Prestes a encerrar temporada paulista, elenco comemora sucesso de “Peter Pan”

(Foto: Leo Aversa)

Faltando pouco mais de um mês para encerrar a temporada paulista, “Peter Pan” comemora o título de musical mais empolgante do primeiro semestre. Sucesso de crítica e público, o espetáculo protagonizado por Mateus Ribeiro e Daniel Boaventura se prepara para desembarcar no Rio de Janeiro. Estima-se que mais de 75 mil pessoas conferiram as cerca de 70 apresentações em São Paulo, ou seja, todas as sessões tiveram seus ingressos praticamente esgotados.

Brilhante em sua atuação, Mateus Ribeiro (Peter Pan) encabeça o excelente elenco formado por quase trinta artistas, entre os quais estão Pedro Navarro (o pirata Smee) e Carol Botelho (Tiger Lily), um dos grandes destaques do espetáculo. No último domingo (03), Bianca Tadini se despediu do papel da doce Wendy Darling. A artista se prepara para começar os ensaios de “O Fantasma da Ópera”, com estreia marcada para 1º de agosto, no Teatro Renault, em São Paulo.

Antes de se despedirem do Teatro Alfa e voarem para o Rio de Janeiro (ou para a Paris de décadas atrás, no caso de Bianca), os artistas conversaram com exclusividade com o Setor VIP sobre a experiência em “Peter Pan”, além de confidenciarem momentos emocionantes, incidentes engraçados, sonhos profissionais e indicarem diversas obras para aprofundamento do universo do dramaturgo britânico J. M. Barrie, responsável pela criação do personagem Peter Pan.

>> “Peter Pan” estreia com desempenho impecável de Mateus Ribeiro e Daniel Boaventura

(Foto: Leo Aversa)

O que participar do musical “Peter Pan” trouxe de melhor para vocês até agora?

Mateus Ribeiro: Acredito que a possibilidade de mostrar um pouco mais do meu trabalho, coisas que ainda não havia tido tanta possibilidade de fazer e assim ir na direção que quero, que é a de ser reconhecido pela minha arte.

Bianca Tadini: Tive a oportunidade de trabalhar de novo com grandes amigos e pessoas que amo, como a Maria Netto e o Daniel Boaventura; de conhecer melhor o Mateus Ribeiro, com quem tenho uma troca muito bonita em cena e uma química muito legal; trabalhar novamente com o José Possi Neto, um diretor que admiro e que é muito generoso com os atores, e com o Alonso Barros e com o Carlos Bauzys, pessoas que amo e são geniais. Também tive a oportunidade de trabalhar nas versões com meu parceiro e grande amigo Luciano Andrey, e foi a primeira vez que fiz um espetáculo que traduzi.

Pedro Navarro: Artisticamente me proporcionou uma oportunidade de poder experimentar e estar constantemente vivo, podendo construir de outra maneira um personagem conhecido por várias gerações de público. Profissionalmente consegui realizar muitos objetivos. Sempre desejei trabalhar com cada um da equipe artística e criativa de “Peter Pan” e ter essa chance, e nesse personagem ainda, é um banquete para mim. Sou muito agradecido por tudo. Pessoalmente, tenho uma das melhores companhias. O elenco é literalmente uma grande festa, não só de talento, como de relação pessoal. É uma delícia dentro e fora do palco.

Carol Botelho: Tanta coisa! (risos) Fazer um papel tão bonito e tão forte em uma produção tão linda é um presente! Sou muito grata por viver esse momento, pelos encontros com meus colegas de trabalho e com todo mundo da equipe. Por tratar do universo infantil, “Peter Pan” faz a gente acessar a criança que nós somos, nossa essência, que é tão bonita e que a gente vai perdendo ao longo da vida. O espetáculo me fez olhar para quem eu sou, para quem está do meu lado, e viver as experiências. Peter vive intensamente o momento, sem pensar no que virá em seguida. Quando somos crianças, não temos essa quantidade de informação, não temos celular, trabalho… nos voltamos para o presente, o que é muito importante. Quando eu era criança, sonhava em fazer teatro e muitas lembranças me motivaram em diversos momentos da minha vida. Poder motivar uma criança, saber que estamos plantando uma sementinha na trajetória de um ser humano, é muito especial e está sendo muito transformador para mim. Cresci muito como artista e como pessoa.

Qual a parte favorita de vocês no espetáculo? Não necessariamente de seus personagens…

Mateus Ribeiro: Pergunta difícil. Acho que temos muitas coisas incríveis no espetáculo. Os cenários me deixam chocado até hoje pela grandiosidade e pelo preciosismo nos detalhes. Os figurinos são incríveis e lúdicos, sou apaixonado pelo meu! (risos) De número musical, o “Uga Uga” para mim é um acontecimento. Poderia listar milhões de coisas, sou fascinado pelo espetáculo.

