponto de vista educativo, tenho essa responsabilidade.

*Informações sobre como participar do processo do longa-metragem em www.aferanaselva.com.br.

Vivemos em um país bombardeado por notícias ruins constantemente, além das notícias de outros lugares do mundo. O ofício do ator, em muitos momentos, distrai o público e o faz esquecer seus problemas, principalmente quando há comédia, gênero de alguns de seus personagens. Qual a sensação de saber que você faz as pessoas felizes?
Eu gostaria de que o que você está falando seja verdade e aceito suas palavras com muita alegria. (emocionado) Espero que o que estou fazendo tenha alguma importância e traga realmente um pouco de alegria para as pessoas. Procurei colocar algum humor na minha peça, porque acho que o riso é uma coisa maravilhosa!

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(Foto: Mauro Kury)

“Autobiografia Autorizada” está em cartaz no Teatro Vivo (Avenida Doutor Chucri Zaidan, 2.460 – Morumbi), em São Paulo, sextas (21h30), sábados (21h) e domingos (18h). As entradas custam de R$25,00 (meia) a R$50,00 (inteira) e podem ser encontradas através do site oficial do Ingresso Rápido. “Autobiografia Autorizada” tem duração de 110 minutos e classificação indicativa para maiores de 14 anos. Somente até 01 de outubro. Estrela1 Estrela1 Estrela1