Pedro Navarro: Se eu falar a minha parte preferida do Smee vira spoiler! (risos) Vou dizer que, em geral, amo as duas primeiras cenas da Terra do Nunca com o Capitão Gancho e os piratas. Sem falar do número “Uga Uga”, que é um show de performance e coreografia. Assisto todo dia!

Bianca Tadini: Tem dois momentos que amo. A cena na janela, quando o Peter conhece a Wendy, principalmente a música “Neverland”. No meio da canção tem um pedacinho de cena com o Mateus que é sempre muito emocionante. Acho “Dama Misteriosa” um número divertidíssimo e um momento muito divertido meu, do Mateus e do Dani, onde posso cantar um pouquinho mais lírico, mais ópera.

Carol Botelho: Eu acho tão bonito quando o Peter está na janela com a Wendy. Ao longo da música ele descreve para ela como é a Terra do Nunca. Acho essa música muito poética. Às vezes estou no camarim e paro o que estou fazendo para escutar. Além desse momento, o “Indians”, e não é porque eu faço, não! (risos) Tudo que envolve índio é algo muito forte para mim, que exige muito respeito e entrega. Modéstia à parte, a gente faz com garra e bastante verdade. Quando faço sinto uma energia de terra, de natureza… é uma coisa muito louca e muito bonita.

Se vocês tivessem que indicar uma versão de alguma canção, filme ou livro de “Peter Pan”, qual vocês indicariam?

Mateus Ribeiro: Falaria: “assiste nosso musical”! (risos) Fico muito feliz, pois muitos dos gringos que vieram assistir nosso espetáculo apontam como a melhor montagem que viram no mundo! Mas tirando nosso espetáculo… tem muitas versões, né? Indicaria o livro original para as pessoas conhecerem mais da história que de fato foi escrita, porque tem muitos fatos interessantes que às vezes acabam se perdendo nas adaptações.

Bianca Tadini: Vi o espetáculo na Broadway quando era pequenininha e me lembro de ter amado, de ter achado mágico, mas indicaria o filme “Em Busca da Terra do Nunca” que não é a história do Peter Pan, mas a história do J. M. Barrie e de onde ele tirou a inspiração para escrever “Peter Pan”. Acho uma história muito, muito linda!

Carol Botelho: Sempre indico a edição comentada de “Peter Pan” da Editora Zahar, que faz uma análise psicológica dos personagens. Esse livro foi uma das minhas referências. Gosto muito de todos os filmes que assisti. Adoro o desenho da Disney, embora seja mais romantizado, e amo “Em Busca da Terra do Nunca”, que capta bem a essência de como funciona esse imaginário do autor e do que é essa Terra do Nunca. Acho o filme fantástico.

Pedro Navarro: Eu adoro o filme de 2003, acho um equilíbrio incrível entre o conteúdo do livro e a magia do cinema. E amo, claro, a versão da Disney. Amo o Smee do desenho. De musical, adoro a versão da Cathy Rigby e, apesar de várias mudanças, gosto também da versão “Peter Pan Live!”, exibida na rede americana NBC.

(Foto: Leo Aversa)

Até agora houve uma apresentação mais marcante para vocês? Aconteceu algo engraçado ou algum incidente que precisaram contornar?

Mateus Ribeiro: Para mim a apresentação mais marcante foi quando minha família estava na plateia, incluindo meu irmão de seis anos, que nunca havia me visto em cena. Sobre precisar contornar alguma situação, é teatro, né? Sempre vai existir esse momento! (risos) Ainda mais em uma peça em que personagens voam e que tem tantas questões técnicas. Um dia, na luta com o Capitão, o gancho dele prendeu no meu braço bem na hora que eu ia voar. Quando voei o gancho veio junto comigo! (risos) A gente usou a situação na cena, como se eu tivesse cortado a mão dele outra vez, só que dessa vez o gancho. Foi muito engraçado, até porque é um momento em que está praticamente o elenco inteiro em cena.

Carol Botelho: Tiveram duas apresentações que me marcaram muito: no começo da temporada, estávamos fazendo “Uga Uga” e no final fomos aplaudidos de pé durante uns cinco minutos sem parar, com as pessoas enlouquecidas. Eu nunca tinha vivido uma coisa assim antes. Essa troca com o público foi arrebatadora, uma experiência catártica, transformadora. Dava para sentir a energia pulsando dentro da gente. O elenco comenta sobre essa apresentação até hoje. A gente ralou muito nesse “Uga Uga”. (risos) E outra foi esse último sábado, que foi um espetáculo incrível, teve uma energia diferente, não sei dizer exatamente o motivo, mas estávamos todos muito conectados, muita gente comentou, até o Possi. Sobre situações engraçadas, eu não tenho muitas, graças à Deus! (risos) Na coletiva de imprensa, eu estava fazendo o “Uga Uga” e uma das minhas baquetas voou longe, mas a gente conseguiu contornar e deu tudo certo. (risos)

Pedro Navarro: Meu núcleo é da comédia, então nenhuma apresentação é igual a outra. Acredito que nossa estreia para o mercado, convidados e família foi muito especial. Apesar do nervosismo, me senti muito seguro e acolhido. Coisas engraçadas acontecem praticamente todo dia. Teve uma vez que a minha calça abriu na primeira cena, um momento que tem um grande diálogo entre o Smee e o Capitão Gancho. Passei a cena inteira calculando toda a movimentação para não ficar com nada de fora para a plateia, ao mesmo tempo que segurava o riso.

Bianca Tadini: Acho que as apresentações para projeto escola são sempre bem emocionantes porque é um público muito aberto, muito verdadeiro, que troca muito com a gente, se empolga muito, falam com o Peter, falam comigo, falam com o Capitão Gancho, eles são demais! E, claro, a estreia é sempre especial, né?

Você tem uma carreira bastante extensa, consegue destacar alguns momentos especiais que tenha vivido nos palcos?

Bianca Tadini: São muitos momentos, né? Vivi grandes emoções! A primeira vez que entrei como Christine no barquinho foi super emocionante. Minha família estava na plateia e “O Fantasma da Ópera” foi o primeiro espetáculo que vi com eles na Broadway. A minha estreia em “Evita” também foi muito emocionante, foi no fim de semana do aniversário da Evita, então foi algo bem especial. A Maria, de “West Side Story”, é sempre especial para mim, foi o primeiro musical que fiz na minha vida, com 14 anos, e poder fazer esse papel de novo foi realmente lindo. “Cinderella” também era sempre muito emocionante, eu estava em cena com um grande amigo, Bruno Narchi, e falando sobre coisas que são extremamente importantes para mim como bondade, generosidade, acreditar nos seus sonhos… tenho momentos muito especiais!

Quais são os musicais favoritos de vocês? Tem o sonho de interpretar algum personagem específico?

Bianca Tadini: Tenho alguns musicais favoritos. Amo “West Side Story”, que tive o prazer de fazer, amo “Evita”, que também tive o prazer de fazer, “Cinderella”, que também tive o prazer de fazer… (risos) Mas tem alguns que adoraria fazer como “Carousel”, adoro a personagem Julie Jordan, acho um espetáculo lindo e que fala coisas importantes; amo “The Light in the Piazza”, acho uma das grandes obras dos últimos tempos, um musical extremamente bem escrito e uma história super emocionante; e “The Bridges of Madison County”.

Mateus Ribeiro: Vários! (risos) Atualmente, os personagens que eu mais amaria fazer são o Moritz de “Spring Awakening”, o Evan de “Dear Evan Hansen”, o Peter de “Bare”, o Crutchie ou o Jack Kelly de “Newsies”, o Jamie de “Everybody’s Talking About Jamie”, Pippin… também amo “The Book of Mormon”, “Aladdin”, “Sweeney Todd”, “Memphis”… esses são meus sonhos até então. (risos)

Carol Botelho: O musical da minha vida é “Rent”. Tenho uma relação de muito afeto e muito amor com essa peça. Sempre foi meu sonho fazer e realizei. Sempre quis interpretar a Mimi e tive a oportunidade de fazer algumas vezes. Eu era cover da Ingrid Gaigher, que fazia maravilhosamente bem. Foi fantástico! Outra peça que sou alucinada e louca para fazer é “Next to Normal”, acho um espetáculo lindo. Adoraria fazer a Natalie.

Pedro Navarro: Adoro “gritaria”. (risos) Brincadeiras à parte, eu amo comédia e música. Apesar de mudar meu musical preferido a cada período, atualmente tenho muita vontade de fazer o Damian de “Mean Girls”, amo o filme e desde que anunciaram a adaptação para o palco, virou um dos papéis que tenho como objetivo; e o Dewey de “School of Rock”. Cantar como um rockstar e fazer piada o show inteiro? Com certeza! (risos)

>> Baseado em fatos reais, “Chaplin, o Musical” reestreia em São Paulo

>> Elenco e produção se destacam em musical “A Pequena Sereia”

(Foto: Leo Aversa)

“Peter Pan – O Musical da Broadway” está em cartaz no Teatro Alfa (Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro), em São Paulo, quintas (20h30), sextas (20h30), sábados (16h e 20h) e domingos (11h e 17h). As entradas custam de R$25,00 (meia) a R$210,00 (inteira) e podem ser adquiridas através do site oficial do Ingresso Rápido. O espetáculo tem duração de 140 minutos, incluindo um intervalo de 15 minutos, e classificação indicativa livre. Nos dias 08, 09, 10 e 21 de junho, e 14 de julho, o personagem Capitão Gancho será interpretado por Patrick Amstalden. Até 15 de julho. Estrela1 Estrela1 Estrela1 Estrela1